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Itapira, 27 de Novembro de 2021
Notícia
21/04/2021 | Luiz Santos: E daí?

Esta expressão ficou bastante conhecida recentemente no Brasil. Ela representa dentre outras coisas, uma espécie de ‘dar de ombros’, de ‘nem te ligo’ ou ‘e eu com isso?’ Em qualquer caso, talvez essa expressão na minha ou na sua língua, em situações corriqueiras, não passe mesmo de um simples ‘e daí?’ Sem maiores consequências. Entretanto, ela foi vocalizada pelo chefe maior da nação e justamente em um contexto delicadíssimo, como o da pandemia, o que ganhou uma dimensão muito maior, porque lembrou de certa maneira o que fez Pôncio Pilatos, é um lavar de mãos diante de uma responsabilidade intransferível. Mas, não escrevo esta pastoral para recriminar quem quer que seja. Meu desejo é lembrar-nos de que toda a nossa vida deve ser entendida em termos de ‘mordomia’, isto é, de uma administração. A vida nos foi doada como uma dádiva, contudo, não fomos chamados à existência para gastar o tempo aqui, com seus dons, suas bênçãos, conquistas e etc., como um fim para nós mesmos. Não nos bastamos e não existimos para nós, além de seres contingentes, carentes e sempre necessitados de alguma coisa, a vida nos foi concedida com o fim de a vivermos para a glória de Deus. Então, todas as nossas decisões contam, todas as nossas palavras têm peso, todos os nossos projetos têm consequências e mesmo os nossos pensamentos não são inofensivos ou neutros. Não há vacuidade, tudo acontece em um contexto, com um propósito e com consequências inevitáveis. Por isso mesmo, o modo como lidamos com os nossos relacionamentos, o quão somos fiéis aos nossos votos matrimoniais, como nos dedicamos à educação e a formação de nossos filhos, o quanto somos leais aos nossos amigos, como tratamos com respeito os que discordam de nossas ideias, têm grande valor. Não dá para olhar para a dinâmica da vida e quando as coisas não saem conforme o nosso desejo, dizer: e daí? Não é possível negligenciar as nossas responsabilidades ou não agir com o zelo requerido, e dar de ombros, virar as costas ou descolar-se dos fatos. O ‘e daí?’ não cola o tempo todo. E por que não? Porque como a vida não nos pertence em sentido absoluto e a vivemos como mordomos, deveremos prestar contas da nossa existência aqui. Jesus mesmo nos ensinou esta verdade de muitas maneiras, cito duas: “Pois será como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. A um deu cinco talentos, a outro deu dois e a outro deu um, de acordo com a capacidade de cada um deles; e então partiu. O servo que tinha recebido cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que tinha recebido dois ganhou outros dois. Mas o servo que tinha recebido um talento, saindo, fez um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. — Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e fez um ajuste de contas com eles” (Mt 25.14-19); e ainda: “Mas eu lhes digo que, no dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado” (Mt 12.36) cito Paulo também para encerrar a questão: “Pois todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio do corpo, quer sejam boas quer sejam más” (2 Co 5.10). As Escrituras não deixam dúvidas, nossos atos e nossas palavras não são inconsequentes, não há como transferir a responsabilidade por nossa administração e fingir não se importar é uma outra maneira de demonstrar desprezo por aquele que nos chamou à existência para sermos partícipes da sua vida e de sua felicidade, Deus. A pandemia em si nada tem a nos ensinar, a não ser o fato de que não estamos no controle e nem somos os senhores de coisa alguma. Mas, não quer dizer que não podemos aprender nada da ocasião e do contexto e se há uma lição a ser apreendida é que o ‘e daí?’, não é a solução, não é a resposta adequada, não faz jus ao propósito do Senhor para a nossa vida e não nos leva a possuir um sentido do porquê estamos aqui.  No contexto da pandemia podemos rever a nossa administração e seguramente, corrigir. Podemos recolocar o outro no centro das nossas preocupações e ocupações. Podemos e devemos corrigir o senso de responsabilidade pelo bem-estar geral do próximo. É uma ocasião propícia para dar o devido valor à família, à vida no lar, aos amigos. É uma hora momentosa para demonstrar amor mesmo aos ‘inimigos’, passar a enxergar os invisíveis da sociedade com comprometida caridade e, em fim, dar a devida importância às ‘coisas de Deus’, o culto comunitário, o apreço pelos santos, a compaixão pelos pecadores e o incomensurável desejo de atingir o alvo desta vida, conforme ensina o Breve Catecismo de Westminster: Pergunta 1. Qual é o fim principal do homem? Resposta: O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre. Referências: Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3.

Reverendo Luiz Fernando é pastor na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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