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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
08/03/2012 | As doutrinas da Graça

 “Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.” (Rm 11.28).

Às vezes, para relaxar, gosto de assistir aos programas de debate sobre o futebol após cada rodada dos campeonatos. São as chamadas “mesas redondas.” Ali os grandes lances, as jogadas espetaculares, os erros de arbitragem e as polêmicas ganham novas dimensões e múltiplas interpretações. Não raras vezes diante de uma decisão da arbitragem o lance é repetido exaustivamente e quando tudo parece claro a todos, alguém discorda e é aí que aparece a frase: “você está brigando com a imagem!” Penso que as dificuldades levantadas pelos cristãos ao longo da história da igreja em relação às doutrinas da Graça sofrem o mesmo.

Olhando para as Escrituras e para o conjunto total de suas afirmações e para harmonia de seus ensinamentos, não convencer-se das verdades da depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível, perseverança dos santos é brigar com a imagem e assim dar uma interpretação diferente, uma nova visão que se harmonize mais com a nossa humanidade e a nossa compreensão de Deus e seu caráter. É exatamente aqui que mora o grande perigo para o cristão e a Igreja interpretar e ensinar a verdade de Deus com base na necessidade de se criar um “Deus” que seja mais condizente com as nossas limitadíssimas noções de verdade, justiça, perfeição, eternidade, santidade e etc.

Em sentido contrário, as doutrinas da Graça oferecem grande conforto e segurança para o crente e para a missão da Igreja. Crer e estar consciente de nossa incapacidade total em agradar a Deus e aspirar por sua glória e salvação deve fazer de nós as pessoas mais felizes do mundo, pois nada tendo a oferecer, fomos objetos de seu amor gracioso para conosco.

O mesmo se diz da Eleição Incondicional, isto é, a escolha de Deus não teve como base os nossos méritos pessoais, nem no presente e nem em previsão do futuro. Deus escolheu-nos por sua vontade livre e soberana. Não há doutrina que faça mais justiça ao caráter santo e amoroso de Deus, pois não havendo um justo sequer, um que busque a Deus, sendo todos reprovados e indignos D’Ele, ainda sim, quis compartilhar de sua vida e felicidade, escolhendo muitos para estarem para sempre com Ele. É justamente esta doutrina que oferece segurança para a oferta graciosa do Evangelho, pois não obstante a oferta e a resposta humana, o poder para salvar não depende da vontade do homem, mas do livre agir de Deus. Se não houvesse os escolhidos por decreto secreto e eterno do Senhor, a evangelização seria de grande inutilidade.

Saber que Cristo morreu OBJETIVAMENTE por meus pecados além de indizível conforto e suma alegria, a minha ação de graças deve ser mais intensa, mais grata, mais vibrante. Afirmar que Cristo morreu por todos, enquanto a muitos que se perdem, seria o mesmo que afirmar que seu sacrifício ou não foi suficiente ou não é tão poderoso assim, capaz de ser anulado pela vontade humana caprichosa. Dizer que Jesus morreu por todos enquanto há muitos que se perdem, é na verdade ensinar que a salvação está franqueada, possibilitada a todos, mas que nunca salvou ninguém de fato. A evangelização então seria como uma loteria e uma questão de sorte alguém aceitar o convite para a vida eterna. Por isso mesmo, a consequência lógica é ser a graça de Deus irresistível, ou seja, o chamado externo da pregação é aplicado com graça e poder no coração do ouvinte, produzindo fé, arrependimento e vivificando a vontade morta para as coisas do céu levando o neoconvertido a aspirar o que pertence exclusivamente a Deus: A salvação!

Por último, e não menos amorável, a certeza da perseverança final, ou seja, a preservação de nossa salvação está nas mãos de quem nos salvou, não em nossa vontade em continuar salvos. Para crer que um cristão perca a salvação temos que crer na verdade em algumas coisas perigosas, tais como a “desregeneração”, a reversibilidade da obra consumada no calvário e na inutilidade do sacrifício expiatório e substitutivo de Cristo. Esta doutrina não assegura a nossa impecabilidade, não, mas sim a nossa não ruína final e radical no afastamento de Deus.

Apegue-se às doutrinas da Graça e desfrute deste amor e desta segurança que só remidos podem experimentar.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz F Santos

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