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Itapira, 30 de Setembro de 2020
Notícia
07/03/2017 | Luiz Santos: Espere Israel pelo Senhor

Os dias em preparação para a Páscoa trazem consigo o apelo para o aperfeiçoamento de nossa santificação, um incremento quanto ao nosso estado permanente de conversão. Claro, existe aquela conversão fundamental que é o nosso novo nascimento, a mudança da natureza de nosso coração e a vida nova que é implantada em nós, agora na condição de filhos. Mas, existe um aspecto da conversão que deve permanecer ativo em nós, é a nossa luta consciente contra pecados, vícios, manias e um estilo de vida ainda marcado e influenciado pelo mundo e pela presença do pecado. Também podemos chamar isso de santificação progressiva, que é uma noção mais evangélica e mais positiva, todavia, não excluindo esta outra de conversão contínua ou permanente. Assim, um período de confissão, arrependimento, abandono do pecado e emenda de vida será sempre necessário em todo tempo e lugar e porque não, também em nossa preparação para uma proveitosa celebração da Páscoa da Ressurreição do Salvador Jesus. Para isso, a leitura e a meditação do Salmo 130, poderá ser útil e proveitosa para a alma abatida. O Salmo 130 é considerado o sexto, de sete, salmos penitenciais registrados na Bíblia Sagrada (9; 32; 51; 102; 130 e 143). A tradição litúrgica da Igreja, seguramente herdada das liturgias judaicas, sempre cantou e orou este salmo nos fortes momentos de contrição e de confissão de pecados. Agostinho tinha tão grande apreço por este salmo que mandou escrevê-lo no teto de seu quarto durante o período de sua enfermidade que antecedeu a sua morte. Nele meditava e com ele se preparava para o encontro definitivo com o seu Senhor. O Salmo 130 era também o salmo preferido de Martinho Lutero que o lia pelo menos três vezes ao dia, mesmo depois de ter se encontrado com a graça justificadora de Cristo. O homem que compõe e ora este salmo é alguém que chegou ao âmago de seus problemas, descobriu as raízes mais profundas de todos os seus infortúnios e o seu dilema essencial, o pecado. De todas as opressões, depressões e instabilidades que um homem possa passar em sua alma e em sua mente, nenhuma realidade pode jogá-lo em um poço mais profundo que o pecado. O pecado é aquela força destrutiva e cruel que pela sensação de culpa, de vazio existencial, medo e alienação arrasta o homem para a mais terrível das depressões, jogando-o no poço escuro da desesperança e o faz sentir na boca o gosto amargo da morte. No fundo desse poço não há escape e saída possível para o que nele está. Ninguém, nenhum outro igual a ele em vulnerabilidade e fraqueza pode socorrê-lo. Ainda que sejam sempre bem vindas palavras de encorajamento e ânimo, palavras de autoajuda não produzem efeitos eficazes. Contudo, há sempre saída e esperança para o cristão que clamar por misericórdia. Deus, ao contrário do que muitos ensinam, não é um contabilista ou apontador de nossos pecados. Ele não possui um caderninho preto com uma listinha negra onde estão anotados os nossos pecados. Deus é misericordioso e se compraz em exercer misericórdia sobre os que o invocam, nele confiam com sinceridade e por ele esperam como a única solução possível. Quando clamamos por ele em nossa alienação, baixeza e depressão, não importa a profundidade do poço, nem a sua escuridão e fedor. Deus em Cristo desce e estende a sua mão resgatadora para nos libertar. Esta é a ajuda do alto, ajuda que não falha, não tarda e é sempre salutar e abundante. Quando clamamos e por ele esperamos, somos não só resgatados, mas limpos, restaurados e colocados sobre firmes e planos alicerces para caminhar. Deus não se recorda dos nossos pecados quando confessados e abandonados. Não os leva em conta, nunca nos joga na face o mal outrora cometido. Contudo, essa verdade não pode ser usada levianamente como justificativa ou desculpa para uma vida negligente e remissa na santificação progressiva. Nunca devemos tomar levianamente a bondade de Deus. Devemos evitar caminhar perigosamente à beira do poço, flertando com o pecado ou sendo insensíveis com a presença e a influência dele em nosso redor e mesmo em nós. O Salmo 130 deve levar-nos à odiosidade do pecado, ao temor de Deus, ao compromisso com nossa santidade pessoal e a uma vida de gratidão ao Deus e Pai das misericórdias.

Rev. Luiz Fernando é Ministro na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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