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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
09/01/2013 | Luiz Santos: Conversão Pastoral (1ª Parte)

 Ai dos pastores de Israel que só cuidam de si mesmos! Acaso os pastores não deveriam cuidar do rebanho?” (Ez 34.2).

Uma das mais urgentes necessidades da igreja no século XXI é a conversão pastoral. Isto é, uma completa transformação dos postulados e do estilo de vida dos que são responsáveis pelo cuidado do rebanho do Senhor até que Ele venha. Deus continua chamando homens para o ministério da Palavra, dos sacramentos e a cura de almas. Infelizmente, há algo de errado na vivência e na realização deste chamado. O carreirismo, o profissionalismo, a ambição por titulações acadêmicas, a sedução do poder e a ambição pelo dinheiro, a supervalorização da própria imagem exposta quase como uma celebridade na comunidade, na sociedade ou na denominação, levam a vocação pastoral não só ao descrédito para também a ineficiência na obra do Evangelho.

A conversão pastoral começa com a redescoberta do discipulado. Agostinho em seu comentário sobre o Evangelho de João ensinou o seguinte a cerca da vocação pastoral: “Por vós eu sou presbítero, convosco, porém, eu sou cristão.” Antes de ser pastor o homem encarregado deste mister é um cristão, é um discípulo de Cristo. Deve viver de maneira profunda esta realidade do seguimento de Cristo, sentado aos seus pés, reclinando-se sobre o seu coração, escutando com reverência a revelação sobre os mistérios do Reino. Não é raro encontrar pastores que estudam as Escrituras com o fito de preparar mensagens e estudos. Sua curiosidade, sua investigação, toda a sua atenção se esgotam na procura de um texto, de uma mensagem relevante, de encontrar uma espécie de palavra perdida que cause impressão, impacto na comunidade. Mas, ele mesmo não se alimenta, não saboreia, não se deleita e nada aprende ou conclui da Palavra de Deus para a sua vida.

Bom seria se os pastores atentassem para o ensinamento de Gregório Magno: “Falarei, para que a espada da palavra de Deus, também através de mim, chegue a penetrar o coração do próximo. Falarei, a fim de que a palavra de Deus ressoe também contra mim e através de mim.” Isto é, o ministro não pode ler as Escrituras com tal distanciamento, com tal instrumentalização, que ele mesmo venha a ser privado tanto de seus benefícios quanto de suas correções. Uma conversão pastoral tem início, como ensina Lutero, quando passamos a ler a Bíblia também contra nós.

O apóstolo Paulo ensina que o pastor não é somente o homem a quem a Palavra foi confiada, mas também o homem que foi confiado à Palavra: “Agora os confio a Deus e à palavra da sua graça (paratíthemai hymás to theô kai to logo tês cháritos autoû); graça que tem poder de edificar e de conceder a herança com todos os santos” (At 20.32), ou seja, os pastores devem ser conduzidos, levados, santificados e fortalecidos pela Palavra. Será também aquele que a maneja, e o deverá fazer com maestria, contudo, jamais fará com poder e graça, se antes de tudo não for ele mesmo “manejado” por ela.

Outra dimensão da conversão pastoral necessária no discipulado é aquela da simplicidade de vida. Aquela simplicidade sem afetação do Senhor Jesus, do apóstolo Paulo, aquela simplicidade em forma de desapego de Francisco de Assis e Luthero, aquela vida frugal de Calvino e etc. A TV e os demais meios têm sido o espaço para a glamourização e a ostentação da vida pastoral como verdadeiros impérios ministeriais. Pastores que fazem questão de portar ternos de grifes, relógios de ouro, carros importados, jatinhos e mansões em locais paradisíacos. Ostentam estas coisas como evidências de sucesso na vida ministerial. Mas, nenhum pastor foi chamado para ter sucesso em sua vocação. Foi chamado para dar a sua vida a exemplo do bom pastor Jesus. Foi chamado para o nobre, porém humilde serviço aos pés dos irmãos.

Evidentemente que as Escrituras falam em sustento digno, em boa remuneração, em não amordaçar o boi que debulha, em viver do evangelho os pregam o evangelho. Mas tudo tem um limite ético, moral e espiritual. Os pastores são convidados à simplicidade de vida para que seus corações não se tornem demasiadamente pesados. Para servirem de exemplo de confiança, de entrega, de contentamento, de resignação e de acolhimento jubiloso da vontade de Deus seja qual for a circunstância da vida, a fim de ensinar com o próprio exemplo que sabe dar Graças por tudo e viver contente em qualquer ocasião.

Continuamos na próxima semana.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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