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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
03/08/2016 | Luiz Santos: Missionar, na primeira pessoa do singular

Para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação” (Sl 67.2).

A cada ano o mês de agosto traz consigo na Igreja Presbiteriana do Brasil um tempo precioso de aprofundamento missionário. Claro que o tema das missões nunca se ausenta, pelo menos não em definitivo, da pregação, reflexão, estudo e oração da igreja. Temos uma “vozinha” em nossa consciência que não nos deixa esquecer por completo de nossa razão histórica de existir. Infelizmente, outras preocupações e tarefas da vida da comunidade, outras demandas, nem sempre justificáveis, roubam a nossa atenção e boa parte de nossas energias. Mas, o tema da missão, até por ser uma tarefa comissionada com validade permanente e à essa altura, também inacabada, reclama sempre de nós uma atenção e um compromisso sempre renovados. As missões não são uma opção dentre as muitas coisas que uma igreja tem a fazer. Antes, é parte inerente de sua natureza, finalidade e vocação. Ou somos uma comunidade em missão no mundo ou não somos igreja em sentido algum. Todavia, antes de conjugarmos o verbo missionar na primeira pessoa do plural, devemos conjugá-lo na primeira pessoa do singular, isto é, ‘eu missiono’. E o que isso significa? Antes de mais nada, significa maturidade cristã, significa um estágio avançado de discipulado em amorosa obediência na plena compreensão do Evangelho. Para que haja missões será necessário existirem missionários. Mas, ainda teimamos em pensar que missionário é aquele irmão, que num ato heroico e às vezes irresponsável, deixa para trás uma vida de razoável conforto e segurança, para romanticamente aventurar-se em terras estranhas e países longínquos para anunciar a Cristo aos pagãos. Excetuando-se o irresponsável, o heroico, a aventura e o romântico, de fato, um tipo de missionário é aquele que é chamado a viver, servir e anunciar em um contexto muito diferente do seu, longe do lar, da pátria e dos irmãos da igreja local. Mas, todo aquele que professa ser Jesus Cristo seu Salvador pessoal e seu Senhor exclusivo, sendo um discípulo, é naturalmente um missionário. Todos os que foram retirados do mundo por meio do Evangelho, vindo a Cristo foram purificados, santificados, empoderados, comissionados e devolvidos ao mundo. Agora, não mais como pertencentes ao mundo, mas como missionários do Rei do Reino de Deus, como testemunhas e pregadores do Evangelho. Devido à natureza cooperativa da igreja e a sua realização histórica, Deus mesmo estabeleceu ofícios e ministérios de dedicação específica e às vezes exclusiva para a estruturação, desenvolvimento e solidificação da igreja. Contudo, esses ofícios e ministérios são especializações para o serviço e o progresso da vida de todos os santos, que, como disse acima, são comissionados para servir no mundo como enviados do Senhor Jesus. Por tanto, as missões são possíveis na medida em que cada cristão de maneira responsável e consciente assume a sua parte pessoal e intransferível como cooperador com aquilo mesmo que Deus está fazendo no mundo nesse exato momento. Para que isso aconteça, além, é claro, de uma vida devocional rica, com leitura assídua e proveitosa das Escrituras, oração e meditação diárias e participação ativa na vida da igreja, o cristão precisa ler jornais, revistas, acessar sites de jornalismo e tomar conhecimento de informes missionários ao redor do mundo. Tudo começa com o abastecimento da mente e do coração com a Palavra de Deus e a realidade histórica, palco onde Deus está atuando nesse momento. Não há coisa alguma acontecendo no mundo nesse momento que não seja do interesse do Cristão. Bernardo de Claraval chegou mesmo a afirmar: “Os interesses de Deus são os meus interesses”. Isso quer dizer que aquilo que acontece na política, na economia, nas relações entre as nações, nos conflitos bélicos, nas tragédias humanitárias, nas rotas migratórias mundiais e nas calamidades decorrentes da natureza, tem sempre a ação graciosa, providente, sábia e amorosa de Deus. Precisamos ter a lucidez espiritual necessária, bem como inteligência para saber como responder a esses eventos que sempre são oportunidades para nos comprometer em oração, serviço, doação, testemunho e anúncio. Desde a Ascensão vivemos os “últimos dias” e a história está passando vertiginosamente diante de nossos olhos. Missionar é preciso, assuma o seu posto, esteja alerta, comprometa-se e participe no ‘agora de Deus’ no mundo. Eu missiono!

Rev. Luiz Fernando é Ministro da Palavra e dos Sacramentos na Igreja Presbiteriana Central de Itapira.

Fonte: Luiz Santos

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