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Itapira, 08 de Agosto de 2022
Artigo
24/04/2015 | Humberto Butti: A rádio de uma cidade intei

Cresci ouvindo rádio e acho que isso me fez ter essa vocação para ser um profissional da voz, entre tantos outros afazeres ligados à comunicação. Desde minha infância o rádio faz parte da minha existência.

Lembro muito bem da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, a emissora que minha mãe ouvia as radionovelas e os programas de auditório comandados por César de Alencar. Tal era sua afeição à emissora e sua programação que em 1965, quando fui ao Rio pela primeira vez, minha mãe fez meu pai incluir no roteiro uma passagem pelo programa do César de Alencar. Tinha oito anos na época e não me lembro bem das atrações, mas o auditório e suas cadeiras ainda estão gravados em minha memória.

Depois dessa fase veio o período em que a Rádio Bandeirantes e a Tupi eram a bola da vez. A Vera, minha irmã mais velha, era fã dos programas comandados por Hélio Ribeiro, na Bandeirantes, e Barros de Alencar, na Tupi, e eu ali, sempre na escuta.

Minha fase independente, já aos 14 anos, mudou o cardápio radiofônico para emissoras como Excelsior, de São Paulo; Inconfidência, de Belo Horizonte, e Mundial, do Rio. Mas ainda era pouco, precisava de mais, precisava participar, viver esse mundo maravilhoso do rádio.

E foi aí que passei a ser fiel ao que era nosso. Descobri que pertinho de mim havia um campo que poderia ser explorado e que bastava ter um pouco de talento para ganhar uma oportunidade.

Era legal acordar todos os dias ouvindo o Jornal da Clube, comandando pelo Toy Fonseca. Mais tarde descobri que ele apresentava o programa de pijama, pois a rádio ficava embaixo da sua casa, na Campos Salles.

Um dia criei coragem e fui tentar a sorte. Sempre atento e aberto aos novos talentos, Toy me deu uma chance no programa musical que abria a programação da tarde e tinha o Waldomiro Barrios Neto como técnico. Era um programa tipo Cultura FM de Amparo, em que você fala o nome da música, o intérprete, o autor e a hora. Apesar de ter gostado da minha performance, não foi dessa vez que entrei para o mundo com o qual sonhava.

Fiquei triste, mas não desisti. Um tempo depois lá estava eu, apresentando um programa esportivo na emissora e realizando meu sonho. O Bola Rolando inovou, agradou os ouvintes e preencheu, de certa forma, a lacuna deixada pela saída de Waldemar Silvestre. Foram tempos áureos da Clube, que tinha parceria com a Globo-SP e mostrava os jogos via rede.

Em 86, no auge dessa época, uma linha 24 horas, direto do México, colocava os ouvintes em contato com o dia-a-dia da seleção em plena Copa do Mundo. Pena que a turma do Telê não deu no couro e caiu nas quartas-de-final ante a França de Michel Platini.

Vivi e aprendi muito na Clube. Aprendi o que pude colocar em prática anos mais tarde, quando fui para a Rádio CBN, do Sistema Globo de Rádio.

Nunca deixei de lado o aprendizado que recebi na Clube e nunca escondi isso de ninguém. Nem mesmo quando entrava ao vivo para todo o Brasil. Afinal, se sabia falar ‘ao vivo’ era porque tinha aprendido em algum lugar.

E, cá entre nós, quem já tinha enfrentado um Carnaval de rua em seus áureos tempos, incluindo a sempre conturbada apuração, ou uma apuração de eleição, não iria tremer ante qualquer entrada ao vivo para o Brasil todo.

Hoje, 25 anos depois que deixei a Clube, ainda curto ter participado de sua história. Guardo muito bem o aprendizado que tive com meus dois primeiros e bons mestres, Toy Fonseca e José Antonio Tuia Pires de Souza, o Tuia, além do prazer de ter trabalhado com operadores de áudio como Jorge Luiz Bonaldo e Antonio Gracini Neto.

Sexagenária, a emissora está pronta para iniciar uma nova era e, novamente, alcançar patamares de qualidade e audiência capazes de inspirar a paixão pelo rádio em um sem número de jovens. Como ocorreu comigo e com muitos outros, que abraçaram a carreira radiofônica a partir dessa inspiração mágica que só o rádio é capaz de instigar.

Ainda sonho em devolver à Clube tudo que dela ganhei. Aplicar meus parcos conhecimentos na formatação de um programa jornalístico aos moldes do padrão de grandes emissoras que priorizam a informação e abrir caminho para jovens talentos na área do jornalismo informativo.

Por enquanto me contento em ter feito parte dessa história. De ser reconhecido até hoje pelo trabalho que pude realizar através de seus microfones. E sou imensamente grato por isso.

Afinal, posso afirmar, com toda certeza, que Itapira é uma cidade que adora o rádio tipo AM. Seus habitantes são afeitos a esse tipo de rádio, que informa as notícias da cidade e oferece aos ouvintes as vozes que todos conhecem.

E é assim desde os primórdios, eternizando nomes e vozes como Zé Coqueiro, Dácio Clemente, Vidoco, Leonato, José Luiz Palandi, Paulo Marin, Waldemar Silvestre, Gijo Cestari, Benê Tavares, Toy Fonseca e tantos outros que fizeram da emissora a rádio da cidade, de uma cidade inteira.

Dácio Clemente, uma das vozes mais famosas da região

O eclético e versátil Gijo Cestari

 

Waldemar Silvestre tinha o Radar Esportivo

Paulo Roberto Marin comandava as tardes da Clube

José Luiz Palandi apresentava o Domingão Sertanejo

Jorge Luís Bonaldo, em uma das transmissões externas

Toy Fonseca apresentava o Jornal da Clube e o Alô, Bom Dia

Fonte: Humberto Butti

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