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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
06/05/2014 | Luiz Santos: Família e Espiritualidade

Como é feliz quem teme ao Senhor, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao Senhor!” (Sl 128.1-4).

Afirmei na semana passada que a família é um santuário, uma Igreja doméstica. Hoje, desejo discorrer brevemente aqui sobre a espiritualidade da família. Uma família saudável há de encontrar a seu modo, um estilo de vida espiritual. Não existe um padrão definido de vivência da vida espiritual para uma família. Nem mesmo individual é possível estabelecer uma jornada espiritual para quem quer que seja. Cada família possui um ritmo, uma dinâmica própria interna. Tem costume, tradição, códigos, ritos que nascem ou são herdados quase que espontaneamente o que torna a vida de piedade uma característica singular de cada lar. Contudo, alguns elementos são imprescindíveis tais como a Bíblia, a oração, o cantar hinos e cânticos espirituais, individualmente ou em família.

Quando olhamos para as Escrituras logo aprendemos que religião é basicamente uma coisa que acontece em casa, nas famílias. Sim, havia o tabernáculo no tempo da peregrinação e o templo depois de Salomão. Deus providenciou para que como povo este fosse educado formalmente na fé e ainda tivesse acesso como nação a um culto organizado, coletivo, massivo, com cerimônias e ritos prescritos e devidamente conduzidos por sacerdotes e outros oficiais. Todavia, este culto público e formal do templo, bem ordenado e ‘rubricista’ era na verdade o resultado inevitável do ajuntamento dos indivíduos e famílias piedosas. A liturgia oficial, coletiva e pública recebia a sua têmpera, o seu calor dos corações aquecidos pela espiritualidade dos lares.

A páscoa era uma festa doméstica: “Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa... Então Moisés convocou todas as autoridades de Israel e lhes disse: Escolham um cordeiro ou um cabrito para cada família. Sacrifiquem-no para celebrar a Páscoa!” (Êx 12.3,21). A instrução bíblica era um dever intransferível dos pais: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar” (Dt 6.4-7).

Os pais deveriam ensinar a devoção aos filhos e conduzi-los para dentro da religião formal. Mesmo o Senhor Jesus submeteu-se a este processo: “Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor” (Lc 2.22) e “Quando ele [Jesus] completou doze anos de idade, eles subiram à festa, conforme o costume” (Lc 2.42). Poderíamos registrar aqui o que a ausência desta espiritualidade nos lares provoca, mencionar os casos de retumbantes fracassos na vivência da piedade familiar como o do Grande Rei Davi que não soube educar os filhos na fé e viu seus filhos, meio irmãos entre si,  um cometer estupro da própria irmã, outro vingar-se com sangue deste fato e ainda promover uma campanha de insurreição contra o Pai. Há o caso ainda de Hofni e Finéias filhos do importante sacerdote Eli. Conquanto oficiasse em nome de Deus nos interesses do povo, era complacente com os pecados de seus filhos.

Assim, aprendemos das Escrituras, de suas ordenanças e exemplos históricos, que a família não tem o direito de “terceirizar” a sua missão de adoração, ministração, catequese e formação espiritual. A frequência no templo, no culto público, bem como a frequência nos cursos e estudos sobre fé, teologia religião, ainda que necessários e imprescindíveis, nunca poderão satisfazer esta exigência na formação integral do crente que passa necessariamente pela vida religiosa na e da família. Igrejas fortes, comprometidas, ricas em ministérios e engajada missionariamente, com marcas de sadia espiritualidade, invariavelmente contam em seu seio com famílias que ainda cultivam o culto doméstico, o compartilhamento de leituras espirituais, a prática da disciplina, a mentoria espiritual e um ambiente maduro onde as fraquezas e as faltas podem ser reveladas para serem tratadas no perdão e na misericórdia, bem como as bênçãos podem ser contadas porque será certa a ação de graças. Famílias comprometidas com a sua espiritualidade fazem investimentos cujos ganhos se lucram por toda a eternidade.

Rev. Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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