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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
20/05/2014 | Luiz Santos: A Família e a terceira idade

 Agora que estou velho, de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, para que eu possa falar da tua força aos nossos filhos, e do teu poder às futuras gerações” (Sl 71.18).

O cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e se obtém mediante uma vida justa” (Pv 16.3).

A contemporaneidade tem dificuldades de conviver e integrar o patrimônio ético, sapiencial e cultural dos idosos. Nas sociedades mais antigas os mais velhos eram uma espécie de reserva moral. As grandes decisões que envolviam os destinos ou transformações profundas eram sempre submetidas ao crivo dos homens e mulheres mais experientes. Os líderes mais jovens os que sucederiam pela linhagem familiar, quer pela meritocracia, eram entregues aos cuidados dos mais testados e já aprovados pelos anos a fim de que lhes servissem de mestres, tutores, exemplos e etc.

É verdade também que muita coisa boa tem acontecido em nossa sociedade. A longevidade é consequência dos avanços nas áreas da saúde, do saneamento básico, dos remédios e novos tratamento de doenças que antes eram uma sentença de morte. Há também toda a facilidade das imunizações contra doenças sazonais, gripes e pneumonias que antes evoluíam rapidamente para complicações que chegavam ao óbito. Esta longevidade nem sempre pode ser traduzida por qualidade de vida. Vemos todos os dias homens e mulheres já na terceira idade, aposentados, tendo que retornar ao mercado de trabalho para complementar a renda familiar. Em muitos casos são eles mesmos quem sustentam até a terceira geração dos seus com a aposentadoria e o complemento em um novo trabalho.

Também é triste ver o crescente número de homens e mulheres em situação de rua, abandonados pelos filhos, entregues ao vício do álcool e até mesmo de drogas mais pesadas. Quantos estão “jogados” esquecidos em comunidades terapêuticas, clínicas de repouso, asilos e etc. Graças a Deus que existem estes locais de acolhimento, tratamento, cuidado e dignidade. Todavia, assim como para a criança, o melhor lugar para a terceira idade é a família. A família é o único lugar onde não sentimos a crueldade da vida que nos dá até a certa altura e depois pede tudo de volta. A família é capaz de erguer uma espécie de cerca viva que protege e fortalece nossas emoções e nossa psique para viver, coexistir e até mesmo sobreviver aos muitos golpes da vida. A família, e só ela, é capaz de dar sentido a cada etapa da vida.

Nas festas familiares, nos encontros ocasionais, naqueles que acontecem por ocasião das festas anuais (Natal, Páscoa, por exemplo), o homem e a mulher da terceira idade consegue fazer sempre uma releitura de sua história, afirmar a sua identidade e fortalecer o seu senso de pertença, vencendo assim a desumana solidão. Nos nascimentos, batismos, casamentos, aniversários, bodas e funerais vividos dentro do contexto familiar, o idoso é capaz de entender a sua história livre da frustração do absurdo de ter vivido e nada construído. A família é o grande legado da terceira idade e deveria dele usufruir até o fim de seus dias. Mas é a família a que mais lucra quando há a presença serena, equilibrada, experiente de alguém que já percorreu um tanto bom da estrada antes de nós, que já fez o mesmo caminho mais de uma vez e que conhece alguns dos segredos desta jornada.

Quando a família é presenteada com alguém assim, há sempre a quem recorrer para mediar conflitos e propor sensatez às partes. Há sempre a quem pedir conselhos em tempos de crise. Há sempre a quem confidenciar em tempos de indecisão. Os nossos anciãos são como o arquivo vivo de nossa história familiar, são eles que nos ligam a pessoas e acontecimentos muito, muito antes dos nossos dias e que no fundo, explicam muitas coisas em nosso caráter e em nossa maneira de ser e agir.

Família tradicional não é só aquela de pai (homem), mãe (mulher) e os filhos. Esta é a família nuclear. Família tradicional também tem os avós (os demais parentes ficam para outra ocasião), os tios avós, aqueles personagens que quando somos crianças parecem maiores, mais velhos, e até mais bonzinhos... mas, que podem e influenciam a nossa formação moral, espiritual e humana.

Cuidemos de nossos anciãos. Como famílias cristãs, invistamos em nossos parentes idosos, invistamos afeto, respeito, carinho, honra e cuidado humano integral. Aprendamos com a experiência e a sabedoria deles. Imitemos suas virtudes. Evitemos, sem condená-los, os seus erros e vícios. Tornemos a terceira idade, de fato, a melhor idade, para eles e para nós e o mundo nos agradecerá.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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