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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
01/04/2014 | Luiz Santos: Desclesiologização

 Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno” (João 17:15).

O termo Igreja, do grego “EKLESIA”, simplificando, significa “chamados para fora.” Num primeiro momento parece não fazer muito sentido, mas esta expressão significa que fomos chamados para fora do mundo, fora do domínio do mal: “Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado” (Cl 1.13). Este chamado, contudo, não é uma alienação do mundo. Fomos tirados dele, purificados de sua influência moral e espiritual contaminadas pelo pecado, revestidos da justiça de Cristo, equipados com as armas da luz e finalmente devolvidos, enviados ao mundo assim como Jesus:

Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo” (Jo 17.18) e ainda: “Novamente Jesus disse: Paz seja com vocês! Assim como o Pai me enviou, eu os envio” (Jo 20.21). Jesus foi enviado ao mundo para glorificar o Pai, para vindicar a Glória devida ao nome de Deus, para reconciliar os pecadores com o seu Pai, para desbaratar as obras de Satanás: “Se Deus é glorificado nele, Deus também glorificará o Filho nele mesmo, e o glorificará em breve” (Jo 13.32); “Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação” (2 Co 5.19); “Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo” (1 João 3.8). À Igreja nada de diferente foi ordenado fazer. Ainda que ela mesma não possa salvar ou redimir o homem, esta é sua mensagem, proclamação, testemunho e ensino: Jesus é a salvação!

Entretanto, a igreja pode sofrer um processo de perda, derretimento e diluição de sua natureza, pode sofrer um processo de desclesiologização de duas maneiras distintas, porém reais e nefastas. Ela deixa de ser o que é isolando-se do mundo como num gueto. Fechando e cortando qualquer canal de comunicação, diálogo e convivência com o mundo real dos homens. Quando ela se vê como uma comunidade radicalmente separada da cultura, do processo civilizatório, da política, economia, das artes e etc. Quando uma comunidade se isola em sua subcultura e vive numa espécie de comunidade alternativa no sentido de voltar às costas para a vida comum dos homens e mulheres de seu tempo, ela perde não só a sua relevância, mas sobretudo a sua identidade e essência. Deixa de ser sal, luz, fermento. Uma igreja assim reincide no pecado de Israel que deseja as bênçãos e os privilégios da Eleição, nunca a sua responsabilidade e missão de ser a luz das nações. Uma igreja ensimesmada não compreendeu ou não amadureceu na compreensão total do Evangelho que diz anunciar e viver.

A outra maneira de perder a sua razão de ser está na circunstância oposta, na mundanização radical da Igreja. Quando ela importa, vive e convive de maneira acrítica com a cultura vigente, seus valores, símbolos, costumes e etc. Quando ela já não é mais fermento no meio da massa mas se converte em “farinha do mesmo saco” com padrões éticos e morais nivelados por baixo, pelo conveniente e politicamente correto. Esta desclesiologização mundana é em tudo pior que a primeira, pois aqui o Evangelho corre o risco de desaparecer por completo e Cristo pode ser “convidado” a deixar a Igreja ou conviver com outros “salvadores”.

O antídoto contra estes dois males, e para ficar apenas nesses pois poderíamos diagnosticar outros, é o pleno entendimento e a fidelidade inegociável ao Evangelho de Cristo. É a compreensão de que a Igreja tem como tarefa primária, nominal e intransferível, adorar exclusivamente a Deus, zelar pelo Santo Nome do Senhor, anunciar o Evangelho fazendo discípulos de todas as Nações. Nenhuma outra instituição, mesmo as para-eclesiásticas podem realizar esta tarefa de maneira perfeita e completa. Só a e na Igreja a Missão do Pai confiada ao Filho continua na história, no tempo e no mundo dos homens. Não se trata de Igreja contra o mundo e nem de Igreja identificada com o mundo, mas de uma Igreja missionária no mundo para a transformação do mundo. Claro, mesmo neste processo de servir no mundo e de transformá-lo com homens novos pela Graça a Igreja tem consciência de sua transitoriedade aqui: “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo”( Fp 3.20).

Enquanto aguardamos o retorno do Senhor e Rei Jesus, construamos a cidade terrena com os valores do Reino definitivo presente “já e ainda não” na Igreja para abençoar o mundo.

Rev. Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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