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Itapira, 30 de Maio de 2020
Notícia
24/03/2020 | Luiz Santos: E o que será depois?

Nossa geração seguramente nunca passou por um momento assim. Não estamos acostumados a certos tipos de restrições e privações. Há toda uma faixa etária da população, inclusive, que nem mesmo chegou a conhecer as dificuldades econômicas do nosso país, como a inflação galopante, por exemplo. Nos acostumamos às facilidades das conquistas econômicas e tecnológicas e não fomos preparados para enfrentar, com ânimo sereno, as contrariedades impostas por essa pandemia. Muito embora, por todas essas conquistas agradeçamos a Deus, também constatamos o quanto estamos mimados, pirracentos e egoístas. Quanta demora e estranheza por parte de muitos de nós em acatar as orientações das nossas autoridades de saúde, quanta irresponsabilidade e negligência no que diz respeito ao necessário isolamento social. Verdadeiramente, a nossa vida autocentrada, que orbita o nosso umbigo e que não faz enxergar para muito além do nosso nariz, pode colocar em perigo ou no mínimo, retardar a volta da tão desejada normalidade da vida. Mas, em especial nós os cristãos, apesar de sermos filhos também dos nossos dias, não deveríamos jamais sentir tanto incômodo e abatimento pelas limitações impostas pela COVID-19. Primeiro, por sabermos que há um propósito divino por trás dessa pandemia que a nossa mente nunca alcançará, mas que há, há. Segundo, porque Deus está exercendo seus justos juízos e isso começa no meio do seu povo: “Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus; e, se começa primeiro conosco, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? (1 Pe 4.17). Terceiro, porque sofrer faz parte das bênçãos que recebemos: “Pois a vocês foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Fp 1.29) e por último, porque nunca nos faltam as forças necessárias em nossas privações: “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Sendo assim, resta-nos entender o que podemos lucrar desses dias de tribulação e não podíamos deixar de citar mais uma vez as Sagradas Escrituras: “Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança” (Rm 5.3,4). Nós, povo de Deus, não podemos desperdiçar esses dias, temos que aprender com eles, temos a obrigação de investigar as Sagradas Escrituras e buscar conhecer a vontade de Deus por meio da oração porque o importante não é só como nos comportar agora, mas o que será depois, como vamos recomeçar quando, pela bondade de Deus, a epidemia se for. Não pensemos que vamos recomeçar tudo de onde paramos. Em certo sentido, muita coisa não será a mesma, e isso pelo simples fato de que muito do que perdermos não será possível recuperar. Por exemplo, na economia e em outros setores, 2020 já era, dizem os economistas. E o que dizer de muitos pequenos e médios empreendedores e seus funcionários? Qualquer sinal de recuperação, somente em 2021. O cenário geral será de recomeço, de começar o ano de 2020 de novo. Mesmo as nossas comunidades eclesiais, em certo sentido, perderemos durante um tempo a frequência dos idosos, dos mais fracos na fé, dos que estavam se aproximando de nós, dos projetos que estávamos apenas no início de suas implementações. Tudo parou, estagnou, voltou atrás. De onde tiraremos forças para desbravar esses novos dias de recomeço, em que momento daremos a devida atenção para reunir as energias necessárias para tocar a vida para frente? Bom, como escrevo na condição de pastor e a maioria dos meus leitores são crentes, claro, sempre tenho a intenção de abençoar a todos indistintamente, só posso lembrar-lhes que estamos sob o cuidado e o controle de Deus. Esse cuidado e esse controle tem a ver com os meios favoráveis que Ele mesmo dispõe para esse tempo. Esse ‘aquartelamento’ forçado tem a ver com o ambiente de um quartel mesmo. É um tempo para receber as orientações e as instruções para o que vem a seguir. Por isso, aproveite esse tempo de ficar em casa para: 1. Consertar e aprofundar a sua vida pessoal com Deus, dedicar-se a Ele e se comprometer com a missão dele. Ore e ore muito; 2. Cuidar da sua família e ressignificar a sua relação com cada membro, valorizar cada presença, sentir cada ausência e demonstrar o quanto você os aprecia e o quanto a sua vida é mais rica na companhia deles, o amor ao próximo começa em casa. 3. Leia a Bíblia. Leia com mais frequência. Aproveite para fazer algum plano de leitura ou estudo. Leia bons livros doutrinais e devocionais. Recupere-se do tempo que você beirou o ateísmo prático, de tanto indiferentismo demonstrado nessas coisas. 4. Esteja preparado para colocar os seus dons e talentos a serviço do Reino no mundo. Cristo quererá contar com a sua cooperação e a sociedade dependerá da sua atuação responsável. Cuide-se. Passados esses dias, que estejamos tão abastecidos de graça que não nos faltará entusiasmo e vigor para continuar peregrinando.

Reverendo Luiz Fernando é pastor na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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