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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
13/11/2013 | Luiz Santos: Grata memória

 Deem Graças a Deus em todas as circunstâncias” (1Ts 5. 18).

Há um hino em nosso hinário que gosto de cantá-lo repetindo vagarosamente cada palavra, como que saboreando o sentido profundo e maravilhoso que cada uma possui. O hino em questão é o que dá o título a esta pastoral “Grata Memória”. É o hino 64 do Hinário Novo Cântico em uso atualmente na Igreja Presbiteriana no Brasil. A primeira e a quarta estrofes me tocam de maneira especial: “Nunca meus lábios cessarão ó Cristo, de bendizer-te, de cantar-te glória; Pois guardo na alma teu amor imenso: Grata memória!” - e ainda: “Aos fortes braços eu corri confiante, meigo e bondoso, não me recusaste; e em te imenso, suave amor, tão puro, me agasalhaste!” .

Não saberia exatamente o porquê da melodia tocar tanto assim o meu coração, mas a meditação demorada em cada expressão de cada estrofe sempre me leva a contemplar as maravilhas do amor de Deus. As grandes e maravilhosas demonstrações deste amor para comigo nas mais variadas circunstâncias da minha vida. De tanto cantar e meditar neste hino, aprendi uma lição imprescindível para a minha vida espiritual que creio ser importante para você também uma vez que possui fundamento bíblico. O cristão deve desenvolver a virtude de colecionar e guardar na memória do coração as muitas e variadas bênçãos de Deus em sua vida. Deverá guardá-las na memória afetiva e devota do coração. Deverá abastecer a sua memória e treinar a sua mente a reconhecer e acessar sempre que possível a recordação destas bênçãos.

São a mente e o coração abastecidos de gratidão, de memórias de gratidão que nos animam e nos permitem a iniciar um novo dia, recapitular a nossa história, voltar ao ponto de onde paramos, quase desistindo, para concluir os ciclos e as muitas fases da vida. Sem o combustível da lembrança constante dos feitos de Deus, as lutas e as dificuldades do presente parecem agigantar-se diante de nós. Revelam-se sempre mais críticas do que realmente são e podem provocar uma paralisia estéril em nossa vida. Sem trazer à memória as vitórias de Cristo em nossa vida não só o presente parece caótico, perdido num labirinto, sem soluções e desesperador, mas também o futuro será sempre sombrio, amedrontador!

Nas Escrituras Sagradas encontramos o livro das Lamentações, livro escrito pelo profeta Jeremias, um homem acometido por muitas perseguições, situações de vexação pública, acumulou um sem número de grandes decepções ao longo de sua vida e ministério. Entretanto, a pesar de tudo, ele acumulou muito mais em sua memória as consolações, os livramentos, as providências, as demonstrações de cuidado e ternura, as declarações de aliança e de compromisso fiel por parte de Deus em sua história pessoal, em seu ministério e para com Israel. Um homem que conheceu a dor, ainda assim encontrou ocasião e motivo para escrever o seguinte: “Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança: Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se a cada manhã; grande é a sua fidelidade. Digo a mim mesmo: a minha porção é o Senhor, portanto, nele porei a minha esperança” (Lm 3. 21-24).

 Em tempos difíceis, de grande aflição e de tribulações interiores e exteriores, não há melhor remédio do que pregar a Palavra à nossa própria alma, como fez Jeremias. E como ele fez? Trazendo a memória os feitos amorosos de Deus colecionados com esmero durante a vida, que em muito suplantavam as doridas experiências e as muitas perdas ao longo da vida. Temos sempre estas duas opções: Colecionar tristezas, azedumes, derrotas e semear em nós mesmos a frustração até chegarmos ao desespero, o cinismo e o niilismo. Não estou dizendo com isso que devamos ignorar a realidade, fingir que os dias maus não existem, não! O cristianismo vive da realidade. Então o que fazer para não acumular estes lixos existenciais que só amarguram a nossa alma? Aqui as Escrituras nos ajudam mais uma vez: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (1 Pe 5.7). A outra opção é reter na alma grata memória, a experiência dos ‘fortes braços e do amor que nos agasalha’. É ter sempre na mente e no coração vívida impressão de um Deus sempre presente, sempre pronto, todo atencioso e cuidador dos seus. Colecione gratidão e não te faltará esperança.

Por um viver cheio de gratidão e esperança,

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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