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Itapira, 27 de Janeiro de 2020
Artigo
16/08/2015 | Sandro Belli : Primeiros socorros

 Você já se deparou com uma situação de emergência com o seu cãozinho em decorrência de um acidente? Essas ocorrências podem ser mais comuns do que se imagina, exigindo do dono um conhecimento prévio sobre como realizar os procedimentos de primeiros socorros a fim de evitar sequelas graves e até mesmo a morte.

Quais são os principais acidentes que envolvem os cães?
 
São diversos os acidentes que envolvem os cães. Como exemplos, podemos citar os atropelamentos, que, mesmo sem qualquer sinal de trauma externo, requerem atenção do Médico-Veterinário devido à possibilidade de lesões nos órgãos internos, podendo comprometer a saúde do animal posteriormente. Outros acidentes frequentes são as intoxicações, o choque elétrico, o acidente ofídico e, claro, os traumas diversos (briga entre animais, traumatismos, coices, dentre outros).
Como se diferenciam os casos emergenciais dos urgentes?
 
Emergências são situações críticas inesperadas, súbitas, cujo pronto atendimento é fundamental à identificação do problema e correção de suas consequências, exigindo a imediata intervenção do Veterinário para garantir a sobrevivência do paciente. Já os casos urgentes representam situações perigosas, de aparecimento mais lento e previsível, cujo atendimento não pode ser adiado, requerendo solução em curto prazo, ainda que de maneira menos imediatista que nos casos emergenciais.
 
No caso de atropelamento do meu animal de estimação, quais devem ser os procedimentos de primeiros socorros?
 
Dependendo da magnitude do atropelamento é possível que haja danos a múltiplas estruturas corporais, incluindo órgãos internos, de modo que é imprescindível levá-lo ao Médico- Veterinário para que seja apropriadamente examinado, excluindo quaisquer possibilidades de lesão. Quanto aos primeiros socorros, se houver lesão musculoesquelética, deve-se cobri-la com um tecido limpo, procurando imobilizar a região corporal afetada durante o transporte até a Clínica Veterinária. Havendo hemorragias, pode-se tentar estancá-la com ataduras (fraldas descartáveis limpas podem ser empregadas para esse fim). Em todos os casos, contudo, não se deve perder tempo. Os segundos perdidos podem significar o insucesso dos procedimentos realizados pelo Médico-Veterinário quando o animal chegar ao consultório. Portanto, a recomendação mais apropriada é contatar o Veterinário imediatamente e seguir para a Clínica mais próxima.
 
Como deve ser o transporte do animal nos primeiros socorros?
 
Pode-se colocar o animal sobre um colchão de espuma no banco traseiro do carro, evitando movimentos bruscos. Para animais maiores e mais pesados, deve-se passar um lençol por baixo (como uma rede) para transportá-lo até o veículo. É importante que o animal esteja tranquilo (e o proprietário também), e lembre-se que segundos valem ouro nessas situações. Não se esqueça de contatar o Médico-Veterinário antes de sair de casa para que, ao chegar à Clínica, todos já saibam do ocorrido e estejam aptos a instituir o pronto atendimento.
 
Em envenenamentos e picadas de cobra, como deve ser o procedimento?
 
Nos envenenamentos as manifestações clínicas do paciente variam conforme a substância tóxica envolvida, bem como o tempo de exposição e a quantidade a que foi exposto. De qualquer forma, se for presenciada a ingestão ou contato com qualquer agente possivelmente tóxico, leve o animal imediatamente ao Consultório Veterinário para ser examinado. Leve consigo a embalagem do produto ou anote o grupo químico a que pertence tal substância. Quando o contato for cutâneo ou pelos olhos, é importante lavar com água limpa em abundância. Quando houver ingestão, nem sempre é recomendado induzir o vômito. Se o animal convulsionar, proteja-o sobre um colchão de espuma ou edredom para evitar que se traumatize. Em alguns casos o contato pode não ter sido presenciado, mas existem produtos tóxicos no ambiente aos quais o animal pode ter tido acesso. Para alguns agentes tóxicos há antídotos, para outros não, sendo necessário tratamento sintomático. O Médico-
 
Veterinário definirá a melhor alternativa em qualquer caso, mas é primordial que o animal seja examinado tão logo se suspeite de intoxicação.
 
Nos acidentes ofídicos (picadas de cobra) o procedimento também varia de acordo com a espécie de víbora. Seria ideal que todos os proprietários soubessem identificá-las, pois existem soros específicos que podem ser úteis nesses casos. Caso não seja identificada, o tratamento provavelmente será sintomático, devendo ser instituído com maior brevidade possível, uma vez que as substâncias contidas no veneno podem afetar diversos órgãos, não estando restritas apenas ao “inchaço” e sangramento no local da lesão.

Assim como nos humanos, um atendimento rápido e correto pode salvar a vida do animal?
 
Sem dúvida alguma, o atendimento das urgências e emergências tem melhor resultado quando realizado de maneira rápida e apropriada. Para isso, é importantíssimo que os proprietários de animais não percam tempo tentando “tratar” por conta própria em casa. Além de não surtir resultado, substâncias e procedimentos adotados de maneira inapropriada podem trazer consequências graves e, até mesmo, comprometer a vida do paciente. É ideal que contatem o Médico-Veterinário para as orientações iniciais e sigam imediatamente para a Clínica Veterinária, onde o animal será examinado e, se necessário, receberá a terapia adequada.
 
E se for tardio e equivocado, quais podem ser as consequências?
 
A pior delas é o óbito do animal, ainda que tardio, mas não podemos nos esquecer das inúmeras sequelas decorrentes de tratamentos e medidas equivocadas (muitas delas feitas pelos próprios proprietários na expectativa de minimizar o problema). Segundos valem ouro nessas situações e quanto antes o problema for identificado, mais precocemente será instituído o tratamento apropriado, aumentando as chances de sucesso.

Como acontece o estado de choque nos cães? Quais são os sintomas e o que pode ocasionar?
 
O choque é uma síndrome multissistêmica caracterizada pela perfusão inadequada das estruturas corporais. Suas causas são diversas, mas em todas elas as células do organismo “sofrem” com a falta de oxigênio, desencadeando uma série de consequências e culminando com o óbito quando não tratado de maneira apropriada. Dentre suas causas destacamos os quadros de vômito, diarreia, desidratação, doenças infecciosas sistêmicas, septicemia, traumatismo, doença cardíaca e renal, dentre outras. As manifestações clínicas também são variáveis, mas em geral incluem tristeza, fraqueza, mucosas pálidas, pulsos fracos, frequência respiratória aumentada e hipotermia. É importante que o animal seja encaminhado imediatamente ao Consultório Veterinário, pois as medidas de manejo dessa condição devem ser instituídas o quanto antes para garantir a sobrevivência do paciente. Vale destacar que o choque não é uma doença, mas a consequência de um problema, de modo que o Médico-Veterinário, além de intervir nas manifestações do choque, também averiguará sua origem e, se necessário, definirá a melhor estratégia terapêutica para evitar que novos episódios ocorram.
Fonte: Sandro Belli

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