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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
23/01/2013 | Luiz Santos: Déficit Missionário

“Abram os olhos e vejam os campos! Eles estão maduros para a colheita. (Jo 4.35).

Neste exato momento, em todo o planeta, em todos os povos e culturas, seja em meio aos animistas da África ou da Amazônia, sejam os muçulmanos do convulsionado Norte da África ou do explosivo Oriente Médio, ou os hindus e panteístas da Índia, Nepal, China. Há também os “ateus” da Coreia do Norte e os que vivem sob a ditadura do secularismo europeu ou do consumismo americano, milhares padecem sem Deus, sem Cristo, sem Evangelho e sem salvação.

Aqui em Itapira centenas de pessoas, quem sabe milhares até, passarão a eternidade no inferno, quantas vidas destruídas e sem sentido tanto atrás dos altos muros da classe alta de nossa cidade, quer nos casebres mais simples da periferia, vidas estão sendo condenadas e enviadas para uma eternidade de absoluto e radical sofrimento longe de Deus.

Nossa tarefa é mais que urgente é quase desesperadora. Contudo, há entre nós quem ainda ousa perguntar por que investir em missões? Por que contratar missionários? Por que a igreja não poupa, não economiza este dinheiro? Ora, o simples cogitar destas questões deveria nos encher de vergonha, deveria levar-nos a ruborizar diante de Deus por tanta mesquinharia, por tanta pequenez de alma e estreitamento de coração. Por que a igreja deveria poupar, ajuntar dinheiro, ter reservas técnicas? Não somos uma entidade sem fins lucrativos? O que faríamos com os rendimentos? Teríamos um templo mais confortável, ou quem sabe investiríamos mais em entretenimento religioso ou nas programações cujo alvo seria a manutenção da vida religiosa dos “já” salvos?

É uma vergonha que usemos grande parte do que arrecadamos durante o ano conosco mesmos e não investimos de maneira planejada e organizada sim, mas também de maneira ousada e agressiva em missões. O próprio Senhor Jesus mandou que orássemos pedindo trabalhadores para a seara: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Peçam, pois ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita” (Mt 9. 37).

As Escrituras ainda afirmam que o trabalhador é digno de seu salário. Oxalá, pudéssemos contratar muitos missionários mais para abrir mais frentes de trabalhos, criar, desenvolver e implantar muitos e diversificados ministérios de assistência e promoção social, bem como plantar novas igrejas, semear novos campos, enviar e sustentar mais missionários além de nossas fronteiras até os confins da terra como ordenou o Senhor Jesus Cristo.

O nosso déficit missionário começa em nossa falta de visão, de compreensão, de amor, de paixão pelos perdidos. Nosso déficit só aumenta quando cogitamos que não há necessidade de investimento em mão de obra qualificada e quando muito poucos de nós arregaçam as mangas de modo voluntário e profundamente comprometido com o Reino, a evangelização e a missão integral.

Graças a Deus os recursos não nos têm faltado, nem colaboradores leais e generosos que sequer são contados entre os de nossas fileiras. Até mesmo homens e mulheres alheios à vida de Deus têm colaborado e participado ativamente em nossos projetos missionais.

Na verdade, uma igreja que deseja cumprir a Grande Comissão e viver em estado permanente de missões, que deseja obedecer ao Grande Mandamento e testemunhar do imenso amor de Cristo, deve aumentar exponencialmente o investimento de seus recursos em estruturas de saída, estruturas que nos permitam ir ao encontro dos homens e mulheres perdidos no mundo e oferecer à sociedade nossa contribuição vivendo com responsabilidade social nossa presença e inserção no contexto onde estamos como igreja de Cristo.

Evidentemente que não deverá faltar ao Conselho sabedoria para investir também na edificação de seus irmãos, respondendo às demandas das sociedades domésticas e seus projetos, bem como oferecendo educação cristã de qualidade e também eventos que propiciem a sociabilidade e a fraternidade na comunidade. Também é dever dos administradores manter a Casa do Senhor bem ornamentada, cuidada com decoro e decência. Mas, a tarefa inacabada da Igreja, o seu mandato mais solene e inescapável é fazer missões, é ir ao mundo, é fazer discípulos, é ensinar os homens a guardar e obedecer tudo que o Senhor ensinou. Desde sempre a Igreja aprendeu que ela é missionária ou ela não é Igreja. Ou investimos em missões e missionários ou não seremos achados por fiéis despenseiros do Senhor!

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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