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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
10/12/2014 | Luiz Santos: Nós concordamos!

 Nada façam por partidarismo ou por vaidade, mas humildemente considere os outros superiores a si mesmos” (Fp 2.3).

O Novo Testamento dá testemunho de como as coisas eram decididas na Igreja Primitiva. Este deve ser o padrão a ser seguido pela igreja em todos os tempos. Sempre houve uma liderança organizada e estabelecida. Sempre houve líderes mais ou menos expoentes. Claro, como na Igreja de Corinto ou numa das Igrejas da Ásia com um tal Diótrefes (3Jo 1.9), também não faltaram os problemas com o personalismo, o culto à personalidade e a sede de poder e etc. Mas, apesar de tudo isso, as decisões mais importantes da Igreja eram tomadas em conjunto, com a participação e a manifestação de todos, com a moderação, condução e sabedoria da liderança constituída (Atos 15).

Aprendemos com isso que na Igreja de Cristo não há uma hierarquia ou uma casta especial de crentes, não há ‘super cristãos’ ou pessoas que possuam uma unção tal que as faça mais especiais que os demais irmãos. Todos gozam da unção fundamental de pertencerem a Cristo, de terem recebido o batismo com Espírito Santo no dia de seu novo nascimento. Todos, segundo o dom de Cristo e a medida da fé de cada um, receberam dons espirituais, carismas, vocações e ministérios os mais variados e todos complementares entre si (1 Co 12). Isso nada mais é do que uma dimensão do sacerdócio universal dos crentes que capacita a todos os salvos a servirem a Deus na Igreja e no mundo enquanto gozam da maravilhosa Graça de tratarem com Ele na intimidade dos santos dos santos.

Todavia, a Igreja não é propriamente uma democracia. A democracia é um sistema político ‘menos ruim’ que todos os outros e só. É um sistema que divide em partidos, grupos rivais e nem sempre a maioria acerta em suas escolhas. Mas, como disse, é o menos ruim de todos os outros já testados na história. A Igreja é uma TEORACIA, ou seja, Deus está no governo e exerce ainda as funções de legislador e juiz. Mas esta teocracia absoluta não anula, antes motiva, a liberdade moral dos membros da igreja, por isso lançamos mão de um dos expedientes da democracia, o voto direto e a liberdade para escolher entre um e outro.

Mas há uma profunda diferença, temos que estar de tal maneira amadurecidos e iluminados em Cristo e pela Palavra que nossas escolhas e decisões sejam pautadas pelas Escrituras e coincida com a vontade de Deus. Não podemos nos deixar impressionar pelos predicados humanos. Não podemos nos deixar condicionar pela lei da conveniência pura e simplesmente. Não podemos ter em mente o desejo de agradar os homens (Gl 1.10). Antes, em tudo, devemos buscar em oração, jejum (At 13), dedicação pessoal e estudo sério da Bíblia a direção desejada por Deus de maneira especial quando se tratar da escolha de oficiais para o serviço de liderar a Igreja. Devemos cultivar no coração o desejo de escolher os escolhidos e eleger os já eleitos por Deus. “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28) não significa que o Céu concorda com a nossa escolha. Significa antes que soubemos escolher, discernimos como auxílio do Espírito àqueles separados e apontados por Deus para a obra.

A Assembleia Extraordinária da Igreja para a Eleição de Oficiais é uma instância de governo na Igreja Presbiteriana do Brasil e é coisa séria. Não pode ser vista apenas como um ato administrativo, coisa que o é definitivamente, o que por si só reclamaria zelo. Mas é muito mais. É um ato de Igreja e um ato espiritual decisivo, pois a escolha de homens não convertidos implicaria na eleição de ‘falsos mestres’ e o ensino de uma falsa doutrina e a proposta de uma falsa ética. Falsos modelos “pirateiam” a igreja, fazem caricaturas do Evangelho da Graça.

Portanto irmãos amados e queridos do Senhor, renovemos com zelo santo o desejo de exercer a nossa autoridade e liberdade espiritual na escolha dos novos oficiais na Igreja ou na renovação dos mandatos daqueles que o exerceram com seriedade e compromisso. Façamos tudo sob o temor do Senhor e amor devotado à Igreja. Que nossos corações concordem na terra e que nestejamos de acordo com o que o Céu estabeleceu. Não procuremos simplesmente o que nos interessa, mas nos dediquemos também aos interesses coletivos (Fp 2.4). Que em tudo seja feita a vontade de Deus para o bem da Igreja, a santificação de nossas almas e o avanço do Evangelho no mundo. Soli Deo Gloria!

Reverendo Luiz Fernando

É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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