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Itapira, 24 de Maio de 2018
Notícia
28/02/2018 | Luiz Santos: A Vida É Bela

Tomo emprestado o título desta pastoral do premiado filme do ator e diretor Roberto Benigni para ilustrar a vida ética de uma genuína comunidade cristã. A pregação foi o meio estabelecido por Deus para proclamar as Boa Novas e atrair homens e mulheres para o Senhorio de Jesus Cristo. Deus prometeu honrar a pregação autêntica e comprometida com as Escrituras como meio pelo qual o Espírito Santo agiria na transformação do coração, produzindo fé e vida nova. E tem sido assim desde sempre, quando o Evangelho é acolhido por pecadores, e não importa quais sejam os seus pecados, há poder suficiente na pregação para purificar moral e espiritualmente de tais pecados. Os pecadores uma vez convertidos são levados, pela graça e pela instrução, a viverem um padrão de vida excelente no que diz a ética e a moral. Quando isso não acontece ou não foi o Evangelho genuíno proclamado, ou não houve sincero acolhimento pelos pecadores. No início do cristianismo, logo após a era apostólica, grandes doutores da fé, eminentes teólogos e distintos pastores surgiram no mundo, mas não eram muitos. O evangelho da salvação se espalhou rapidamente muito mais por meio de pessoas comuns, com vidas triviais, em ocupações ordinárias, vivendo no mundo e seguindo o curso da história. Homens e mulheres que não conheciam a separação entre sagrado e profano ou religioso e secular. Viviam a sua fé na totalidade da vida, levando o evangelho para aonde quer que fossem e tendo-o como o conteúdo de boa parte de sua conversação. Não eram missionários de carreira ou pastores profissionais, mas eram cristãos de tempo e dedicação integrais ao Senhor e Salvador Jesus. Nesse período da história ainda não existiam as grandes catedrais e nem mesmo prédios oficiais e distintivos do cristianismo. A noção e relação templo-igreja não podia ser concebida. A Igreja era a comunidade reunida para a audição da Palavra, a adoração, a Ceia Eucarística e o compartilhamento dos bens, por meio de coletas e ofertas voluntárias, com os que necessitavam e o socorro dos pobres, viúvas e órfãos. Andar em justiça e misericórdia era o alvo da vida comunitária. Essa vida marcada pelo amor, singeleza, sensibilidade com a dor alheia, plena de acolhimento do outro, misericordiosa, com pureza conjugal e altíssimo apreço pela moralidade, era alguma coisa que causava espanto e ao mesmo tempo atraía de maneira cativante os de fora, os pagãos, os inconversos e os idólatras. A vida ética da comunidade e do indivíduo que confessava Cristo era a grande proclamação do Evangelho. É claro que havia pregações. Sem dúvida, o ensino catequético era ministrado toda semana nas reuniões cristãs desde Atos dos Apóstolos 2.42 ss. Todavia, nada tornou o cristianismo mais alvo de perseguições e, paradoxalmente, atraente para o antigo império romano, do que a singularidade das excelências de sua vida no mundo. A santidade do cristão incluía, fidelidade e lealdade ao patrão, precisão no peso da balança e nas medidas de tecidos e outros. Ser cristão significava trabalhar com as próprias mãos e ainda ter como socorrer os necessitados. Não mentir, não se envolver em tramas, fraudes e conspirações, jamais pactuar com a injustiça ou ser cúmplice na mentira. Se escravos, jamais deixar de tratar com respeito e submissão aos seus amos. Se alforriados, coisa que deveriam desejar, viver honestamente e jamais usar a liberdade para a libertinagem. Todos deveriam ser leais ao Estado conquanto essa lealdade não comprometesse o reconhecimento de Jesus Cristo como o único Soberano Senhor. Ser cristão incluía não participar ou fomentar a cultura que aviltasse a dignidade humana, coisificasse o sexo, diminuísse a dignidade da mulher, maculasse o casamento e atentasse contra a sacralidade da vida. Por isso as casas de banho público (termas), os jogos nas arenas e o circo eram, naquela época, programas incompatíveis para um cristão. Mas, os coxos, os pobres, os leprosos, os refugiados e expatriados, os perseguidos encontravam nos cristãos individualmente e na comunidade como um todo, o alento e o lenitivo para as suas dores. Os marginalizados eram sempre bem-vindos. A vida cristã não era sisuda, introspectiva, alienada, mas também não era capitulada pelo mundo. A alegria da comunidade cristã consistia no encontro semanal para o ‘Ágape fraterno’, na liberdade experimentada em Cristo para tudo o que fosse nobre, belo e na prática da justiça e da misericórdia. Vivendo assim, não demorou muito para que boa parte do império romano cedesse aos imperativos de uma vida tão bela assim. Que a igreja torne a ser um lugar onde a proclamação do Evangelho seja creditada com a beleza da ética.

Rev. Luiz Fernando é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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