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Itapira, 30 de Setembro de 2020
Notícia
14/02/2017 | Luiz Santos: Sensação de segurança

A nossa sociedade anda violenta como nunca. Mesmo as pequenas localidades, aquelas que antes habitavam o desejo de muitos quando tentados a fugir dos grandes centros, já não respiram sossego e nem transmitem um sentimento de paz e tranquilidade. Estamos todos assustados, sobressaltados, olhando sobre os ombros, atentos a qualquer movimentação diferente perto de nossas casas ou de nosso carro quando em deslocamento por vias menos movimentadas. Os habitantes dos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro viveram dias de profunda impotência e grande abatimento com a sensação de insegurança à sua volta, sentiram-se abandonados e desprotegidos devido ao movimento de paralisação dos trabalhos das Policiais Militares daquela região. A sensação de segurança é tão importante quanto a certeza da segurança em si. Deus quer que seus filhos tenham não só a certeza de que somos guardados por Ele e que nossas vidas estão em suas mãos, mas quer que nós tenhamos na alma e no coração a sensação de que nunca estamos abandonados. Esta é a experiência que Davi, autor do Salmo 121, quis transmitir a nós por inspiração divina. O contexto do Salmo 121 é o da perda emocional e afetiva de Davi quando soube da morte de seu mentor e protetor Samuel, juiz, profeta e sacerdote em Israel. Ao receber a notícia, certamente Davi sentiu profundo abatimento em sua alma e foi levado a sentir-se abandonado, desorientado e como que engolido pela dureza da realidade da morte. Todavia, o Espírito Santo, como consolador que é, não permitiu que o Rei-poeta de Israel ficasse refém da tristeza e sentindo-se desamparado. O Espírito Santo coloca no coração e nos lábios de Davi um poema que é um verdadeiro convite à restauração e a confiança em Deus que provoca bem-estar emocional e a sensação de segurança. Davi é instado a levantar o seu moral levantando os olhos para as alturas onde Deus está. Davi recebe a ordenança de não fixar em demasia os olhos nas circunstâncias e nos fatos e a não querer buscar respostas no mesmo plano dos acontecimentos. Davi é orientado a olhar para além e para cima da realidade, fixando os seus olhos no Senhor donde provém o auxílio, o socorro, a ajuda para qualquer situação existencial. Tirar os olhos de nossos medos e anseios e coloca-los em Deus é o primeiro passo para devolver a serenidade aos nossos corações, como fez Davi. O Salmo 121 não nos garante a isenção de dificuldades. Davi tinha um caminho a percorrer, uma peregrinação para completar. Mais tarde, os judeus usaram esse Salmo na preparação e durante o transcurso de suas viagens a Jerusalém. Tanto Davi como os milhares de peregrinos depois dele, para chegar em Jerusalém sabiam dos perigos que os rondavam dia e noite. Esses perigos eram reais, assaltantes, pestes, animais selvagens, acidentes. Deus não lhes dava uma rota segura, mas uma companhia fortalecedora, encorajadora e os amparava nas dificuldades para vencer seus próprios medos e também livramentos. Mas nunca lhes oferecera uma viagem tranquila e sim uma chegada segura. Assim também nós, os leitores do salmo 121 milhares de anos depois, somos convidados a descansar na promessa do Senhor em fazer-se uma companhia diuturna ao nosso lado, como uma sombra a nos guardar, proteger, animar, encorajar e consolar durante a peregrinação de cada dia. Como cristãos estamos numa peregrinação. Entre a maternidade e o cemitério, o berço e o túmulo, enquanto estamos aqui, não estamos em casa, estamos numa peregrinação para o nosso lar definitivo, na Jerusalém celeste. Para lá, para o alto, onde Cristo nos espera, elevamos os nossos olhos pedindo socorro, auxílio, ajuda, proteção e orientação enquanto caminhamos. Durante o percurso, assim como Davi, recebemos algumas notícias tristes. Como os peregrinos, somos acometidos por qualquer coisa capaz de roubar nossa paz e destruir a nossa alegria e mesmo assim, não somos tomados de desespero, não somos consumidos pela tristeza e nem nos afundamos em autocomiseração. E por quê? Porque o Senhor caminha conosco e guarda a nossa entrada e a nossa saída, não dorme, não cochila aquele que nos vigia, temos a todo o tempo a sensação de que estamos seguros e podemos com confiança tocar a nossa vida. Cristo, em seu calvário, na cruz, suportou o supremo abandono e desamparo do Pai em nosso favor e em nosso lugar para que nós, em nossa peregrinação, jamais sentíssemos o peso tão horrível sensação. Entregue o seu caminho a Deus e ainda que as forças deste mundo te abandonem, a sensação e a certeza do amor de Deus jamais te deixarão. 

 

Reverendo Luiz Fernando Dos santos Ministro do Evangelho na Igreja Presbiteriana Central de Itapira. 

Fonte: Luiz Santos

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