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Itapira, 20 de Abril de 2019
Notícia
06/02/2019 | Luiz Santos: Mortificação: O mundo vencido em nós

Existem muitas palavras da nossa língua portuguesa que aos poucos vão entrando em desuso ou tem o seu significado modificado. Alguns exemplos para ilustrar: ‘1) Quiprocó: Não faz ideia do que isso significa? Saiba que você provavelmente já passou por uma situação de quiprocó: a palavra significa "confusão", por exemplo, "Hoje eu vi um quiprocó no mercado". 2) Chumbrega: Achou alguma coisa feia ou estranha? O que hoje você chama de cafona, a sua avó chamava de chumbrega durante a juventude. 3) Sirigaita: Sirigaita é uma das piores ofensas que uma moça do século passado poderia ouvir. Ao chamar uma mulher de sirigaita, uma pessoa queria dizer que ela era mal-educada e tinha atitudes constrangedoras. Existia ainda a palavra 'lambisgoia', que seria o equivalente ao que hoje muita gente chama de 'piriguete'. 4) Carraspana: Saiu para beber com os seus amigos a noite toda e só voltou de manhã? Nesse caso, você viveu o que antes se chamava de uma carraspana e hoje é conhecido apenas como uma bebedeira mesmo ou manguaça’. Houve um tempo que essas palavras estavam na boca do povo e todos sabiam exatamente como aplicá-las. Também na linguagem da fé ou da espiritualidade algumas palavras tendem a desaparecer, contudo, não sem prejuízo para a saúde espiritual e o reto entendimento da vontade de Deus. Mortificação é uma dessa palavras, está cada dia mais difícil de ser encontrada nos púlpitos e na literatura cristã contemporânea. Na verdade, tudo na igreja hoje em dia parece ser planejado para que a palavra mortificação não faça mais sentido e seja ultrapassado o seu conceito entre os crentes. Tudo parece ser pensado para o bem-estar do adorador. A igreja se planeja para agradar mais o adorador do que o adorado. O critério pelo qual uma comunidade ou um culto público é avaliado não tem a ver com o que é verdadeiro, piedoso, bíblico, edificante ou santo. O critério preponderante é: Aqui eu me sinto bem! A exacerbação desse conceito é exatamente o esvaziamento da prática da mortificação. Em um ambiente onde tudo é projetado para que ‘eu me sinta bem’, é um ambiente onde tudo é pensado para que nenhum sacrifício, renúncia, abstenção e etc. seja necessário. Contudo, a nossa vida espiritual e a nossa vitória sobre o mundo dependem da nossa mortificação e da derrota do “velho homem” que ainda milita em nosso corpo mortal. O Apóstolo Paulo ensina insistentemente que o cristão deve mortificar-se para ter uma vida abundante com Cristo: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês” (Cl 3.5); “Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão” (Rm 8.13) e ainda: “Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo” (1Co 9.27). Estes textos das Escrituras não deixam dúvidas, se não fizermos morrer as inclinações de nossa natureza carnal, certamente pereceremos em nosso combate contra o pecado. E, concretamente, como o cristão vive a mortificação? Primeiro, mortificação é o estilo de vida próprio do discípulo de Cristo. Não é uma atividade esporádica, sazonal, que o cristão deve praticar quando tem vontade ou quando quer dar um “up” na sua relação com Deus. É na verdade um estado permanente, diário, custoso, com auxílio da graça e dos meios de graça, mas sacrificial. Segundo. Mortificação é o ato de parar de alimentar o homem velho com as coisas que o mantém, ferido de morte, mas ainda vivo em nossa carne. Mortificar significa fazer o ‘Adão’ que vive dentro de nós passar por seríssimas privações. É não deixar que ele tenha acesso à pornografia, bebedeiras, conversas cheias de profanidades, companhias indevidas e frequentar para o entretenimento e o prazer lugares inapropriados ao cultivo das virtudes. Terceiro. Mortificar é o ato, com o auxílio da graça, de abandonar consciente e intencionalmente o pecado e tudo que possa sugestioná-lo. Assim, o cristão mortifica-se na medida em que procura abandonar os vícios e as dependências de toda sorte, bebida, fumo, mentira, autoelogio, relacionamentos indevidos e doentios, jogos de azar, ambições desmedidas e o amor pelo dinheiro. Recusar-se a ouvir uma fofoca. Negar-se a passá-la à frente. Evitar a todo custo o espírito de criticismo e as formas depreciativas de tratamento pessoal. Mortificar-se, significa em quarto lugar, o deliberado cultivo das virtudes, como o desenvolvimento do fruto do Espírito, praticar atos de misericórdia, socorrer os necessitados, dar bons conselhos, consolar os abatidos e claro, imitar a Cristo em uma vida piedosa com o Pai e de amor serviçal para com os irmãos. Mate o homem velho que ainda vive em você ou ele pelo pecado o matará. O mundo, a carne e o diabo nada podem contra os mortos na carne e vivos no Espírito.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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