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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
16/04/2014 | Luiz Santos: Ele vive!

 Mas Deus o ressuscitou dos mortos” (At 13.30).

A comemoração da Páscoa cristã ainda resiste, não obstante os insistentes ataques contra ela. São ataques exteriores, da cultura pós-cristã, secularizada, relativista e pluralista. A páscoa foi reificada, isto é, tornou-se coisa, mais que evento. Foi reificada sobremaneira pelo mercado, que com sutileza conseguiu transformar o maior evento da história humana em espetáculo teatral, quase circense, com uma mensagem no mínimo diferente. Existem muitos apelos, desde a tolerância universal para com tudo e todos no sentido de se aceitar acriticamente como verdade qualquer coisa até às defesas de ideologias políticas das minorias e etc. e inclusive na descarada troca do ‘Cordeiro de Deus’ pelo suspeitamente simpático coelhinho da páscoa que “bota” ovos de chocolate. Existem outros militantes contra a comemoração desta festa até mesmo entre cristãos, são os ataques interiores, muitos partem de homens sérios, cultos, teólogos refinados e preparados, cuja leitura crítica e tecnicista das Escrituras os faz muito semelhantes à outra turma também crítica e culta que ‘desmitologizou’ a Bíblia nos últimos dois séculos. Sem mencionar aqui os ‘super-apóstolos’ e líderes carismáticos das mais variadas denominações que intentam fazer-se mais necessários do que a recordação do sacrifício vicário do Filho de Deus.

De fato, não nego que corremos sempre o risco de exagerar nestas comemorações. Podemos descambar para um formalismo religioso, para uma superstição de dias e momentos mais sagrados ou de celebrações mais espirituais que as de outros dias. Isto pode mesmo eventualmente acontecer. Mas, o contrário também é verdadeiro, também corremos o risco de nos acostumarmos tanto com a virtude e a prática da Religião que entramos num formalismo rígido, sem vida, farisaico e extremamente danoso para a vida fraterna em comunidade, bem como em nosso relacionamento com Deus.

Como disse no início, apesar destes ataques e destes perigos, a páscoa cristã resiste bravamente em muitos ambientes eclesiais. Os eventos que vão da Última Ceia à Ressurreição, passando pelos suplícios sofridos e a ignominiosa crucificação, são o cerne na mensagem cristã: “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1 Co 15.12-22).

Esta não é a mais alvissareira das notícias, que em Cristo, na sua ressurreição temos vida? Não é motivo mais que suficiente para comemorarmos? Alguém ainda poderá objetar com muita propriedade que em cada Ceia do Senhor nós já comemoramos o fato. Corretíssimo. Mas, também em cada dia que amanhece, com a pobreza da comparação, comemoração mais um dia de vida, de certa maneira, mais um aniversário e nem por isso fazemos tanto alarido, tanta festa. Deus nos fez como seres psicológicos, morais e sociais. Deus sabe que precisamos de certa pedagogia e de certos ‘ritos’ para demarcar a nossa caminhada e a nossa progressão na piedade, na santificação e na peregrinação neste mundo rumo à pátria definitiva. Se não há um expresso mandamento neotestamentário para a celebração da páscoa não quer dizer que ela não seja cristã ou que seja e esteja proibida aos cristãos, celebremos com a alegria a festa: “Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (1 Co 5.8), porque: “Pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1 Co 5.7), mas que vivo está: "Não tenham medo, disse ele. Vocês estão procurando Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Não está aqui” (Mc 16.6). Feliz Páscoa da Ressurreição a todos!

Fonte: Luiz Santos

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