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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
30/04/2013 | Luiz Santos: A Igreja e a Era do Confessores: A Cristandade

 Combata o bom combate, mantendo a fé e a boa consciência. (texto base 1Tm 1.18-19).

Quando os Vândalos acamparam às portas de Roma e Genserico, Teodorico e os Godos, Ostrogodos e Visigodos saqueavam e pilhavam o império Romano dando início ao seu derradeiro curso, Santo Agostinho em seu leito de morte teria sentenciado: “Não é o mundo antigo que desaparece mas, um mundo novo que surge.” De fato, a queda do império Romano é também o fim da era dos Pais da Igreja. O surgimento de novos povos e nações do mundo bárbaro no comando do ocidente viu nascer outra era para a Igreja: o tempo dos confessores, o regime da cristandade.

O conceito de cristandade é comumente aceito como aquele período que segue a era dos Pais da Igreja e que tem início com a conversão em massa dos povos bárbaros: Patrício e Agostinho de Cantuária nas terras Bretãs e Bonifácio de Fulda entre os Germânicos são bons exemplos, bem como a conversão de Clóvis e Clotilde e toda a França, como filha primogênita deste novo período. É também o período da história em que trono e altar, cruz e espada, o “Reino dos Céus” e o Reino temporal, Igreja e Estado aprofundam cada vez mais seus laços de amizade e de dependência mútua. Neste período as conversões em massa não significavam uma adesão consciente ao Evangelho, mas muito mais uma acomodação sócio-cultural e política: “cujo régio, ejus religio”, a religião do Rei é a religião do povo. A conversão sincera e as evidências de abando do pecado não eram levadas em conta para a ministração do batismo. O apogeu da cristandade deu-se com o Sacro-Império Romano Germânico. 

A gênese deste império encontra-se na linhagem de reis bárbaros convertidos ao cristianismo: Carlos Martelo e Pepino, o Breve, respectivamente avô e pai de Carlos Magno, coroado rei do Sacro Império Romano Germânico em 25 de dezembro do ano 800 pelo Papa Leão III. Neste período surgem as grandes catedrais, verdadeiros monumentos arquitetônicos e artísticos que dominavam a paisagem, e que com suas agulhas góticas apontavam para o céu lembrando aos homens a presença constante de Deus. A cristandade vê surgir as universidades, os grandes mosteiros e as grandes ordens monásticas: Cluny e a sua “Laudate Perennis” e os Cistercienses e a sua “Schola Charitatis”, são emblemáticas as figuras dos abades Odo I e Bernardo de Claraval. No regime da cristandade a Teologia era a rainha das ciências, e a partir dela, da concepção de “Deus no centro”, toda a vida social, política e econômica era organizada.

Surgem neste período grandes pensadores da fé: Alberto Magno, Boaventura, Tomás de Aquino, Columbano, Abade, Hugo de São Vitor, Pedro Lombardo e etc. O ocidente no movimento liderado por Bento de Aniane redescobre os clássicos da antiguidade e Averróis e Avicena “apresentam” Aristóteles para os intelectuais da Europa Medieval. Em meio a esta ebulição, o papado se torna cada vez mais politizado, cada vez mais poderoso e rico. Ambição misturada a uma fé cega, sem orientação bíblica, criou as Cruzadas e mancharam biografias como a do Doctor Mellifluos Bernardo de Claraval, pregador de uma das Cruzadas, arregimentando fundos e pessoal para os exércitos da Igreja Romana.

Este é também o período do lento e gradual afastamento das Escrituras por parte da Igreja. Nas catedrais e Abadias o “mysterioum” da liturgia eucarística se sobrepunha à pregação. Nas vilas e aldeias os sacerdotes decoravam o Cânon da Missa e muitos clérigos nem sabiam ler. Toda a liturgia se passava numa língua obscura e morta já em muitos contextos, o latim. A Escolástica sofisticou a Teologia. Aquilo que era o assunto do dia nas praças, nas ruas, de casa em casa e nos mercados, nos dias dos pais da Igreja e seus concílios, agora estava restrito aos mestres e doutores na Academia. A Bíblia foi substituída pelos vitrais a “Bíblia pauperum”, dos pobres e ignorantes.

Mais tarde, Domingos de Gusmão criou o terço que com suas 150 “aves-Marias”, substituiu os 150 salmos. Deste período marcado por luzes sombras, muitas lições podem nos ajudar em nosso tempo presente:

1. A Igreja jamais se acovardou em face dos perigos ou das instabilidades das mudanças de época. Sempre confiou no Senhor da história e na providência de Deus.

2. Deus jamais deixou de dotar a Igreja de grandes e brilhantes mentes para educá-la na fé, defendê-la dos erros e iluminá-la pela vida e pelas palavras.

3. Que é possível organizar a totalidade de nossa vida tendo Deus e a sua Palavra como centro.

4. Que podemos e devemos evitar os seguintes erros:

a. o afastamento da Bíblia;

b. ambicionar impérios religiosos ou ministeriais;

c. incentivar ou praticar adesões à igreja sem a necessária evidência de conversão;

d. a perniciosa elitização da Teologia e o academicismo estéril e sem vida.

Oremos para que Deus marque também a nossa geração com grandes homens e grandes feitos para o louvor de sua gloria.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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