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Itapira, 17 de Agosto de 2018
Notícia
29/05/2018 | Luiz Santos: O Combustível da Fé

A crise gerada pela falta de combustível dos últimos dias provocou o caos em muitas cidades. Muita gente ficou impossibilitada de cumprir com os seus deveres, outros não conseguiram executar o que estava planejado há meses, mesmo que fosse um simples passeio. Sem falar que alguns serviços essenciais, se não ficaram totalmente parados, muitos tiveram a sua rotina e a sua prestação de serviços prejudicados. Claro, que a minha intenção aqui não é entrar no mérito dessas questões, que ainda me pareça um tanto difícil de compreender, dada a complexidade dos atores envolvidos e das reais motivações nem sempre explícitas. Todavia, há uma comparação que pode ser feita aqui. O desabastecimento de combustível teve desde logo um efeito cascata que levou os seus efeitos deletérios a todos os setores da vida comunitária. Grandes empresários, prestadores de serviços e gente comum se viram de repente com as suas vidas e agendas “emperradas”. A vida sem oração também tem um efeito em cadeia que afeta todas as áreas da vida de um cristão. A oração, em certo sentido, é um combustível para a vida de fé e piedade. Sem oração não há a produção do fruto do Espírito e nem se cresce nas virtudes. Sem oração, a prática do amor fraterno fica comprometida, não há real interesse e nem solidariedade para com o próximo. A falta de oração provoca frieza e desinteresse pelos irmãos. Onde a oração inexiste, inexiste também coragem e engajamento na luta por justiça social, defesa da vida e promoção da dignidade humana. Sem oração, nos tornamos pessoas autocentradas, ensimesmadas, orgulhosas, avarentas e ingratas. A oração é uma confissão de fraqueza da nossa parte. Sim, oração é coisa de pessoa fraca, que reconhece a sua contingência e a sua dependência de Deus, só os fracos oram! Quando nos colocamos em oração, entramos numa relação de intimidade e quanto mais íntimos ficamos, mais assimilamos as virtudes e o caráter daquele a quem nos dirigimos em nossas preces. Assim, por proximidade e familiaridade a oração faz com que o amor de Deus, sua bondade, justiça, santidade influenciem de maneira transformadora a nossa alma e a nossa mente a ponto de influenciar decisivamente a nossa ética e o nosso estilo de vida. Na oração somos antes de tudo acolhidos por Deus assim como somos e estamos, o que nos ensina a acolher e a nos interessar por quem de nós se aproxima. Deus nos ouve atento e interessado em nossas petições, o que nos ensina também a investir tempo e, respeitosamente em atitude de amor, interessar-nos pelas demandas do próximo, sem julgamentos ou pressupostos. Deus nunca atende um pedido feito a Ele cujo fim será uma causa injusta ou a negação da justiça. Assim, aprendemos que um homem de oração é alguém que não suporta a injustiça e de justiça tem fome e sede. Onde houver uma oportunidade de engajamento na luta por justiça social, melhoria da vida dos pobres, serviço de promoção e libertação dos vulneráveis e testemunho do Evangelho em forma de resgate social e defesa da vida, ali estará um homem de oração. Mas, há outros tantos benefícios de uma vida disciplinada de oração. Quem ora, organiza melhor o dia e a agenda. A oração nos ajuda a dar prioridade às coisas primeiras e, ao mesmo tempo, dar o devido valor a cada realidade a ser vivida. A oração combate a ansiedade e o pessimismo porque traz esperança e paz ao coração. Combate também o estresse e a fadiga porque devolve serenidade e refrigério para a mente e para o corpo. A oração devolve a alegria e o sentido da vida porque nos dá a conhecer as coisas essenciais e a viver por elas. A oração nos impede de ter falsas expectativas quanto às pessoas, às circunstâncias e aos rumos últimos da história, fonte da maioria de nossos dissabores. Contudo, orar não é uma tarefa das mais fáceis. Nem sempre estamos com disposição física, mental e espiritual para orar. Mas, orar é também um exercício e um ‘condicionamento’. Requer tempo, disciplina, insistência. Na verdade, os puritanos ensinavam que devemos orar até termos vontade de orar. O que significa, que precisamos de certa maneira ‘violentar’, forçar a nossa vontade e o nosso tempo para dar ocasião e espaço para a oração. Sem a oração a fé definha, a esperança morre, o amor esfria, as relações se conturbam, a agenda emperra, a vida se problematiza. A oração é o combustível da fé e da felicidade. Abasteça o tanque da sua alma com a oração.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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