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Itapira, 19 de Julho de 2018
Notícia
02/05/2018 | Luiz Santos: Tradicional, conservador ou o que?

Sinceramente penso que os rótulos não ajudam em coisa alguma e nunca traduzem fielmente a realidade, quando aplicados à igreja, seu culto e sua dinâmica. A Igreja Presbiteriana Central de Itapira é considerada por muitos como uma igreja tradicional e conservadora. Mesmo muitos membros dela a enxergam assim, inclusive. Entretanto, “os de fora” nem sem usam esses adjetivos de maneira positiva a nosso respeito. Quando dizem que nós presbiterianos ‘da Central’ somos tradicionais ou conservadores, com isso desejam afirmar que se comparados a eles que são contemporâneos, somos arcaicos, ultrapassados, jurássicos. Por sua vez, quando se definem como contemporâneos, se dizem conectados com o tempo presente, gente esclarecida e antenada com os reclames do mundo. Pode ser, mas não creio. Eu me considero um ministro do Evangelho ‘tradicional’. Considero-me assim porque o meu entendimento de ‘tradição’ tem a ver com o “Depositum fidei”, isto é, o ensinamento transmitido pelos apóstolos do Senhor Jesus Cristo à igreja e essa, sempre que fiel, o ‘tradiciona’ de geração em geração. Logo, ser tradicional tem a ver com o conteúdo genuíno do Evangelho de Cristo que é pregado sem alterações, acréscimos, reducionismos ou acomodações culturais, só para ser mais atraente ou parecer mais relevante.  Então, sim, a Igreja Presbiteriana Central de Itapira é uma comunidade tradicional porque o seu zelo pela integridade do Evangelho a impede de que em seu púlpito se encontrem elementos incompatíveis com a doutrina dos apóstolos e nem em seu culto haja a presença de fogo estranho. Com o tema do culto chegamos ao adjetivo ‘conservador’. É recorrente ouvirmos dizer que a Igreja Presbiteriana Central é conservadora. Com isso, na verdade, querem dizer que nosso culto e nosso estilo de vida (ética, moralidade, visão de mundo), são atrasados, anacrônicos, fora de moda. Aqui também, sem constrangimento, me assumo como um pastor evangélico conservador. Entendo-me como alguém que recebeu do Senhor e da própria igreja, o encargo de proteger o culto e os valores inegociáveis do Evangelho do veneno da secularização. No que diz respeito ao culto, julgo ser meu solene dever conservar os elementos prescritos pelas Escrituras e impedir que o mundanismo se instale na congregação dos adoradores. Isso acontece quando há uma inversão na lógica do culto. Quando o que se busca é agradar os adoradores e no lugar do que deve ser adorado, Deus. Para tanto, serve-se dos efeitos visuais e sonoros exacerbadamente a fim de se criar uma atmosfera artificial para no fim, produzir apenas emocionalismo superficial e efêmero. O culto conservador, por sua vez, é ‘teocêntrico’, em tudo é voltado para agradar a Deus. Por isso mesmo, prende-se à racionalidade do princípio regulador das Escrituras, conserva o primado da oração no Espírito, a primazia e a centralidade da Palavra de Deus, com pregação e louvores cristocêntricos e a celebração do drama da redenção nos sacramentos do batismo e da Ceia. É bem verdade que não há na Bíblia um ‘modo’ de observar e realizar essas coisas na reunião pública da igreja. As circunstâncias variam com o tempo e a cultura de um povo. Todavia, nas circunstâncias não há neutralidade moral. Não é verdade que tudo que não está prescrito ou proibido, logo está à mercê do adorador. Algumas coisas sim, como quantas vezes a Ceia será celebrada, se esteticamente o local de culto deve ter um formato sacro ou com linhas mais despojadas como um barracão. Se os ministros devem usar toga, terno ou roupa casual. Essas coisas, não alteram a perspectiva do que deve ser a adoração. Mas, lançar mão de técnicas sensoriais, linguagem corporal sensualizada e etc., para tornar o culto amigável, para que o ‘adorador’ não se sinta constrangido por um ambiente estranho à sua condição de ‘homem do seu tempo’ é dessacralizar o culto. Se isso acontece um de seus mais fundamentais aspectos, o de oferecer ao homem exatamente uma experiência para fora de seu mundo, diferente de tudo o que ele vive nos outros seis dias da semana e que a cultura pode lhe oferecer com mais excelência, se perde num entretenimento vazio com o cosmético do Evangelho. O mesmo se diz da ética, da moralidade cristãs e da visão de mundo que não podem ser suplantados pelo politicamente correto ou porque é comum. Pode até ser comum, mas nunca será normal, conforme a norma da Palavra de Deus. Então chegamos ao adjetivo contemporâneo, que claro, para os ‘de fora’, não pode ser aplicado a nós. Todavia, um ministério contemporâneo diz respeito ao tipo de leitura que se faz da Bíblia e não aos modismos da música, da tecnologia ou da comunicação. Contemporâneo é quem lê as Escrituras dentro do esquema Criação, Queda, Redenção e Glorificação. Entende o modo de agir de Deus e se engaja em participar do que Ele está fazendo no mundo. E nisso, temos nos esforçado em fazer, encarnando o Evangelho nas necessidades de Itapira e desde aqui para os confins da Terra. Se você procura experimentalismos e modismos, temo que a Igreja Presbiteriana Central de Itapira não seja um bom lugar. Mas, se você deseja viver na tradição dos apóstolos, numa comunidade que conserva a Aliança com Deus por meio de Cristo, e que o serve no mundo, talvez aqui seja o seu lugar.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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