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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
02/09/2015 | Luiz Santos: Ícone Trinitatis

A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós" (2 Co 13.13).

Um dos títulos mais belos para um livro que já li é: A Santíssima Trindade é a melhor comunidade, escrito pelo ex-frade franciscano Leonardo Boff. Conquanto se possa discordar ou desconfiar de algumas afirmações contidas ali, eu mesmo gostaria muito de ter escrito algo com este título. De fato, se a igreja deve refletir em sua missão e em sua natureza o caráter deste Deus Triúno é porque Ele mesmo é o melhor modelo de vida comunitária e de relações marcadas pelo amor, pela comunhão, pela unidade perfeitíssima na diversidade e pela solidariedade na missão.

Então, não há mesmo melhor comunidade do que a Santíssima Trindade e a Igreja visível e em missão no mundo deve ser seu ícone, isto é, a sua imagem. Daqui se conclui que se alguém quer saber como Deus é e com o que Ele se parece, como são as suas feições, de alguma maneira misteriosa, porém real. Por uma visão embaçada, contudo, verdadeira, deverá olhar para a comunidade dos discípulos, para a igreja estabelecida sobre a Terra que está em estado permanente de missões participando ativamente na Missão de Deus no mundo.

Uma igreja trinitária é, antes do mais, uma comunhão de pessoas do que uma instituição. É uma comunidade profundamente relacional e toda a sua atividade deriva desta realidade. Assim como na Trindade onde o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem numa eterna e fecunda relação de amor e comunhão, a igreja deve reproduzir em seu seio esta vida. A vida da comunidade proclama o Evangelho ao mundo em forma de testemunho e sinal de contradição.

Em nossa cultura e sociedade marcadas pelo egoísmo, pela brutalidade, pela desagregação e por relações utilitaristas, descartáveis e excludentes, a igreja é convocada a viver na contramão destas coisas. Olhando para o mistério da Trindade a igreja aprende as lições de uma relação vivida no amor que se abre e se entrega totalmente ao outro, no amor que é serviço em promoção da vida e participação e inclusão plena de todas as pessoas na missão. Todos são igualmente importantes, ninguém nunca é excluído de coisa alguma, tudo nesta relação fica subordinado ao amor que se deve manifestar um ao outro.  

Olhando para a Trindade aprendemos que há o primado do ser, da pessoa em si mesma sobre todas as outras realidades. A pessoa do Pai é a realidade mais importante para o Filho. A pessoa do Filho é a causa de toda alegria e prazer do Pai. Pai e Filho desejam a presença do Espírito e este por sua vez preocupa-se com a glória de ambos.

Numa comunidade que espelha a Trindade a pessoa deve preceder a organização, a instituição e os cargos e ofícios. A realidade existencial do outro é o bem maior da comunidade e a sua razão de ser em missão. O irmão deve ser acolhido, amado, valorizado, defendido em sua dignidade, protegido em suas carências e fraquezas e nunca se ver exposta ou aviltada por causa de suas imperfeições e mazelas.

Na Trindade bendita, as pessoas recebem honra e glórias recíprocas. Na Igreja a verdade não pode ser outra, devemos zelar pela honra e pelo bom nome de nossos irmãos. Devemos nos rivalizar em honra-nos uns aos outros e não em sobrepujarmo-nos uns aos outros em títulos e honrarias meramente humanos.

Olhando para a Trindade aprendemos o valor do diálogo profundo e contínuo. Pai, Filho e Espírito Santo vivem em estado eterno de Concílio, de abertura, de escuta, de acolhida. Em uma igreja imagem da Trindade não há lugar para pequenos ditadores, lideranças despóticas, prevalência da vontade calcada em quaisquer formas de poderes, quer econômicos, sociais, culturais, ou o peso da tradição de uma família ou algo do gênero.

Assim como na Trindade, todos devem ser ouvidos. Todos tem o privilégio-dever de falar, de propor, de participar das decisões e depois de assumi-las como suas. Na Trindade não há vencidos e vencedores. Na trindade não há quem vença pelo “soco na mesa” ou por falar mais alto. O diálogo trinitário é construído com base na lealdade, no amor, na interdependência e na verdade. A igreja não pode desejar nada diferente para fazer a diferença no mundo.

Por último, sem esgotar a riqueza do assunto por falta de espaço aqui, na Trindade tudo é feito com a mais perfeita solidariedade. A Missão de um é a Missão de todos. Não obstante cada um tenha tarefas muito específicas, todas as três pessoas da Trindade estão comprometidas na Missão de cada um. A igreja tem o dever de reproduzir em sua atividade o mesmo. Somos todos igualmente convocados, equipados e enviados, sem exceção. Embora cada qual seja destinado a realizar uma função, nossos ministérios são inextrincavelmente interdependentes. O êxito de um é o êxito de todos. A dificuldade de um é um desafio para todos. Que a Trindade seja o nosso modelo! Que a nossa igreja seja uma imagem da Trindade!

Rev. Luiz Fernando Dos Santos É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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