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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
19/08/2013 | Luiz Santos: Eu também vos envio

 Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho...em meu Nome” (Mc 16. 15.17).

O mimetismo é uma condição essencial para o discipulado cristão. Sem anular a nossa personalidade e sem negar a nossa diversidade, o discipulado é uma vida de constante imitação. O discípulo deve copiar, imitar as virtudes do Mestre. Todo discipulado autêntico contém mais demonstração de como se faz, na prática, do que discursos e teorias. Existe, é claro, espaço e mesmo a necessidade para a transmissão de ensinamentos, valores, princípios e quem sabe regras. Mas é a vida pelo exemplo e a vivência com a convivência que manifesta a força e a capacidade de discipular. Sendo assim, os discípulos de Jesus Cristo não podem se dar o luxo de querer fazer algo que Ele mesmo não tivesse feito ou tivesse ordenado fazer. Também, não receberam permissão para não fazer o que Ele fez ou deixar de realizar o que Ele expressamente ordenou. Aqui está o nó górdio para a obediência à Grande Comissão. A Igreja Cristã precisa reconhecer-se como discípula. Como aqueles que estão no mundo para continuar fazendo o que Jesus fez pelo exemplo de sua vida e segundo as lições que ensinou. Ele nos comissionou e nos enviou com as mesmas disposições dadas por seu Pai: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21). E quais são as disposições que o Pai deu ao Filho e que este transferiu à Igreja, aos seus discípulos? 1. A fecundação de Maria é uma realidade sobrenatural. A vida da Igreja e sua vitalidade também. Assim como o concurso humano não teve participação da gravidez de Maria, também a vida e a missão da Igreja não recebem da iniciativa humana a sua capacidade. É Deus que por meio de seu Espírito a vivifica e enche de dinamismo. 2. Jesus encarnou-se em um contexto histórico, cultural e geográfico precisos. A Igreja também precisa encarnar-se em sua realidade. Jesus cresceu, se desenvolveu, assumiu a cultura e lidou com as questões e a adversidade de seu contexto, seja em Nazaré, seja na Judeia. A Igreja precisa assumir a totalidade da realidade que a circunda. De outra maneira jamais penetrará e interagirá de modo transformador em seu contexto e a partir dele. 3. Jesus convidou homens e mulheres para serem seus discípulos. Escolheu alguns para serem apóstolos e os enviou. Precisamos como Igreja redescobrirmos o acolhimento, o convite gracioso para que venham os homens e mulheres com quem nos encontramos. Devemos ter a coragem de convidá-los para os caminhos do discipulado e para a habilitação da vida para o serviço desinteressado e voluntário na Igreja e no mundo. 4. Jesus optou pelo caminho dos pobres, marginalizados e indefesos. Opção se preferencial, nunca excludente, posto que mulheres de condições financeiras, Escribas e Fariseus também receberam atenção e compaixão de Jesus. Contudo, Ele mesmo afirma ter vindo para os pobres (Lc 4.18). A Igreja discípula deve optar para concretizar as boas novas nas vidas apequenas e destruídas pelo pecado, pela miséria, pela exclusão e pela violência. 5. Jesus veio para reconciliar os homens com Deus. A Igreja é uma embaixada. O corpo diplomático do Reino, e nós somos Embaixadores: “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus” (2 Cor 5:20). 6. Jesus veio para servir e não para ser servido. A Igreja não pode ser afeita ao poder político ou econômico. Nem mesmo tem o direito de sonhar com um império ministerial. Assim como o seu Senhor e Mestre ela vive da recordação do exemplo da última ceia na tradição de João: Uma igreja serva, lavadora de pés! O serviço humilde não é uma opção, mas uma ordenança (Jo 13). 7. Jesus veio para revelar o imensurável amor misericordioso do Pai. A igreja deve comunicar ao mundo este mesmo amor. Sem acepção de pessoas, sem discriminação ou rótulo, sem preconceitos, sem privilégios excludentes devido a posição social. Um amor todo inclusivo. Um amor, porém, exigente e santo. Conquanto não julgue, também não se faz cúmplice do pecado. Mas um amor que não conhece barreiras capazes de vencê-lo. Que ao despedirmo-nos do mês missionário na Igreja Presbiteriana do Brasil não deixemos ir embora a nossa condição de discípulos imitadores de Jesus. Reproduzamos pois, em nossas vidas e em nossa Igreja, o ser, o sentir, o amar e o fazer do Senhor Jesus, o missionário do Pai.

Rev. Luiz Fernando

Pastor Mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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