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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
07/03/2013 | Luiz Santos: Cáritas Christi Urget Nos!

Amemos em ação e em verdade” (1Jo 3.18).

Cada vez mais nossas ruas e praças são frequentadas por homens e mulheres em situação de rua. É um grande desafio para a sociedade como um todo. É um sinal de alerta para toda uma cultura consumista e hedonista que em suas estruturas geram uma legião de excluídos, de desafortunados que a sociologia cristã chamou de massa sobrante, aqueles que não produzem, não consomem e, por isso, não fazem parte da engrenagem que faz a sociedade girar e que serão assim excretados dela.

Contudo, os “moradores” de rua não são apenas vítimas deste sistema de exclusão. As drogas, o álcool, as doenças mentais, a desestruturação e a desagregação familiar e etc. também estão na gênese deste drama. É uma realidade complexa. Para maiores informações sobre o assunto existem boas literaturas especializadas. Eu mesmo li, nesta última quinzena, três obras interessantes sobre o tema: “No meio da rua: Nômades, Excluídos e Viradores”, Marcel Bursztyn, ed. Garamond; “Desafortunados: Um estudo sobre o povo da rua”, Davi Snow e Leon Anderson, ed. Vozes;  “Vidas de Rua”, Cleisa Moreno Maffei Rosa, ed. Hucitec.

Os andarilhos, os nômades, os expatriados, os mendigos são um dado antropológico e social universal e perene. Sempre estiveram aí. Muitos se fazem assim por motivos filosóficos e saem pelo mundo em busca da verdade, do verdadeiro eu, do sentido da vida e etc. Outros o fazem por motivos religiosos, como os “Sanyasi” do hinduísmo que abandonam todo apego e saem em perpétua caminhada pelo mundo. Há ainda os peregrinos, sobretudo de tradição russa, que deixam tudo e optam por viver a vida da caridade alheia andando pelos povoados, vilas e cidades em uma peregrinação sem fim. Estes são exemplos simplórios, mas reais.

Nas civilizações mais antigas também já havia a preocupação com os mendigos, moradores de rua e etc. Confúcio, Buda e as Escrituras Sagradas (A Bíblia), possuem tratados de ética e de humanidade para estas pessoas. Também, as sociedades que viraram as costas para estas pessoas sofreram danos irreparáveis e a sua ruína foi fatal: Babilônia, Roma, Israel nos dias de Ezequiel, para não me estender muito.

O Novo Testamento apresenta Jesus Cristo tratando os homens e mulheres nestas condições com compaixão e ações de libertação e transformação: O cego de Jericó, os leprosos, o homem de Gadara, a prostituta e as multidões esfaimadas.

Em nossos dias este dado antropológico e social vem se acentuando desde o processo de urbanização das sociedades. As cidades são “produtoras” e também o lugar social do povo em situação de rua. Em nossos dias há o agravante das drogas, a devastação do crack e a vergonhosa facilidade para a compra de bebidas alcoólicas, seja na questão da propaganda, do preço baixo ou na falta de consciência dos que vendem inclusive para menores. Tudo isso vem a reboque do desaparelhamento do Estado para oferecer tratamento, cuidado integral e reinserção social plena. É aqui que entra a missão da Igreja e dos cristãos.

Primeiro vem a necessária e aprofundada reflexão sobre ética e práxis da Igreja. À luz das Escrituras, investigar e obedecer aos preceitos de humanidade, filantropia, amor ao próximo e responsabilidade social. Segundo, tomar consciência do lugar dos pobres no projeto redentivo de Deus Pai e de seu Filho Jesus. Jesus veio para evangelizar os pobres (Lc 4), evidentemente sem a exclusão ou o preterimento dos ricos, intelectuais e etc. Mas, os pobres estão no centro das preocupações de Deus. Os pobres são como um sacramento, um sinal que aponta e reclama uma encarnação do cristianismo nas demandas concretas da vida. Onde houver sofrimento, onde os direitos do homem estiverem sendo solapados, onde a dignidade humana estiver sendo ferida de morte é ali mesmo que Jesus está presente reclamando ser servido: “...Pois, eu tive fome, e você me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro e vocês me acolheram; Necessitei de roupas, e vocês me vestiram...Então os justos lhe responderão: ‘Senhor quando te vimos com fome, com sede, estrangeiro...?’ O Rei responderá: digo-lhes a verdade: sempre que o fizerem a um destes pequeninos, a mim o fizeste.” (Mt 25. 35-37).

Aqui entra o papel do Instituto Samaritano de Proteção Social, um expediente a serviço de Cristo, na pessoa dos pobres, um lugar para refletir e pensar a ética cristã e colocá-la em prática no atendimento imediato e eficaz aos que estão em situação de rua. Mais que uma obrigação, mais que um senso de responsabilidade e para muito além de uma aspiração política, o Samaritano é o amor de Cristo nos “pressionando” a servir. Cáritas Christi Urget Nos!

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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