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Itapira, 21 de Novembro de 2018
Notícia
06/11/2017 | Luiz Santos: O Éden, a Igreja e o Lixo

Enquanto escrevo esta pastoral, segunda-feira, 06 de novembro, o assunto que domina a cidade de Itapira é o projeto de Lei que cria a taxa de coleta do lixo. Certamente uma questão espinhosa, que provoca as mais diversas e apaixonadas reações de todos os lados. Gostaria de tratar desse assunto nessa pastoral à luz da Teologia Bíblica Reformada. Muitos se perguntam e alguns me perguntam, ‘por que raios a Igreja Presbiteriana Central de Itapira se interessa por um assunto desses?’ Resposta, porque quando lemos as Sagradas Escrituras, nós presbiterianos, descobrimos que a Bíblia não reconhece qualquer dualismo ou dicotomia da realidade. Para as Escrituras, não existe tal coisa como sagrado e profano, religioso e secular. O mundo inteiro, toda a ordem criada pertence a Deus. Jesus Cristo não é só o cabeça da Igreja e seu Senhor, Ele o é também da criação. Tudo foi feito por meio dele. Tudo é para Ele e para Ele são todas as coisas. Logo, não existe de maneira legítima um assunto que os cristãos não devam se interessar, primeiro para a glória de Deus, depois para o desenvolvimento e a plena realização do homem e da criação. Jesus Cristo mesmo no Evangelho instruiu aos seus discípulos dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, isto é, temos deveres e responsabilidades que são devidas exclusivamente a Deus, como a entrega total do coração em submissa e amorosa obediência e adoração. E temos deveres e responsabilidades justas e legítimas para com o Estado e a comunidade na qual estamos inseridos. Impostos, respeito, interesse pela coisa pública, ativismo político e engajamento social. Como cidadãos do Reino dos Céus, somos convocados a exercer boa cidadania também na Terra.  Especificamente sobre o nosso interesse no lixo, a Igreja Presbiteriana Central de Itapira é uma parceira da ASCORSI. Participou ativamente da elaboração de projetos em parceria com a Petrobras e Ambev, por exemplo, e ajudou na elaboração de projetos de lei para o município.  Na área mais próxima daquilo que pode e deve contribuir participa do resgate, socorro e promoção da dignidade humana dos associados, quando para isso solicitada.  Nosso interesse não é político-partidário. Não estamos atrelados a nenhuma plataforma ou programa de governo. Nosso interesse, por mais surpresa que possa causar, se fundamenta em nossa leitura da Palavra de Deus. Lá, especificamente nos primeiro capítulos de Gênesis, encontramos o projeto fundamental da criação do homem, criado para glorificar a Deus e participar de sua alegria indizível. Recebeu ainda o homem a ordem de cuidar do Éden, fazer o jardim desenvolver-se e prosperar. Essa ordem recebe na Teologia Reformada o nome de ‘Mandato Cultural’ que mesmo depois da Queda (do pecado), continuou e continua em vigência. Então, sim, nosso interesse pelo lixo é uma questão teológica, tem fundamento bíblico e devemos ser obedientes também aqui. Mas, evidentemente, a Igreja é um ente social e tem atuação no estrato social e por isso, sua ação é também entendida em termos políticos, qual seja não a atuação partidária, menos ainda a aspiração ao poder e sim, práticas que promovam o bem comum. Como uma instituição que atua com outros atores sociais, não é de se estranhar que a Igreja também se sinta responsável pelo próprio lixo que produz. Por isso mesmo, a comunidade eclesial deve participar de maneira consciente e transformadora também nessas questões que envolvam a educação para a destinação correta do lixo por parte de todos e especialmente fiscalizar e acompanhar, como bons cidadãos, aqueles que administram todo o processo por nós e em nosso nome. Logo o lixo também faz parte da pauta de assuntos de um sermão dominical ou estudos bíblicos. Assim como os temas da conversão, perdão, santificação, piedade, oração, cruz, sofrimento, vida eterna, políticas públicas que envolvam o meio ambiente, e nesse caso o lixo, é um assunto tão santo, tão edificante e diz tanto à vontade de Deus como os listados acima. A literatura dos profetas do Antigo Testamento, Ageu, Amós, Sofonias, Habacuq, falam de uma natureza exausta e de uma terra enferma. Descrevem o solo infértil, os rios mortos e as fontes de águas contaminadas. Descrevem o mau cheiro nauseabundo da decomposição do lixo amontoado, bem como de pestilências. A razão desse quadro triste é a falta de cuidado para com a natureza, a cobiça e a ganância do homem em não respeitar os ciclos da terra, o desmatamento irresponsável e o inadequado descarte do lixo produzido. Estamos falando de uma literatura de 2.500 anos! Vivemos outros tempos, novas tecnologias e novos conhecimentos, graças a Deus por isso. Todavia, o desafio continua e cuidar da Terra faz parte da nossa missão. Cuidar do lixo é nossa tarefa e administrar bem esse processo todo, uma questão de humanidade. Por isso nos interessamos. Os interesses de Deus são os nossos interesses.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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