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Itapira, 01 de Outubro de 2020
Notícia
05/03/2017 | Luiz Santos: A Caminho da Páscoa

Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem. Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação” (Hb 9.10,11).

Iniciamos uma nova estação litúrgica desde a quarta-feira de cinzas. Iniciamos o tempo em preparação para a celebração da Páscoa no calendário cristão. Todavia, essa estação não tem muito crédito entre nós protestantes e por muitas razões, às vezes nem sempre coerentes. Certamente o grande problema esteja na ênfase demasiada nas obras e nos méritos humanos que a penitência da Igreja Romana atribuiu a esses dias de preparação, como algo que o crente devesse fazer para assegurar-se de sua salvação. Também os exageros da piedade do catolicismo popular que atribuiu a esses dias superstições de toda monta, desde o não poder cortar a barba, comer certos alimentos ou alegrar-se com danças e festas. Também uma certa dose de ignorância e zelo cego por parte dos protestantes contribuiu para uma deformada compreensão desta estação litúrgica. Todavia, desde os tempos mais antigos da igreja, quando aparecem os dias chamados de quaresma, esse tempo litúrgico estava ligado com a pedagogia pastoral da Igreja e com a sua didascalia, isto é, com o seu ensino formal na preparação dos novos convertidos para os sacramentos da iniciação cristã. Durante o período de quarenta dias que antecediam as comemorações pascais, os catecúmenos eram submetidos à catequese de introdução aos significados morais e espirituais dos sacramentos e da vida pactual na comunidade dos salvos, a igreja de Cristo. Durante esse período, além das ministrações, havia muitos exames para a averiguação da sinceridade e maturidade da fé dos catecúmenos, bem como a celebração de muitos ritos preciosos que se perderam com o passar dos séculos e o enfraquecimento do catecumenato como instituição eclesiástica e escola da fé. Dentre os ritos celebrados estavam entre outros, com certeza, o lava-pés como um sacramental que dramatizava a natureza serviçal e o amor sacrificial da vida cristã, a “Traditio Symboli”, que nada mais era do que a entrega do Credo Apostólico em forma de catequeses e da exigência do testemunho público da fé, naqueles dias, um ato temerário e heroico em face das muitas perseguições. A cada domingo dentro desses quarenta dias, a igreja se recolhia em uma espécie de grande retiro espiritual, para junto com os catecúmenos, renovar comunitária e publicamente a sua fé. Enquanto os novos convertidos eram preparados para a nova vida em Cristo e na Igreja, os crentes eram levados por meio de outras instruções e práticas de piedade a encetarem um tempo forte de santificação pessoal, na moderação da vida para um período de maior dedicação à vida interior. Isto era obtido, por exemplo, com a abstenção do sono para incrementar a vida de oração em vigílias particulares, na prática pessoal e comunitária do jejum e confissão de pecados, desejosos de purificação e aumento das virtudes espirituais e morais. E claro, na dedicação maior de leitura das Escrituras ou dos mestres e doutores versados em doutrina e vida espiritual que tivessem à mão como preciosos auxílios para o crescimento na Graça e no Conhecimento do Senhor. A Igreja Reformada de maneira quase geral não soube integrar a prática e a utilidade pastoral desse tempo litúrgico em sua tarefa de renovação do culto, da teologia e piedade da igreja. Como disse no início, talvez por um zelo cego ou por uma necessidade em face de tamanha corrupção da igreja em seus dias. Todavia, com o passar do tempo, com a pacificação e a consolidação da obra da Reforma, muitos setores da igreja evangélica redescobriram a pedagogia por trás do calendário cristão e sua utilidade, quando usado com sabedoria e sobriedade, para o itinerário espiritual e a formação intelectual dos crentes. Nessa redescoberta, muitos têm se interessado pela preparação litúrgica quanto à celebração da páscoa do cordeiro de Deus. Assim, esta estação litúrgica que a tradição chama de quaresma, pode ser um pretexto útil para que nos domingos que antecedem a festa da Ressurreição, a igreja possa e deva visitar o Antigo Testamento em suas cerimônias, leis, utensílios e pessoas que tipificavam a Cristo. Um expediente análogo aos domingos do Advento quando olhamos para as profecias do Antigo Testamento e nos certificamos de que as promessas foram cumpridas na encarnação do Verbo. Agora, olhando para a primeira dispensação, tomamos ciência de que o servo sofredor, os sacrifícios, os ofícios realizados pelo sacerdócio e etc. encontram seu sentido real, sua plena eficácia, sendo ao mesmo tempo aceitos e substituídos pelo “Tudo está Consumado” da Cruz de Cristo, único e definitivo sacrifício de reconciliação e satisfação aceito pelo Pai.  Além disso, aproveitamos esse tempo, para dar novo incremento à nossa piedade e novo ardor ao nosso testemunho do ressuscitado no mundo. Com os olhos na cruz, caminhemos para a Páscoa.

Reverendo Luiz Fernando É Ministro na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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