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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
18/05/2016 | Luiz Santos: Família Trinitária

 Tudo que o Pai tem é meu” (Jo 16.15 a).

A Trindade em seu mistério insondável nos deixa perceber por sua revelação que os ‘divinos três’ vivem em plena harmonia na unidade indivisa da Trindade. Vivem em uma eterna relação de amor recíproco, amor indefectivelmente santo, amor incondicional. Um amor de profunda reverência, doação e serviço recíprocos no seio abismal da deidade eterna. Sabemos o que sabemos sobre Deus em seu mistério Triúno porque Ele mesmo nos revelou nas Escrituras Sagradas e iluminou os mais iminentes Teólogos e pastores da Igreja com arguta e perspicaz intuição teológica. Então, olhando para as relações intra-trinitárias, não foi difícil a Igreja ver na Trindade o mais belo modelo de família e ver na família tradicional e sua dinâmica interna um espelho relacional da Beatíssima Trindade. Qual a primeira marca da Trindade que a família deve imitar e espelhar para o mundo? A unidade! O Pai, O Filho e O Espírito Santo subsistem na unidade e unicidade de Deus. Um mistério que não cabe na lógica e no senso limitado e caído do homem, mas uma verdade revelada e apreendida pela fé. Nada pode separar a Trindade. Nem mesmo as suas operações externas. Nada deveria separar a família. Ninguém deveria separar o que Deus uniu. O casal unido entre si pelo pacto nupcial e vendo o seu amor expandido na geração de filhos deve cultivar a comunhão e a unidade da família a todo custo e para além de qualquer sacrifício. Todos os membros da família devem evitar a todo custo o que pode desintegrar e dissolver os vínculos familiares, como o álcool, as drogas, a pornografia, a violência doméstica e as companhias estranhas, por exemplo. A outra marca a ser imitada é a individualidade e a valorização singular de cada pessoa. O Pai não é o Filho. O Filho não é o Pai. Pai e Filho não são o Espírito e o Espírito não é nenhum dos outros dois. A unidade perfeita e indissolúvel da Trindade não anula a personalidade e a individualidade. Embora cada um seja o que é, cada qual é valorizado e amado em sua distinção. Todos, tem de cada um e recebem de cada um a mesma deferência em amor e tudo o mais. Em nossas famílias precisamos aprender a valorizar a inestimável riqueza da diversidade que existe na singularidade de cada membro. As nossas diferenças e nesse caso de outra ordem em nossa natureza humana, é justamente o que enriquece a nossa relação e convivência família. Essa singularidade e essa individualidade é o que permite a unidade na diversidade e complementariedade de dons, talentos e etc. que só tornam a nossa vida mais rica. A outra marca é a felicidade. A Trindade é indefectivelmente e completamente feliz. Felicidade que consiste na plena satisfação da existência e convivência com o outro. Deus estabeleceu o casamento e nele a intimidade sexual e a geração de filhos para compartilhar com os homens essa sua felicidade. A família é um projeto e um caminho para a felicidade. Portanto, a felicidade de um é a felicidade do outro. Um membro feliz não quererá ser feliz sozinho, isolado, quererá comunicar e fazer participar o outro de sua felicidade. Esse outro, por sua vez, há de sentir-se feliz pela felicidade do outro. Assim, a vida familiar é um convite à felicidade. A outra marca é o tipo de amor existente na Trindade. É amor oblativo, sacrificial, de entrega total e incondicional ao outro. Também nossas famílias precisam descobrir e viver esse amor, que historicamente foi manifestado na cruz do Salvador. O amor familiar não se resume no amor prazeroso e nem pode ser traduzido por um amor de preferências excludentes. O amor que deve existir na família é aquele que busca o bem do outro mais do que o próprio, que não faz escolhas com base na aparência ou em qualquer coisa que distinga o outro, mas com base na gratuidade e na gratidão pelo dom do outro. Na trindade a missão marca as relações e caracteriza o próprio ser de Deus como um Deus em missão. A família cristã também deve imitar e viver em sua vocação mais profunda como uma agência missionária primária. Além da específica missão dos pais com relação aos filhos, a família tem também uma missão a desempenhar no mundo. Missão de gerar filhos para Deus e profetas, sacerdotes e reis para servirem no mundo com os valores do Reino. Assim com Deus triúno que não quis existir e viver para si mesmo e quis compartilhar e comunicar ao mundo o seu amor, também as famílias são convocadas a dar a conhecer ao mundo, violento, insensível e depravado as belezas do amor e da vida que só podem ser encontrados em Deus para a salvação da humanidade. Todos os caminhos de paz e de futuro para a humanidade passam pela graça e pela bênção da família.

Reverendo Luiz Fernando é ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira e professor de Filosofia e Bioética no Seminário Presbiteriano do Sul e de Filosofia na Faculdade Internacional de Teologia Reformada – Fitref.

Fonte: Luiz Santos

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