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Itapira, 31 de Maro de 2020
Notícia
03/07/2014 | Luiz Santos: Ainda os nossos 140 anos...

 Até aqui o Senhor nos ajudou" (1 Samuel 7.2).

Já afirmei mais de uma vez que o protestantismo chega em Itapira antes da Igreja Presbiteriana. Os imigrantes Europeus trouxeram entre os seus “pertences” e a sua herança cultural, o assim chamado protestantismo continental e étnico. Isto é, a expressão da Igreja Reformada que surgiu e se organizou a partir da Alemanha e Suíça e que chegou ao Brasil sem intenções missionárias. O fato, porém e que algumas pessoas confundem ou desconhecem é a natureza e a instituição da Igreja Presbiteriana, de maneira especial a que organizou a Igreja de Itapira. O que celebramos não são os 140 anos da presença nem dos protestantes, nem dos presbiterianos em Itapira, pois, é certo e seguro que em muito superam esta data. O que celebramos é a organização institucional, formal, com legalidade jurídica e eclesiástica da Igreja Presbiteriana Central de Itapira, que dentro outros, requer: Coro mínimo para a constituição de uma diretoria, homens civil e espiritualmente capazes para exercer o oficialato da Igreja, capacidade de manter-se financeiramente e de auto propagar-se, ou seja, iniciar novas igrejas com recursos próprios. Isto aconteceu somente em 1874 e só consolidou-se devido às dificuldades próprias da época, mais um surto de febre amarela em 1876. Portanto, a Igreja Presbiteriana só passa a existir no universo protestante incipiente tupiniquim com sua organização formal. Diferentemente da denominação (Igreja Presbiteriana do Brasil) que conta a sua história a partir da chegada do primeiro missionário ao Brasil em 12 de agosto de 1859, porém a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, primeira Igreja oficialmente organizada data de 12 de janeiro de 1862, quando a novel igreja reunia as condições mínimas, já elencada aqui. Por que estes fatos são importantes? Por duas razões básicas: 1. Deus é um Deus organizado. Livre, soberano, porém organizado. A sua Igreja, que é submissa e obediente a Ele e que deve refletir no mundo o caráter de seu criador e Senhor, também deve fazer tudo ordeiramente: “Mas tudo deve ser feito com decência e ordem” ( 1 Co 14.40). 2. O ‘modus operandis’ indica exatamente o propósito dos plantadores da primeira igreja Reformada ou Protestante em Itapira, não servir de capelania para os Europeus e seus descendentes diretos, mas, estabelecer aqui uma “agência permanente de Missões” para abençoar os habitantes da Penha do Rio do Peixe com as graças do Evangelho, e isso não se faz sem organização. Mesmo o livro de Atos dos Apóstolos, escrito pelo evangelista Lucas, onde testemunhamos a poderosa liberdade e espontaneidade do Espírito Santo, desde logo encontramos equipes missionárias formadas com lideranças e enviadas (At 13), Concílios que se reúnem para tratar de questões urgentes (At 15), agendas e planos de viagens corroborados ou não pelo Espírito Santo (At 16). Mas em todo o Novo Testamento encontramos Paulo organizando dons e ministérios nas Igrejas (Coríntios, Romanos e Timóteo e Tito), Pedro igualmente estabelecendo critérios para o serviço: “Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém” (1 Pedro 4.11); “Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir” (1 Pedro 5.2). Assim, quando contemplamos as cartas e constituições das primeiras gerações pós-apostólicas encontramos a Didaquê, a Didascalia Apóstolica, As Tradições de Hipólito e Justino, as Instruções dos Concílios da Antiguidade Cristã, e os escritos dos Pais da Igreja organizando, disciplinando, estabelecendo critérios e formando o “gênio” da Igreja de Cristo como prolongamento da Missão de seu Senhor no tempo e na história. O mesmo acontece conosco presbiterianos de Itapira. Somos três Igrejas pertencentes à Igreja Presbiteriana do Brasil (a pioneira em solo pátrio) e uma Igreja nascida de uma dissidência ocorrida em 1903, chamada Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Somos uma Igreja além de Bíblica, Teocêntrica, Missionária, Adoradora, Reformada (Calvinista), Cristocêntrica, também somos uma Igreja histórica, que pertence a um ramo específico do cristianismo. Igreja histórica, porque já fez história no Brasil, e em mais de 30 países com missionários oriundos de nosso país. Mas também e sobretudo, fazemos parte da história de Itapira e ajudamos a construir no presente esta história. Por isso, o nosso tão grande apreço por anotações em livros de Atas centenários da Igreja, das nossas sociedades internas e de nossos Concílios Superiores. Por isso nosso zelo em registrar efemérides e nossa efetiva participação na construção da cidadania. Não somos um fenômeno oportunista ou inconsequente. Temos a histórica consciência de que nossos primitivos pais há 140 anos desejavam organizar aqui um povo e equipá-lo para que a Penha do Rio do Peixe se rendesse aos pés de Cristo. A história e a luta continuam e as bênçãos de Deus não nos faltam. Soli Deo Glória!

Reverendo Luiz Fernando

É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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