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Itapira, 16 de Setembro de 2021
Notícia
12/05/2021 | Luiz Santos: A Grande Família

O título desta pastoral tomei emprestado do famoso seriado da TV que, na fase mais contemporânea, teve o seu primeiro episódio em 29 de março de 2001 e o último em 11 de setembro de 2014. Mas, apesar de emprestar o título, não quero tratar de nada aparecido com o enredo daquela prestigiada série. No mês da família quero dedicar esta pastoral à grande família da fé, a Igreja local, a comunidade concreta de discípulos de Jesus que se reúne com assiduidade para testemunhar o Evangelho e crescer na graça e no conhecimento do Senhor. Não é por nada que nos chamamos uns aos outros de irmãos. De fato, o sangue de Cristo e a adoção n’Ele realizada pelo amor gratuito do Pai, nos inseriu numa nova e grande família. Agostinho e mais tarde o próprio Calvino ensinavam algo mais ou menos assim: “Ninguém ouse chamar a Deus de Pai os que não tem a Igreja por sua mãe”. Verdadeiramente somos gerados espiritualmente pelo Pai e gestados e nascidos do ventre da Igreja, pelo rito do batismo. No seio desta família, juntamente com os nossos irmãos e irmãs, somos nutridos, cuidados, protegidos, educados, ensinados, corrigidos, amados, disciplinados. É a mesma dinâmica de uma família nuclear, só que exponenciada. Também temos os nossos momentos festivos, as nossas refeições familiares, mormente a Ceia do Senhor. Nos alegramos quando novos filhos nascem, pelo batismo e marcamos cada etapa da vida com a gratidão. Nascimentos físicos e espirituais, casamentos, aniversários, bodas, funerais, vivemos todos esses eventos como se todos dissessem respeito pessoalmente a nós. Compartilhamos, na presença de Jesus, alegrias, tristezas, angústias, esperanças, medos, sonhos, vitórias e perdas. Na família da fé aprendemos uma matemática diferente: alegria compartilhada, alegria aumentada. Dor compartilhada, dor diminuída. Esta grande família, como a família de carne e sangue, também não é perfeita e apesar de possuirmos a mesma paternidade e a mesma maternidade e crescermos juntos no mesmo ambiente, ainda sim, somos muito diferentes, nem sempre concordamos em tudo, antipatias gratuitas e naturais podem surgir e eventualmente podemos nos machucar ou ferir alguém. Contudo, a presença de Deus constante e fiel por meio do Espírito Santo, da Palavra, dos Sacramentos oferece aos membros da família condições sobrenaturais para conviver paciente e amorosamente com essas dificuldades, transcendê-las e mesmo usá-las em nosso processo de amadurecimento e conformação à cruz do Salvador. Mas, o que é mesmo o mais importante para nós individualmente e para os nossos lares, é que a grande família, isto é, a Igreja local é o ambiente natural onde a Aliança é ministrada e renovada a cada domingo em suas promessas, bênçãos e interdições. É habitat natural do desabrochar da piedade, o berçário da santidade e a escola das virtudes. Quando o nosso casamento é exposto à influência da Palavra ministrada, ao conselho e à instrução de líderes sábios e na mutualidade de outros casais experimentados pelos anos ou experiências de quedas e superações pela graça, somos sempre empoderados para viver com mais fidelidade os nossos votos matrimoniais. Educar os nossos filhos também na escola dominical (uma educação suplementar e não substituta à do lar), na convivência com outros filhos da Aliança e na companhia de pastores, presbíteros, diáconos e leigos conscientes e engajados, proporciona aos nossos filhos um senso de mordomia, missão e responsabilidade para com os dons de Deus. Não podemos deixar de mencionar que a comunidade de fé é uma espécie de caravana, de comboio, que oferece proteção, segurança e senso de direção para as nossas famílias enquanto peregrinamos nas estradas desse mundo rumo à pátria definitiva. Uma vez que somos estrangeiros aqui, não fosse a grande família, nos sentiríamos inadequados, impotentes e alienados. Nossa presença, leitura e lugar nos acontecimentos do mundo seriam confusos e desprovidos de quaisquer significados mais profundos. A ‘Casa da Igreja’ como resultado do ajuntamento de uma rede casas nos ajuda a vivenciar a nossa vocação escatológica de povo de Deus que está desde agora, se ambientando, se preparando para um dia ingressarmos definitivamente nas moradas celestes e formarmos a imensa família dos santos com o irmão mais velho Jesus, na casa do Pai.

Reverendo Luiz Fernando é pastor na grande família da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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