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Itapira, 24 de Maio de 2019
Notícia
08/05/2019 | Luiz Santos: Águas de Elim

Grande parte da narrativa bíblica no Antigo Testamento tem o deserto como cenário. Nesse lugar inóspito e repleto de perigos, Yaweh Deus elegeu, amou, escolheu, cuidou e estabeleceu morada entre o seu povo. Duas passagens bíblicas me ocorrem à mente que dão a exata medida desse relacionamento entre Deus e o seu povo dramatizado no deserto: "Portanto, agora vou atraí-la; vou levá-la para o deserto e vou falar-lhe com carinho” (Os 2.14) e ainda:Eu cuidei de vocês no deserto, naquela terra de calor ardente” (Os 13.5). Além de Israel como povo, outros personagens bíblicos tiveram o seu encontro pessoal, seu momento de provação e a sua experiência redentora com o Senhor nesse lugar estéril e cercado pela presença da morte: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Davi em suas fugas da presença de Saul e Absalão, e o próprio Senhor Jesus testado pelo tentador como nosso substituto e aprovado pelo Pai como nosso representante. Mas o deserto esconde e ao mesmo tempo revela belezas e surpresas maravilhosas que apontam sempre para a maravilhosa graça de Deus, sua presença providencial e seus cuidados amorosos. Elim é um desses lugares: “Depois chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e acamparam junto àquelas águas” (Êx 15.27) e “Partiram de Mara e foram para Elim, onde havia doze fontes e setenta palmeiras, e acamparam ali” (Nm 33.9). Seguramente Elim parecia uma miragem aos olhos daqueles homens e mulheres que peregrinavam sob o sol escaldante do deserto, um verdadeiro oásis onde a abundância de águas puras, pastagem de qualidade para o rebanho e a sombra das palmeiras amenizando os efeitos do calor inclemente, oferecia refrigério, retemperava as forças, despertava a esperança e apontava, como um sacramento, para uma terra superior à qual estavam vocacionados. Elim era o local ideal para curar as feridas provocadas pelo tempo de provação e devolver sanidade e equilíbrio emocional quando a razão e a lógica humanas já não podem oferecer todas as respostas e um tempo de cuidado e aconchego eram vitais. Como cristãos e cidadãos do Reino dos Céus somos todos peregrinos nesse mundo e o deserto é uma boa descrição ou imagem para ele. Um lugar caído, cercado pela cultura de morte e influenciado por poderes hostis a Deus e inimigos da alma humana. E é justamente dentro desse contexto que somos igualmente encontrados por Deus e entramos em uma relação pactual, uma relação de amor. É durante essa nossa peregrinação que recebemos os cuidados, as provas de amor e fidelidade de Deus e somos por meio de muitos testes e provações, ensinados a crer e obedecer. Esse deserto também esconde e revela lugares deslumbrantes, encantadores, os oásis onde encontramos refrigério, restauração e descanso. O lar cristão deve ser um desses lugares. Em casa, no recesso da família, na intimidade daqueles que amamos é o contexto perfeito e idealizado por Deus para que a nossa humanidade fosse restaurada depois de cada dia de peregrinação, lutas e desafios. Mas esse oásis nem sempre está pronto para oferecer-nos a guarida que necessitamos. Esse lugar precisa ser cuidado, preservado e muitas vezes iniciados por nós mesmos com o auxílio da graça. Nós é que fazemos a escolha, se desejamos que a nossa casa seja uma extensão do mundo ou se o nosso lar será como as águas curadoras de Elim. O que torna a família um lugar de repouso são as coisas que cultivamos juntos e os valores e princípios que juntos pactuamos viver. Para que o nosso lar seja uma pausa na espiral ensandecida do mundo, precisamos cultivar e exercitar afetos carinhosos e generosos. Precisamos aprender a acolher o outro na sua singularidade e amá-lo em verdade e nunca nos tornar cúmplices ou indiferentes quando procederem de maneira inadequada. É nosso dever cultivar o culto doméstico, as orações à mesa, o exercício constante do perdão e da misericórdia. Para que a nossa casa se torne como Elim, um espírito manso e humilde deve reinar no lar, a profanidade e a linguagem desrespeitosa precisa ser banida e a Palavra de Cristo deve ser o árbitro em nossos corações. Invista em sua família, desconstrua a imagem de deserto nela e cultive um jardim em meio ao vazio desse mundo e deixe que à sombra do Onipotente (Sl 91.1) restaure a sua família.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Palavra na Igreja presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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