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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
17/10/2013 | Luiz Santos: Diga não à festa: Semper Reformanda!

 Meu Pai continua trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando” (Jo 5.17)

Existem maneiras de se comemorar a data da Reforma Protestante negando-lhe o valor e a relevância para os dias e a Igreja de hoje. Basta que intentemos falar da Reforma apenas como um evento histórico do século XVI, fazendo apenas um exercício de memória em ler os registros daquela época ou testes e ensaios sobre novas descobertas do contexto e das vidas privadas e públicas dos reformadores. Ainda sempre corremos o risco de que, levados por ufania, por empáfia e mesmo arrogância espiritual cairmos no erro grosseiro da idolatria, de superestimarmos Lutero, Calvino, Knoxx como nossos “Santos Protestantes” que merecem um lugar em um nicho ou altar.

Mas o efeito mais nefasto mesmo tem sido considerar a Reforma como um evento acabado. Considerar a Reforma da Igreja como concluída já nos dias dos reformadores e que para nós sobraram a penas os privilégios de uma bendita herança e a responsabilidade de administrar bem as conquistas do século XVI. Por isso, convido todos os cristãos reformados ou herdeiros diretos: Luteranos, Presbiterianos, Reformados, Batistas Reformados, Metodistas, Anglicanos, Congregacionais e também os beneficiários e herdeiros indiretos, mas igualmente devedores da Reforma: Assembleianos e Pentecostais tradicionais em geral, Igrejas do movimento holiness: Exército da Salvação e Nazareno, por exemplo, e por fim as comunidades e igrejas neopentecostais e igrejas independentes que digam NÃO À FESTA!

Devemos comemorar sim. Devemos agradecer sim. Devemos aprender e fazer memória do passado sim. Mas não podemos pensar em Reforma em termos de ontem. A Reforma é uma necessidade hoje, do agora de nossas vidas e Igrejas. Não uma nova Reforma como muitos advogam. Mas continuar aquilo que nunca poderia ter parado, continuar na dinâmica do “Semper Reformando”, pois a influência do pecado em nossa natureza, ainda que regenerada, nos leva ao longo de nossa experiência histórica como Igreja a infelizmente nos afastarmos das fontes puras e cristalinas do Evangelho para o retorno àquelas práticas abominadas pelos Reformadores.

As indulgências estão aí novamente. É não é privilégio da Igreja Romana, não! Aliás, para nossa vergonha e honestamente falando, as indulgências estão mais presentes em nossos arraiais: Fogueiras Santas, Portas da bênção, Sabonetes ungidos, Águas e lenços abençoados, Suor santo, “Lugares altos” e orações nos montes, dias especiais para a prática de “descarrego” e promessas de libertação e cura mediante “investimento” financeiro no mundo espiritual e por aí vai. Sem falar na superexposição midiática de líderes carismáticos e operadores de milagres que arrastam multidões, muito similar a um culto à personalidade de outras religiões, em congressos cada vez mais sofisticados até com efeitos especiais que dificultam o discernimento de onde começa o milagre e onde termina o tal efeito...

Cada vez mais a exposição Bíblica, sistemática, clara, e com exigências éticas com elevados padrões confrontando o pecado pessoal e comunitário é cada vez menos encontrado em muitos púlpitos. O que não poucas vezes encontramos é uma preleção de autoajuda transvestida em linguagem religiosa e piedosa. Na verdade, o homem e as suas demandas estão no centro da pregação e não Deus, sua glória, seu poder, sua vontade e seu plano de redenção.

Por causa deste nosso coração desesperadamente corrupto, desta nossa irrefreável tendência de construirmos bezerros de ouro é que precisamos viver em estado permanente de Reforma. Não significa que a Igreja evangélica deva ser uma metamorfose ambulante, sob a égide e a insígnia do relativismo e do pluralismo, absolutamente. Não significa ainda ficar buscando na cultura contemporânea uma maneira de nos fazer relevantes e chamar a atenção do homem e da mulher que estão por aí. A Reforma que impele a Igreja em triunfo para o futuro, para a consumação da história, é uma volta às origens e não o exercício e a prática de novidades pura e simplesmente.

Mas a Reforma verdadeira não é aquela de retornarmos ao século 16 e importar a prática e o costume daquela sociedade e daquela Igreja. Não se trata de fazer da Reforma um “Parque dos Dinossauros”. Antes, é voltarmos ao Evangelho puro e simples. Ao Evangelho da Graça, do poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crer. A Nossa Reforma de cada dia implica em nos comprometermos com as Escrituras, nos deixar orientar por ela e a partir dela adorar a Deus e servir os homens à “moda d’Ele” neste tempo que é nosso.

Rev. Luiz Fernando

Pastor Protestante da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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