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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
18/09/2012 | Luiz Santos: Ampliando a nossa compreensão

“Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo...? (1Co 6. 19).

A Igreja Presbiteriana do Brasil professa a fé na Bíblia como a infalível e inerrante Palavra de Deus. A Bíblia não só contém, mas é a Palavra de Deus, única regra de fé e prática para o crente e a instância final em matéria de doutrina. Todavia, a Igreja Presbiteriana recebeu e aceitou os documentos confessionais oriundos dos primeiros momentos históricos da Reforma, documentos subordinados às Escrituras e que servem como padrão hermenêutico da Bíblia. Estes documentos vieram à luz como resultado dos trabalhos da soleníssima Assembleia de Westminster que durou de 1º de julho de 1643 a 22 de fevereiro de 1649. Em mais de 1.000 sessões, 121 teólogos em grande maioria calvinistas, em ambiente piedoso, erudito e não sem tensões inclusive políticas, esta magna assembleia produziu a “Confissão de Fé de Westminster”, o “Catecismo Maior” e o “Breve Catecismo”. Estes documentos são considerados por muitos como a melhor expressão da fé sistematizada produzida pela Reforma Protestante.

Escrevo esta introdução para tratar de um assunto que tem tudo a ver com a fé: O cuidado integral da vida. O Catecismo Maior quando expõe a Lei Moral, Os Dez Mandamentos, nas perguntas 134-136 interpreta e aplica o alcance do sexto Mandamento, “Não Matarás” (Êx 20.13) também quanto ao cuidado integral da vida. Na resposta 135 encontramos o seguinte: “todo cuidado e todos os esforços legítimos para preservar a nossa vida e a de outros...” e na resposta 136: “evitar o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios...” Nesta pastoral gostaria de ampliar a aplicação desta interpretação do sexto Mandamento.

Os dias de temperaturas elevadas e os “tempos das águas” se aproximam e com eles o real perigo de uma epidemia de dengue. Não cuidar do quintal, acumular lixo ou sucata, não verificar locais e objetos onde a água possa empossar, ainda que seja uma tampinha de garrafa pet, não abrir a porta para os agentes da vigilância e o desinteresse pelas campanhas de prevenção, são atitudes que atentam contra a própria vida e a dos outros. Logo, é um pecado gravíssimo de desobediência ao mandamento expresso de Deus, é um atentado contra a autoridade do Senhor, de quem procede a Vida e uma atitude leviana para com a nossa responsabilidade com o planeta e a sociedade que estão em nossa administração como vice-regentes da criação: Gn 2.15.

O mesmo se aplica a crescente violência no trânsito. Não há uma única edição dos jornais locais que não traga uma infeliz notícia sobre vidas ceifadas, em sua maioria jovens, nesta verdadeira guerra urbana que se tornou o trânsito. Pesquisas sérias apontam que em 2025 o trânsito fará mais vítimas fatais que o infarto ou o câncer de próstata.  A imprudência, a imperícia, a inaptidão, a associação álcool-direção e etc., devem ser tratados como ações que devem ser responsabilizadas não só pela justiça humana, mas classificadas como atitudes pecaminosas que atentam contra a própria vida e a de outros.

O desrespeito e para não dizer a covardia, contra os pedestres quando motoristas não respeitam a faixa de segurança ou ameaçam com o carro para apressar a travessia do pedestre. Sou testemunha no cruzamento em frente a minha casa de que muitos preferem atravessar entre os carros que correr o risco de ser premido por um apressadinho na faixa de pedestres. Ameaçar, coagir, pressionar o pedestre, são ações que atentam contra a segurança e contra a integridade da vida do outro, logo, também é pecado contra o sexto mandamento. A paz no trânsito deve ser desejada e deve ser uma bandeira a ser desfraldada por toda a sociedade. Educação e uma pressão no bolso e muita fiscalização poderiam ajudar, somadas ao conhecimento das Escrituras para formar também o caráter, seria o melhor dos mundos!

Por último, o sedentarismo, o vício alienante, hipnótico, isolacionista das redes sociais também podem colocar em perigo a vida. Em muitas famílias a morte dos relacionamentos e dos afetos já é uma realidade. Todos conectados na rede e desconectados dos laços de afetividade, humanidade, comunidade e etc. Esta imobilidade aprisionada às redes e relacionamento virtuais, se roubarem a alegria e o sentido pleno da vida, não tenham dúvida, configura-se uma transgressão da vontade de Deus que nos criou para sermos família, para construirmos relacionamentos saudáveis e cheios de significados.

Na verdade, tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém (1Co 6.12), assim como devemos investigar todas as coisas e só reter o que for bom (1Ts 5.21). Continuamos na próxima semana.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor Mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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