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Itapira, 24 de Maio de 2018
Notícia
22/03/2017 | Luiz Santos: Com Cristo na Cruz

Como cristãos reformados cremos e ensinamos que Cristo foi levantado na cruz em nosso favor e em nosso lugar. Cremos e ensinamos ainda que o seu suplício no madeiro foi vicário, isto é, substituiu-nos e assim, não há mais razão para que nós sejamos crucificados. Ele pagou por nós a pena e assim, do ponto de vista legal, do fazimento da justiça, agora somos inimputáveis nos crimes que ele quitou em sua obediência e em sua morte. Todavia há um aspecto misterioso, porém real, que Cristo não foi sozinho ao madeiro, mas que nós devemos estar lá com ele. É, que depois de salvos, a nossa consciente contrapartida de amor é crucificar-nos com ele em relação ao pecado, às inclinações da carne e às solicitações do mundo corrompido. Isso se traduz num estilo de vida cruciforme, isto é, moldado pela cruz. A primeira dimensão de nosso ser que que devemos crucificar é a nossa mente, a operações de nossa intelectualidade, a nossa escala mental. O orgulho e a soberba são características de uma mente não crucificada. Por meio de sofismas, racionalizações e falácias desejamos dar uma narrativa de auto justificação, autogratificação, procurando isentar-nos de nossas responsabilidades pelas escolhas que fazemos. No Éden, o que antecedeu na Queda de nossos primeiros pais, foi exatamente a busca de uma explicação razoável que sustentasse e fundamentasse a razão para transgredir. Isso ainda acontece hoje quando nossa razão não está crucificada. Passamos a vida tentando validar nossos pecados, nossas escolhas narcisistas, autocentradas, argumentando que fizemos o que fizemos porque era o óbvio, o simples, o possível de se fazer, porque no fundo, nos parecia ‘bem ao paladar’. Junto com a mente, com a inteligência, precisamos crucificar a nossa vontade, os nossos desejos, o nosso coração. Como disse um venerável pai da Igreja, amar não é em si mesmo e nem pode ser pecaminoso. O objeto do amor é que denota se ele é santo ou não. Portanto, o desejo crucificado é aquele que nos impulsiona a amar somente o que é verdadeiro, justo, reto e moralmente bom consoante a Lei de Deus. O desejo crucificado tem a maturidade de discernir e o poder para abster-se, rejeitar e dizer não peremptoriamente àquelas circunstâncias, oportunidades que num primeiro momento reluzem como ouro, parecem trazer em si mesmo satisfação, contentamento e puro prazer. O coração quando crucificado, antes de embarcar nessas circunstâncias, há de investigar, ponderar, confrontar a oportunidade com a vontade de Deus e de antemão, será capaz de conhecer as consequências e será capaz de renunciar, sem o pesar da alma e com santa alegria pela renúncia em vista de algo superior. Quando o coração não está crucificado somos como que marionetes nas mãos de nossos desejos desordenados que nos levam de uma experiência a outra, fazendo-nos colher amargos frutos de frustração. Outra dimensão do nosso ego que precisamos crucificar com Cristo é o da ambição. Existe uma ambição, digamos, tácita, santa, colocada por Deus em nós. É o desejo bom de desenvolver, crescer, frutificar, edificar. Estas coisas são boas e fazem parte da criação estrutural do homem. Mas, a ambição desmedida, que se revela no desejo desmedido por poder, fama, evidência, cuja raiz é o apego ao dinheiro, precisa ser crucificada também. Essa dimensão do nosso ‘eu’ será crucificada quando pela renovação espiritual de nossa mente e circuncisão de nosso coração, compreendermos qual a nossa vocação em Cristo. Quando tomarmos consciência amadurecida de que toda a nossa vida, com os nossos dons naturais, as aquisições intelectuais, artísticas, tecnológicas, financeiras e etc., não nos foram dadas para serem utilizadas por nós como um fim em si mesmas e nem para o nosso exclusivo deleite. O que somos e o que temos são pura graça de Deus para a glória dele mesmo e de maneira especial, para vivermos para o bem-estar, socorro, providência, desenvolvimento e bênção de nossos semelhantes, quer irmãos em Cristo, quer próximos de nós, porque imagem e semelhança de Deus. Subimos à cruz com Cristo na medida em deixamos de viver para o nosso ego, para a nossa autogratificação e passamos a perseguir dois alvos em nossa existência. Um alvo eterno, viver desde agora para a glória de Deus. Um alvo no hoje de nossas vidas, viver a serviço dos irmãos e sendo uma bênção para todos. Crucifique-se!

 

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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