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Itapira, 18 de Setembro de 2020
Artigo
13/07/2020 | Luiz Santos: AC / DC

Caso você tenha pensado que o título desta pastoral tenha alguma coisa a ver com a famosa banda de Hard Rock Australiana, vou logo cortando o seu barato. Não. Se você fez alguma alusão ao clássico divisor da história, ‘antes de Cristo e depois de Cristo’, lamento, mas, não é esse o caso. Também não possui nenhuma relação com a elétrica e suas ‘correntes alternativa e direta’. Quando escrevi este texto estava lendo a seguinte passagem das Escrituras: “Como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do homem. Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando-se e dando-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim acontecerá na vinda do Filho do homem” (Mt 24.37-39). Este sermão escatológico de Jesus em que ele estava explicando os sinais do seu segundo advento, me fez pensar em como vivíamos a nossa vida antes da Pandemia. Daí o título que sugere, ‘Antes da Covid; Depois da Covid’ (se você quiser pode usar Antes do Corona; Depois do Corona). Tenho em mente a vida na minha comunidade eclesiástica. Como estávamos vivendo a nossa vida de discípulos e missionários de Jesus Cristo? Qual a posição, o lugar de prioridade que dávamos ao nosso relacionamento com Deus? Qual a profundidade e a extensão de nosso compromisso com a Aliança? Penso, sinceramente, que muitos de nós vivíamos vidas, sobretudo esta, espiritual, no modo automático. Para muitos de nós os deveres e as obrigações na comunidade cristã tornaram um estorvo, um fardo difícil de carregar, alguma coisa que só servia para atrapalhar ou, no mínimo, problematizar a nossa agenda de fim de semana, fim de ano e etc. Fizemos do entretenimento, do lazer, do descanso, das férias, verdadeiros ídolos. Ídolos de estimação, intocáveis e que passaram a exigir sempre mais a nossa atenção e fidelidade. Essa fidelidade exigida importava ter que sacrificar no altar do ‘eu mereço’, ‘eu preciso ter vida social’, ‘não só de culto (igreja) a vida é feita’ e outras pérolas como estas. Claro, os ídolos do entretenimento, do prazer, do descanso são caprichosos e exigentes. Manter o seu culto custa muito, daí, desenvolvemos uma outra idolatria fundamental, a da segurança financeira, a do bem-estar econômico. Passamos a trabalhar sempre mais e a desejar ficar ricos a todo o custo. O domingo passou a ser contabilizado como prejuízo para alguns. Outros passaram a quebrá-lo sem nenhum escrúpulo e outros passaram a utilizá-lo como um dia de agendamentos para a semana. Passamos a entender o sentido da vida em termos monetários. Cifrões passaram a significar realização, felicidade. Ainda sobre o domingo, esvaziamos o seu sentido Bíblico, Teológico e Escatológico e o preenchemos com o conteúdo da cultura popular. O solene ‘Dia do Senhor’ passou a atender pelo nome de ‘Weekend’, isto é, fim de semana. Não é apenas uma questão de modernidade na nomenclatura. Houve uma mudança de paradigma, de conceito. Agora, o primeiro dia da semana não é mais focalizado, centrado, dirigido integralmente para a glorificação, adoração, santificação de Deus, seu nome, sua presença, sua companhia, suas Palavras. A ressurreição de Cristo já nem é mais uma lembrança gozosa de muitos crentes. Para muitos, no domingo, entregávamos as migalhas de nosso tempo, de nossas afeições e de nossas posses para o Senhor, desde que pudéssemos gastar o melhor do tempo e de nossas energias com os nossos interesses pessoais e familiares. E evidente, como prazer, bem-estar e conforto tornaram-se uma tríade poderosa no panteão dos deuses da contemporaneidade, a agenda da igreja também sofreu as suas influências. Reuniões de oração passaram a ficar desertas e por quê? Por serem sem atrativos, sem ‘graça’ (no sentido vulgar do termo), desconfortáveis e modorrentas. Jejum? Nem pensar. Alguns poucos, é verdade, ainda se aventuram. Mas, passamos a construir uma agenda que a todo o tempo estivesse a serviço da trindade prazer, bem-estar e conforto. Reuniões com ‘comeretes e beberetes’ passaram a ser um grande atrativo, capaz mesmo de fidelizar. Momentos de adoração pensados no adorador encabeçaram a lista de prioridades. O Evangelho não pode ofender. A santidade de Deus não pode humilhar o pecador. O amor de Cristo não pode constranger e o importante é que todos se sintam bem e não sejam forçados a nada, a nem mesmo deixar a sua zona de conforto. Evangelizar se tornou sinônimo de homenagens, mimos e mensagens positivas. Não mais uma declaração autoritativa de Deus ordenando aos homens que se arrependam. Veio a pandemia e virou tudo de ponta-cabeça e não vai colocar coisa alguma no lugar. Ela nada tem a nos ensinar. Ela nada veio trazer de bom e com ela nenhuma bênção em seu bojo. Se quisermos de fato sair dela com algo transformador, com ensinos para vida, precisamos buscar a sabedoria em outro lugar, nas Sagradas Escrituras. Precisamos voltar ao Evangelho, ao antigo, eterno Evangelho e repassar e repensar a nossa condição de discípulos. É preciso refinar, ressignificar e restaurar o ardo de nosso amor por Jesus Cristo. É hora de renovar, cada um, a sua Aliança com Cristo e aprofundar a amizade com Ele. É um tempo de graça porque o COVID-19 é como um ministro de Deus que veio para nos alertar, do jeito que estava antes, não dá para continuar.

Reverendo Luiz Fernando é pastor na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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