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Itapira, 20 de Janeiro de 2020
Artigo
27/04/2014 | Padre Pires: São João XXIII E São João Paulo II

 


Hoje, domingo, dia 27 de abril de 2014, no Vaticano estão sendo canonizados os papas João XXIII e João Paulo II, ou seja, eles estão sendo oficialmente reconhecidos como santos pela Igreja Católica. Ofereço algumas explicações sobre como se dá este processo de proclamar alguém santo.

Os santos são homens e mulheres que, de acordo com os princípios do catolicismo, levaram uma vida virtuosa, praticando da melhor maneira possível as normas do evangelho. Essa prática virtuosa chamou a atenção e estas pessoas começaram a serem veneradas pelo povo, algumas ainda em vida, outras depois que faleceram.

No início do cristianismo, quando havia grande número de mártires por causa da perseguição, para que uma pessoa fosse declarada santo ou santa bastava a aclamação popular (caso de São Sebastião, Santa Inês, Santa Cecília e Santo Expedito, entre outros). A partir do século XII a Igreja, no intuito de disciplinar a questão, só passou a reconhecer como santo ou santa quem assim o fosse declarado pelo papa. Em 1588 Sisto V criou a Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, um órgão da Igreja cuja finalidade é estudar todos os casos relacionados ao reconhecimento ou não da santidade de uma pessoa.

O primeiro procedimento é a abertura de um processo pelo bispo da diocese onde a pessoa viveu, no mínimo a partir de cinco anos depois da sua morte. No caso do papa João Paulo II esta norma foi dispensada por Bento XVI. Assim que esse processo é aberto o candidato é chamado de "servo de Deus". Um postulador, espécie de advogado do santo, é designado pelo bispo para defender a causa. O Vaticano, por sua vez, designa o "advogado do diabo", responsável por apontar falhas processuais e coletar informações que possam questionar a fama de santidade do candidato.

Se o postulador conseguiu provar para os teólogos, historiadores e para as autoridades do Vaticano que o candidato viveu de forma exemplar as virtudes cristãs, ou que morreu em defesa da fé; e o "advogado do diabo" não pôs nenhum reparo, ele ganha o título de "Venerável".Já na posse desse título, se ele realizar um milagre devidamente comprovado é nomeado "beato”.

Um milagre, para ser reconhecido como tal por Roma (geralmente uma cura), tem de possuir quatro características: ser instantâneo, completo, duradouro e que não tenha nenhuma explicação pelos recursos disponíveis da ciência.  Esses itens precisam ser comprovados por equipes médicas devidamente qualificadas. Estes doutores não declaram que foi milagre, mas que a cura se efetuou com certeza e que ela seria impossível pelos recursos hoje disponíveis da ciência.

Finalmente se o beato ou beata realizar um segundo milagre ele está pronto para ser canonizado (declarado santo). Então o processo concluído é entregue ao papa a quem cabe a última palavra. Se ele confirma é então marcada a cerimônia chamada "canonização" e a partir dela o novo santo pode ser cultuado nas igrejas do mundo inteiro.

Geralmente se entende que o santo é um ser iluminado, que age como intermediário entre Deus e os homens. A partir desse conceito verifica-se sua existência em quase todas as grandes religiões.

Na versão ortodoxa tanto o judaísmo como o islamismo não admitem intermediários entre Deus e os homens, mas em ambos há dissidências. O hassidismo, ramo judaico surgido na Polônia no século XVIII, tem em seu fundador Baal Shem Tov, o "mestre do bom nome", uma espécie de santo que realiza curas e a quem se atribuem milagres.  A versão xiita do islamismo abre espaço para a veneração dos chamados doze imãs, descendentes diretos de Maomé. O politeísmo hindu é tão rico e variado que praticamente descarta a necessidade de outros santos, mas não deixa de venerar os gurus por seu desprendimento material e ascetismo. Eles também acreditam em avatares, que são seres divinos encarnados em forma humana. No budismo existe a figura do “bodisatva”, um ser humano que teria a capacidade de alcançar a iluminação, mas que renuncia a esse passo para permanecer na terra e ajudar a humanidade sofredora, ou seja, um verdadeiro santo.

Como a Igreja Católica entende que muitos homens e mulheres foram realmente santos, mas por circunstâncias históricas complexas não passaram pelos crivos do Vaticano para serem assim reconhecidos, instituiu o dia 1 de novembro como “Dia de Todos os Santos”, onde mesmo aqueles não oficialmente reconhecidos podem ser invocados.

A partir de hoje poderão ser colocadas imagens de João XXIII e João Paulo II em qualquer igreja católica do mundo e poderão ser construídas catedrais, santuários, matrizes e capelas com o nome deles antecedido de “são”. Eles poderão ser invocados nas orações pelos católicos de qualquer lugar da terra e seus nomes também poderão ser incluídos na ladainha de todos os santos que é rezada nas igrejas do mundo inteiro na cerimônia da Vigília Pascal, no Sábado Santo.
 

Os debates teológicos sobre o assunto, principalmente entre católicos e protestantes, já renderam bibliotecas de teses, antíteses e quase nenhuma síntese. Qualquer dia, com a devida disposição e paciência para pesquisar melhor, retorno ao assunto sobre este enfoque.
Fonte: Padre Pires

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