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Itapira, 24 de Maio de 2018
Notícia
20/02/2018 | Luiz Santos: Igreja: A humanidade restaurada

O conceito de Igreja constitui um verdadeiro desafio para a Teologia de todos os tempos. Não raras vezes somos levados a uma consciência bastante limitada, míope e descaracterizada do que é a Igreja no drama da redenção. Facilmente limitamos a nossa compreensão em termos de organização, instituição e funcionalidade. Definimos a igreja em categorias sociológicas, políticas e do ponto de vista do que ela faz que a distingue das demais realizações humanas. A tentação constante ao longo da história é a própria igreja esquecer e até renegar a sua identidade e natureza. Antes de qualquer outra coisa, precisamos redefinir o que é a Igreja dentro do plano de Deus a partir do Antigo Testamento. Deus formou a humanidade para o louvor de sua glória. O Senhor criou o homem e a mulher a fim de que esses desfrutassem de um relacionamento abençoado com o Criador e que esta bênção desfrutada pudesse ser espargida por toda a criação. Mas, o homem não quis viver nessa relação que envolvia obediência, gratidão e amor e se negou a ser o distribuidor das dádivas de Deus. Depois da Queda e da rebelião, Adão e Eva já não desejam a amizade e a comunhão com Deus, por isso se escondem. Deus se antecipa e não obstante ser Ele o ofendido pelo pecado, por meio de promessas e alianças oferece outra vez amizade à humanidade caída. Todavia, o que a Bíblia relata é que a animosidade da parte do homem para com o seu Deus só aumentou e ao invés de espalhar a bênção da relação, a humanidade espalhou a maldição da inimizade. Desse modo, o homicídio, a agressão à natureza, a violência, a arrogância e toda sorte de torpeza se espalharam pela face da Terra. De Gênesis 1 a 11, cinco vezes a palavra maldição aparece nos relatos bíblicos e por duas vezes Deus pune o mal, no dilúvio e o episódio da Torre de Babel. Em Gênesis 12, ao escolher Abraão, Deus “retoma” o seu projeto de longo prazo para restaurar a natureza, a cultura humana e a humanidade em um relacionamento redentor e abençoado consigo. Ao eleger Abraão como seu amigo e abençoado, Deus tinha em mente abençoar todos os povos da Terra, representado nas nações que foram espalhadas em Babel. Na eleição de Abraão um novo povo é formado, a humanidade é restaurada em esperança. Esse povo é o lugar onde Deus inicia a sua obra de restauração de todas as coisas para o louvor de sua glória. Esse povo no Antigo Testamento é Israel. A Israel o Senhor concedeu graciosamente grandes privilégios em forma de promessas, bênçãos e na dádiva da Lei Moral. Através de ritos, festas e cerimônias Deus tanto educava Israel para um relacionamento correto e saudável, quanto expunha esse povo à vista das nações a fim de que Israel testemunhasse de modo atraente essa nova vida sob a bênção e os cuidados de Deus. Esse testemunho era ao mesmo tempo um convite para que as nações abandonassem os seus ídolos mortos e escravizadores e entrassem na alegria da amizade com o Deus Vivo de Israel e na liberdade gozassem dos mesmos privilégios e das mesmas bênçãos. Contudo, Israel falhou constantemente em não saber desfrutar das bênçãos e ceder à sedução dos ídolos, e quase nunca, quis intencionalmente compartilhar seus privilégios e suas bênçãos. A história de Jonas é a dramatização dessa verdade. Mas Deus nunca desistiu de seu projeto de recuperar a criação inteira e a vida da humanidade da devastação do pecado. As promessas feitas a Abraão se cumprem plenamente em Cristo. Nele e em sua obra realizada na cruz, uma nova humanidade é formada. Uma humanidade perdoada, regenerada, adotada como filha e recebida na plena comunhão com Deus. Essa nova humanidade, iluminada, equipada e comissionada com privilégios, promessas, bênçãos e a presença constante do Espírito Santo é a Igreja, o verdadeiro Israel de Deus. Desse modo, a Igreja é a comunidade que experimenta em vida o poder da obra renovadora de Deus, e desse modo, encarna a salvação abrangente e restauradora do Reino em favor do mundo. A igreja é o povo que porta a bênção para dela desfrutar e poder distribuí-la a todos os outros povos da Terra. Nosso maior desafio então, não é ir a algum lugar e pregar e nem realizar uma atividade específica, dando a isso o nome de missão. Nosso maior desafio é viver distintamente à maneira de Deus, andando nos caminhos do Senhor em justiça e misericórdia, bem à vista das nações, como modelos daquilo que Deus quer para a humanidade. A Igreja é a exposição pública, bem à vista do mundo, daquilo que o Senhor intenta fazer com a humanidade e a criação na consumação dos tempos. O projeto de Deus já está em curso e muito do que será a humanidade futura pode (deve) ser encontrado na Igreja que é o ‘já e o ainda não’ dos novos céus e da Nova Terra. Que o mundo encontre na igreja vestígios saudosos do paraíso perdido e a esperança atraente da vida futura com Deus.

Rev. Luiz Fernando é Ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

 

Fonte: Luiz Santos

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