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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
19/06/2014 | Luiz Santos: Igreja Presbiteriana, 140 anos de Culto Reformado em Itapira

“Em vão me adoram ensinando preceitos humanos” (Mt 15.9).

Continuamos as comemorações dos 140 anos de nossa amada Igreja aqui em Itapira. A cada semana tenho me esforçado para dar a entender o que significa exatamente ser um cristão presbiteriano. O que leva a ser “essencialmente” diferente dos outros irmãos que confessam a Cristo como seu único e suficiente salvador. Prestem a atenção, nunca, jamais tivemos a pecaminosa intenção de afirmar que nós presbiterianos somos melhores, ou mais sinceros ou mais santos que os demais cristãos. Apenas e tão somente temos o dever de apresentar as nossas credenciais e o nosso padrão confessional, bem como a nossa identidade.

Uma das marcas indeléveis da Igreja Presbiteriana é o seu padrão de culto. Muitos cristãos, mesmo nascidos e crescidos em lares evangélicos às vezes não se sentem à vontade com a formalidade, a ordem e a reverência de nossas assembleias. Mas católicos romanos ou cristãos sem igreja (se é que isso é biblicamente possível), ou pertencentes a outras religiões são tomados também de certa surpresa, talvez esperassem maiores demonstrações de alegria, euforia ou quem sabe alguma bizarrice em nome de ser uma igreja avivada. As Igrejas nascidas e mais ligadas à Reforma Protestante possuem outro entendimento para o padrão, o jeito de adorar a Deus conforme por ele mesmo requerido.

Existem irmãos de outras confissões que dizem que nosso culto não possui alegria, mas de que alegria ele está falando? Se for uma alegria produzida e controlada pelo ministério de louvor, ou induzida pelo ministro, ou artificialmente criada por uma atmosfera de informalidade que beira o insano, então de fato, esta alegria está ausente dos cultos presbiterianos, e precisa mesmo estar. Veja o que diz a Palavra de Deus sobre o entrar na presença de Deus: “Portanto, já que estamos recebendo um Reino inabalável, sejamos agradecidos e, assim, adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso Deus é fogo consumido!” (Hb 12.28-29).

Reverência é a marca do culto reformado. Reverência e alegria. Mas temos que entender qual é a alegria que deve estar presente no culto: “Prestem culto ao Senhor com alegria; entrem na sua presença com cânticos alegres. Reconheçam que ele é o nosso Deus. Ele nos fez e somos dele: somos o seu povo, e rebanho do seu pastoreio” (Sl 100.2); “Bendiga ao Senhor a minha alma! Bendiga ao Senhor todo o meu ser! Bendiga ao Senhor a minha alma! Não esqueça de nenhuma de suas bênçãos! É ele que perdoa todos os seus pecados ” (Sl 103.1-3-3). Há lugar para a alegria humana, deve haver, é impossível uma adoração agradável a Deus sem o deleite do homem.

Todavia, como presbiterianos, entendemos que a alegria é uma atitude, uma qualidade do coração. Estar alegre é estar grato ao Senhor por nos libertar de nossa condenação. Este é um ponto que devemos enfatizar. A alegria no culto será cultivada e expressa somente quando as pessoas estão profundamente convictas dos seus pecados e miséria! Nossas emoções, subjetivas, precisam estar enraizadas na obra objetiva de Cristo. Alegria não se fabrica, se cultiva! Assim, reverência, sobriedade, seriedade, são encontrados no culto porque temos a consciência de estarmos na presença tremenda de Deus e estamos alegres porque este Deus maravilhoso se interessa por nossas miseráveis vidas e quer falar a nós mediante a sua Palavra. Sem mistérios, sem línguas ou expressões ininteligíveis, mas pela simplicidade, clareza e objetividade de sua Palavra registrada nas Escrituras e que deve saturar a adoração.

Na adoração de uma Igreja genuinamente presbiteriana a Bíblia, a Palavra de Deus deve ser lida, ouvida, cantada, recitada em conjunto, ouvida e acolhida religiosamente como o mais importante meio de graça no sermão e vista e tocada nos sacramentos. Ou seja, o culto de uma Igreja Presbiteriana não é um lugar onde milagres, revelações, testemunhos, cânticos, solos, e coros têm a primazia, mas sim a Palavra de Deus. Nosso paradigma espiritual é a Liturgia celeste, aquela do Apocalipse. Cremos que quando nos ajuntamos o Senhor maravilhoso e o Cordeiro que esteve morto mas reviveu, desde o trono governa todas as coisas por meio de sua Palavra inerrante, veraz, perfeitíssima, santa, abundante de boas promessas tanto quanto repleta de severas advertências.

No Culto Reformado não fazemos coisa alguma para Deus, afinal, o que poderíamos nós oferecer-lhe? Mas é Ele que faz tudo para nós. Nossa adoração não o faz mais Deus do que Ele já é e sempre será. Nossa falta de culto ou fé jamais diminui ou empalidece um único de seus perfeitos e santíssimos atributos divinos. Mas Deus, quando requereu de nós o Culto e o prescreveu exatamente quais elementos deveria conter, “segundo o rito” (Lv 9.16; Lv 10.1; Dt 12. 29-32) foi pensando em nosso bem, em nossa edificação. Porém, entendemos que devemos adorá-lo em nossa liturgia conforme o que Ele determinou, caso contrário veja o testemunho das Escrituras: “Tais cousas tem aparência de sabedoria, como culto de si mesmo...” (Cl 2.23).

Reverendo Luiz Fernando

Ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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