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Itapira, 21 de Novembro de 2018
Notícia
16/10/2018 | Luiz Santos: Ide Evangelizar os ‘Evangelizados’

Parece estranho o título desta pastoral, mas não deveria, de fato, sob nenhum aspecto. Os crentes salvos em Cristo também precisam ouvir constantemente o Evangelho. Há uma certa arrogância escamoteada entre os santos de que uma vez salvos, não precisam mais ouvir a mensagem salvadora do Evangelho. Dizem que tudo o que precisam é de edificação, doutrina, ensinos práticos. Concordo que a edificação, a doutrina e ensinos que nos levam a um viver ético sejam indispensáveis no ministério da igreja, se não, jamais teríamos crentes maduros, despertados e engajados vocacionalmente. Entretanto, entre os evangélicos, por mais estranho que possa parecer, é difícil encontrar irmãos que saibam expor com clareza do que trata o Evangelho. Muitos mesmo nem sabem por onde começar e quando o fazem, descrevem o Evangelho quase como que um apêndice à vida daqueles que já são bons por natureza e que só lhes falta crer para serem melhores do que já são. Na verdade, é como se dissessem: “Você vive muito bem sem o Evangelho. Tem uma vida boa, uma família linda e um bom emprego. Para a sua felicidade ser completa, você só precisa crer”. Mas, na verdade, o Evangelho é a suprema necessidade do homem. Sem o Cristo anunciado no Evangelho, tudo o que o homem tem é ilusório. Sua vida caminha a passos largos para a sua ruína e sua família, ainda que pela graça e misericórdia de Deus, nunca venham a cometer pecados públicos com ressonâncias sociais, ainda sim caminham a passos rápidos para o inferno. E o que dizer de muitos cristãos que vivem como ateus práticos todos os dias? Confessam Jesus como Senhor, mas de uma extensão muito diminuta de suas vidas. Talvez Jesus seja Senhor de sua dimensão religiosa e nada mais. Passam a vida inteira tomando decisões, mudando de emprego e igreja, começando e terminando relacionamentos, comprando e vendendo sem consultar o Senhor que é Senhor de tudo. Esse ateísmo prático revela como é possível ‘ser cristão’ e ainda viver estribado em justiça e conhecimento próprios. Como é possível orar e ainda sim fazer planos e executá-los à parte da vontade de Deus. O Evangelho é antes de tudo o anúncio da graça aos desgraçados. É o anúncio da misericórdia aos miseráveis. É a oferta gratuita de perdão a pecadores inveterados. Isto significa que a nossa maneira de viver antes deste anúncio era falida, desesperançada, ilusória, enganadora e no fim de tudo, infeliz. Significa ainda que, agora que ouvimos o Evangelho e nele cremos pela fé que o Espírito Santo produziu em nós, esse Evangelho deve continuar reverberando dentro de nós para que não esqueçamos jamais a nossa insuficiência e a nulidade de nossas obras e esforços. Crentes maduros na fé apreciam a doutrina, desejam o ensino da Palavra que possa ser traduzido em um viver santo e ético, mas necessitam ouvir sempre e de novo a pregação do Evangelho. O convite ao arrependimento deve ser constante. O chamado para abandonar as obras infrutíferas das trevas e a romper com o curso desse mundo caído deve renovar-se em cada pregação. O imperativo para crer e depositar a fé em Cristo somente e da sua graça somente esperar qualquer bênção deve ser um comando natural cada vez que as Escrituras são expostas. O crente deve ser apresentado ao evento da Cruz, Cristo crucificado deve ser anunciado recorrentemente dos púlpitos para que ninguém viva levianamente em pecados de estimação, esvaziando as dores do Calvário, contando com uma misericórdia barata. Evangelizar os evangelizados significa submeter os crentes, e não importa o tempo de ‘casa’ ou o ofício que exerce, a um discipulado permanente. Todos os cristãos devem ser ensinados a crucificar a sua vontade em obediência. Crucificar a sua inteligência em submissão. Crucificar o seu corpo em casta santificação. Crucificar os seus bens em generosa mordomia. Devemos deixar para trás a ‘criancice’ e a imaturidade, nunca a ‘infância’ espiritual. Isto é, não podemos nos tornar sofisticados demais, culturalmente exigentes demais que sejamos incapazes de acolher o Evangelho em sua desconcertante simplicidade, um chamado à uma vida centrada em Cristo, na pureza do coração. Um chamado a amar os inimigos e a demostrar bondade a todos. A viver pela fé, dependendo da graça, desconfiando dos próprios méritos tendo como meta de vida a glória de Deus.

Reverendo Luiz Fernando Dos Santos é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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