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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
20/12/2013 | Luiz Santos: Natal Missionário

 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14).

Há dois aspectos do Natal para nós cristãos ainda pouco percebidos e explorados, pelo menos aqui em Itapira. Falo dos aspectos missiológico e missionário do Natal. O evento da Encarnação do Verbo em seu aspecto missiológico deve provocar em nós profundas reflexões sobre o que é ser cristão e igreja em nosso contexto. Em primeiro lugar o Natal nos ensina que as boas notícias e os acontecimentos que importam na salvação de pecadores não são mera filosofia. Não são abstrações, não são ideias e conceitos pura e simplesmente. O Natal é um fato histórico, geográfico, cultural e antropológico para dizer o mínimo. Jesus nasceu, viveu, morreu e ressuscitou de verdade.

Embora os Evangelhos não sejam necessariamente uma biografia, existem outras provas e evidências sobre o Jesus histórico: o livro de Atos, as cartas paulinas, os discípulos, as marcas deixadas no império romano, na cultura grega, Flávio Josefo a própria realidade da Igreja e etc. Jesus nasceu e passou toda a sua existência terrena em um ponto preciso do ‘Mapa Mundi’.  Andou pelas aldeias, vilarejos, campinas, encostas de lagos que se podem encontrar ainda hoje sem dificuldades invencíveis para a arqueologia e até para o simples turista. Jesus assumiu uma cultura, a judaica. Aprendeu, viveu, transmitiu e até interpretou seus códigos, costumes, religião e leis. Não era um alienígena, alguém que destoava. Falava a mesma língua e se fazia compreender por seus interlocutores, numa palavra, Jesus se identificou com o seu campo missionário!

Do ponto de vista missionário entendemos que Jesus fez uma clara opção: Pecadores, marginalizados, pobres, doentes, cegos, coxos, leprosos e etc. Se era uma opção preferencial não era, entretanto, uma opção excludente. José de Arimatéia, Nicodemus, Zaqueu, Levi  (Mateus), Lázaro e Judas Iscariotes, para citar alguns, eram pessoas bem colocadas na vida. O fato, porém é que Jesus foi ao encontro dos mais sofridos. Jesus assumiu publicamente um compromisso com os pobres: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos” ( Lc 4.18) e assumiu assim o a “Agenda” de seu Pai já estabelecida no Antigo Testamento: O Espírito do Soberano Senhor está sobre mim porque o Senhor ungiu-me para levar boas notícias aos pobres. Enviou-me para cuidar dos que estão com o coração quebrantado, anunciar liberdade aos cativos e libertação das trevas aos prisioneiros” (Is 61.1).

O Natal nos recorda então que como cristãos e igreja não podemos nos conformar em ser um corpo estranho na sociedade. Não podemos nos fazer passar por um grupo de pessoas excêntricas, com linguajar incompreensível, sinais litúrgicos que carecem de muita interpretação. Nossa missão não está em nossa separação social e cultural do mundo. Fomos retirados do mundo, separados dele moralmente. Fomos purificados no lavar regenerador da Palavra e do Espírito e devolvidos, enviados ao mundo com a mesma missão de Jesus devendo fazer as mesmas opções que Ele fez.

O cristão e a Igreja não podem dar-se o luxo de viver a sua presença no mundo fazendo coisas que Jesus mesmo não faria. Ou pior, não fazendo e negligenciando o que Ele ordenou que fizéssemos. O Natal exige de nós um evangelho encarnado, uma igreja encarnada, uma igreja solidária. Nossa cultura está saturada de informação, de discursos, de palavras soltas ao vento. Podemos parafrasear a carta aos Romanos e dizer que nossa cultura “geme em dores de parto, aguardando a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8.19). E como nos manifestaremos? Pelo mesmo motivo do Pai ao enviar o Filho: “Deus amou o mundo de tal maneira” (Jo 3.16), nos manifestaremos encarnando o amor onde ele se faz mais ausente, nas periferias, entre as crianças em situação de risco, indo ao encontro dos adolescentes e jovens reféns das drogas e do tráfico, estendendo as mãos sem preconceito para o povo em situação de rua.

Todavia, já que o amor não exclui, precisamos manifestá-lo também aos ricos e ‘empoderados’ que vivem alienados e advertir-lhes: "Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens "(Lc 12.15) e assim convidá-los para a festa da partilha e da solidariedade, não como mera filantropia ou vantagens fiscais, mas por amor e submissão Àquele que por amor desceu dos céus para nos salvar. Façamos deste Natal um compromisso com as missões.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

 

Fonte: Luiz Santos

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