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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
18/01/2013 | Luiz Santos: Conversão Pastoral (2ª Parte)

 “Disse Jesus: Pastoreie as minhas ovelhas.” (Jo 21.16 b).                                              

O treinamento formal, a formação acadêmica e a própria dinâmica da vida eclesial foram influenciados por uma cosmovisão humanista e secularizada. Isto significa que em muitos seminários e faculdades teológicas existe grande preocupação com a transmissão de conhecimento e o treinamento de habilidades, do que necessariamente a formação do caráter e do coração de pastor. Os futuros pastores são formados para gerar resultados e responder a certas expectativas nem sempre requeridas por sua vocação.

Muitos ministérios estão reduzidos à programação de eventos, atividades e produção de “coisas” religiosas. O pastor se vê muitas vezes como uma espécie de “promoter” de eventos cristãos. Deve ser criativo, inventivo e agendar muitas atrações que envolvam a comunidade e que atraiam ou conquistem a simpatia dos de fora.

Outra atividade que deturpa a natureza do ministério bíblico é a administração paroquial. Os excessos no cuidado da vida financeira, na construção ou reforma do templo, as muitas reuniões cuja pauta se esgota na avaliação do caixa da Igreja, em estratégias de arrecadação de fundos e etc. exigem não só eficiência administrativa, mas sobretudo uma perda considerável de tempo e de energia por parte do ministro que deveriam ser utilizados em outras áreas mais condizentes com o seu chamado.

Isto sem falar de pastores que confusos ou perdidos em meio aos dramas e conflitos do pastorado, buscam na psicanálise e na psicologia meios absolutos para tratar e para responder às demandas da alma de suas ovelhas. Uma conversão pastoral nestes casos começa com a retomada de uma cosmovisão bíblica, ou seja, da totalidade do plano de Deus sobre o cosmo, a humanidade e dentro dela a Igreja com sua missão e seu ofício. Aí se descobre também o lugar e o chamado do homem para servir no ministério.

Na cosmovisão bíblica da vocação pastoral encontramos a prioridade da qualificação do caráter (a primazia do ser), a genuinidade da vocação (a primazia da graça e dos dons) e comissão e a obra (a primazia da missão). E tudo começa na mais importante comunidade formadora de um pastor, a sua igreja local. É a igreja local quem deve exercer a mais poderosa e determinante influência sobre a formação do futuro pastor.

A Igreja deve tomar consciência e não pode abrir mão jamais de sua condição de comunidade formadora. Por isso, os anos de engajamento voluntário no trabalho, na liderança de sociedades e ministérios, a participação efetiva e afetiva na educação cristã, no evangelismo e no discipulado e o relacionamento fraterno e respeitoso com o pastor e toda a igreja são imprescindíveis para a formação do caráter cristão e pastoral. Aqui o papel do Conselho (em se tratando de presbiterianos) é de suma importância para as devidas testagens, avaliações e o devido acompanhamento vocacional.

Toda vocação nasce de um diálogo gracioso e íntimo entre o homem e Deus. A Iniciativa, claro, é sempre de Deus e o homem responde e mantém este diálogo aberto por meio da oração, das Escrituras e da obediência. É dentro deste diálogo que se dá a primazia da graça e dos dons. É neste contexto que a alma, a mente, o coração vão sendo equipados com os dons necessários para o desenvolvimento do trabalho pastoral.

A vida espiritual que nasce em casa, que é abastecida na igreja local jamais poderia ser descuidada no processo formativo do seminário ou da faculdade. A espiritualidade não deveria ser uma cadeira no currículo, mas um estilo de vida a ser perseguido, desejado e vivido pelo aprendiz. E por último, a obra a ser realizada. O pastor é chamado para ser um discípulo-ícone de Jesus Cristo o bom pastor. Mais que o administrador de uma agenda programática, ele é chamado a viver em meio a seus irmãos como um sinal vivente de Jesus Cristo o supremo pastor, dando a sua vida pelos irmãos. É chamado para apascentar as ovelhas levando-as aos pastos mais verdes e tenros não porque possui um GPS ou outro programa de rastreamento. Não. Mas porque ele mesmo se alimentou, descansou e foi restaurado nestas paragens. É chamado a ser exemplo a ser imitado, como ele mesmo imita o Senhor.

Uma conversão pastoral deve levar-nos a sermos especialistas nas coisas de Deus, peritos na alma humana, conhecedores dos mistérios do Reino, mestres na fé e servidores da verdade. Isso demanda tempo. Isso exige que as coisas primeiras sejam buscadas em primeiro lugar!

Reverendo Luiz Fernando

Pastor Mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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