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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
23/04/2014 | Luiz Santos: Evangelho e Responsabilidade Social

 Procurai a paz da cidade... orai por ela a Deus, porque a sua paz será a vossa paz!” (Jr 29.7).

Embora as Escrituras sejam claras quanto a responsabilidade social do Povo de Deus, nem sempre este Povo sentiu-se tão responsável assim. Desde os dias de Caim somos tentados a nos esquivar de nosso sacrossanto dever de guardar, proteger, cuidar de nosso irmão. Contudo, Israel será sempre lembrado de que um dia foi o lado mais fraco da corda, esteve entre os oprimidos e de que aprendeu por experiência o que era ser explorado e ver impedido o acesso a seus direitos mais básicos, como o de adorar por exemplo.

Israel era recordado não para se precaver contra possíveis tiranos a seu redor, ou para impedir que ideologias políticas desfavoráveis a ele tomassem o poder. Israel era insistentemente recordado para que ele mesmo não se tornasse uma fonte de opressão, exclusão, marginalização e etc. Porque um dia fora estrangeiro em terra estranha agora não deveria tratar com brutalidade e indiferença o estrangeiro que residisse em seu meio. Porque viu suas viúvas, suas crianças e seus velhos serem sistematicamente descartados no Egito e mais tarde na Babilônia, Israel foi instruído por determinação divina a socorrer esta parcela de seu povo mais vulnerável e menos capaz com leis de amparo, socorro, assistência e de humanização.

Quando um faraó que não conhecia José sobe ao trono no Egito Israel viu-se da noite para o dia privado de seus privilégios, de suas propriedades, bens e posses. Tornou-se um povo de pobres que deveria viver da “boa vontade” dos “novos senhores” de Israel. Foi por causa disso que Deus por meio de Moisés mandou instituir as leis em relação aos Jubileus para a restituição da terra, bem como as leis da rebusca e das respigadeiras, para que ninguém se fartasse a tal ponto de fazer um irmão de raça, religião ou de natureza (humanidade) ser defraudado, ultrajado e ponto de tornar-se um miserável.  

No Novo Testamento seja no ensino de Jesus, de Paulo ou na práxis da Igreja nascente encontramos esta sensibilidade para com os pobres, enfermos, estrangeiros, marginalizados e excluídos socialmente. A Igreja herdou do Antigo Testamento, recebeu tanto da Lei como do feroz discurso ético dos profetas como Amós, Jeremias, Ezequiel, Isaías o senso de responsabilidade pelos mais vulneráveis. Desde cedo ela se comprometeu, primeiro de maneira mais livre com coletas, donativos, despojamentos como no caso de José de Chipre. Mais tarde, instituiu a primeira organização específica para cuidar desta dimensão social do Evangelho, a diaconia (At 6).

Todavia, o entendimento do lugar e da extensão da responsabilidade social do Evangelho e da Igreja nem sempre foi ponto pacífico. Houve exagero para todos os lados, daqueles que só compreendiam a verdade do Evangelho em termos de ação e assistência social bem como aqueles que reduziram toda a ação social da igreja ao foro íntimo de cada crente, numa ação mais caritativa na perseguição das boas obras e que a Igreja deveria preocupar-se apenas com a proclamação.

Porém, não há contradição entre responsabilidade social e proclamação. Ao contrário, as duas coisas se exigem reciprocamente. O reto entendimento do Evangelho leva-nos ao compromisso de se estabelecer desde agora o Reinado de Deus sobre a terra em forma de justiça, equidade e paz. Ao contemplarmos a miséria do mundo e o sofrimento dos homens, compreendemos que nenhuma ideologia ou utopia filosófica ou política são o bastante. Mas o Evangelho tem poder mais que suficiente para demover os homens de suas fraudes e maldades e libertar os homens de qualquer jugo ou escravidão. Proclamação do Evangelho e Responsabilidade Social são os braços da Igreja estendidos sobre o mundo convidando os homens para experimentarem o amor e a misericórdia de Deus revelada em Cristo.

Como Igreja plantada, organizada e encarnada em Itapira há 140 anos devemos aprofundar nossa consciência comunitária em relação a nossa responsabilidade social. As empresas possuem esta política. Muitos políticos também possuem este entendimento como a base de sua vocação. Como Igreja precisamos enxergar a Responsabilidade Social como parte inerente à nossa natureza missionária e assim junto com os homens de bem trabalharmos pela paz de nossa cidade.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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