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Itapira, 02 de Dezembro de 2020
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24/02/2015 | Luiz Santos: Fazei penitência!

 “Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento". (Lc 5.32)

Os católicos romanos, os cristãos ortodoxos e orientais, os anglicanos, luteranos e um exíguo número de reformados vivem um tempo forte de espiritualidade cuja penitência ocupa um lugar de destaque. A nossa cultura e postura anticatólica nos leva a uma desconfiança, se não, a uma perspectiva negativa e jocosa do tempo da quaresma. Muito desta desconfiança tem razão de ser devido às muitas grosseiras superstições e idolatrias que povoam o catolicismo popular. Todavia, fazer penitência não deveria ser um tema que causasse estranheza ao cristão evangélico.

Penitência nada mais nada menos quer dizer arrependimento, conversão, volta. É a expressão latinizada e correspondente do vocábulo grego mentanoia, com iguais significados já mencionados. A Bíblia, do começo ao fim, é um dramático clamor à penitência. Quase não há livro ou personagem das Escrituras onde uma história, narrativa, acontecimento, ensino, doutrina ou celebração não convide graciosamente ou convoque de maneira imperiosa ao arrependimento.

O próprio Senhor Jesus pregou a penitência: “Daí em diante Jesus começou a pregar: "Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo" (Mt 4.17); "O tempo é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! " (Mc 1.15); e em seu nome a penitência foi proclamada: “e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24.47).

Os apóstolos também fizeram tal convocação: “Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados” (Atos 3.19); “Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo” (Atos 2.38); “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

Existem muitos outros textos comprobatórios desta doutrina do arrependimento nas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que em cada contexto preciso, expressa sempre a mesma necessidade de penitência, de abandono dos vícios e pecados, de reparação do mal feito, de emenda de vida e sobretudo da declaração de que Deus é Justo e Santo.

Martinho Luthero disse que toda a vida do cristão é uma quaresma, não só os quarenta dias que antecedem a Páscoa, mas toda a vida vivida na carne é uma luta contra o mundo, a carne, o diabo e todas as influências desta era caída que militam contra o cordeiro de Deus e seus discípulos. Portanto, o cristão deve estar num estado permanente de vigília, de oração, de escuta e leitura atenta das Escrituras. Deve continuamente confessar-se perante Deus e implorar seu perdão, deve cultivar uma prática salutar e equilibrada dos jejuns e etc.

Evidentemente que tudo deve ser feito com espírito de graça, devotamento, amor e busca sincera de progresso e vida espiritual na intimidade do Senhor. E, mais ainda, tudo deve ser feito com a orientação do Espírito Santo e com critérios bíblicos a fim de não cairmos num farisaísmo disfarçado de piedade e menos ainda tropeçarmos num semi-pelagianismo o que seria desastroso para as nossas lamas.

Todavia, não há um tempo específico, não há uma estação litúrgica mais apropriada. Não existem tempos fortes. “Se hoje escutardes o Senhor, não endureçais o coração” (Sl 95) e ainda: “Este é o dia em que o Senhor agiu; alegremo-nos e exultemos neste dia” (Sl 118.24). Em todo tempo devemos investigar o nosso coração e em todo tempo devemos voltar para mais perto de Deus de quem nos separamos pela contumácia da desobediência e por nossa condição ainda influenciável pelo pecado.

Com isto não quero dizer de maneira categórica que não há serventia alguma e um tempo de dedicação, não! Os tempos litúrgicos, se bem utilizados, podem e devem servir de pedagogia para caminharmos com mais inteligência pelas Escrituras e valorizando, aprendendo, usufruindo e proclamando os eventos que importam em nossa salvação.

Levemos a sério o clamor do profeta: “Deem fruto que mostre o arrependimento!” (Mt 3.8).

Reverendo Luiz Fernando

É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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