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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
24/10/2012 | Luiz Santos: Nova Reforma?

 “Ele lhes disse: “Por isso, todo mestre da Lei instruído quanto ao Reino dos Céus é como o dono de uma casa que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas.” (Mt 13.52).

Por ocasião do mês dedicado às comemorações da Reforma Protestante, não raras vezes, aparecem artigos, escritos, conferências e etc., propondo a urgência e a oportunidade de uma Nova Reforma da Igreja. Não sei ao certo se eu concordo muito com este tema. Prefiro pensar em continuar, aprofundar, aperfeiçoar, dar maior alcance e ao mesmo tempo retornar, voltar às fontes.

Nossos Reformadores nunca tiveram a pretensão de ver concluída a obra da Reforma já em seus dias. Primeiro porque possuíam a certeza de que o movimento era uma ação livre da vontade soberana de Deus tratando com a sua amada esposa. Em segundo lugar, não desconheciam as complexas e variadas situações da Igreja de Cristo e a variedade das experiências vividas pelos santos onde os ventos reformadores sopravam. O contexto cultural, político e eclesiástico, bem como os autores humanos podiam ser muito diferentes. E, por fim, conheciam a pecaminosidade da natureza humana, os erros e enganos dos corações, ainda que santificados pela Palavra e pelo Espírito, muito da vaidade “adâmica” podia ser encontrado. Logo, os nossos pioneiros bem sabiam que a Reforma era um processo iniciado em seus dias, tendo-os por instrumentos, mas pela própria dinâmica da história e da natureza humana nunca acabada, sempre carecendo de aperfeiçoamento: “Ecclesia Reformata sed sempre Reformanda”!

Assim como nos 1600 de história até a chegada da Reforma protestante, a Igreja acumulou ao longo do tempo um patrimônio cultural, teológico, espiritual e político nem sempre compatíveis com a pureza, a simplicidade e a verdade devidas a Cristo e a Palavra de Deus. 495 anos depois, nossa situação não é muito diferente. Luthero, Calvino, Melancthon, Zwinglio, Beza, Farel, Knoxx, foram usados por Deus para que com zelo purificassem a Igreja de Cristo do acúmulo de tradições e costumes humanos, quer na pregação e no ensino, quer na liturgia e celebração dos sacramentos, quer no governo e administração da igreja, quer na própria auto-compreensão da natureza e missão da Igreja no mundo.

Em nossos dias a Igreja precisa de mais esta “faxina” institucional, espiritual, ética, moral, litúrgica e etc. Novas-velhas heresias, e novos-antigos erros estão aí com roupagens sofisticadas. Patriarcas, apóstolos, bispos, pregadores de indulgências e vendedores de milagres, superstições com lenços, águas, suores, fogueiras e campanhas estão aí mais vivos do que nunca. E não podemos culpar outros arraiais. Não, estas coisas estão grassando em nossas searas, nascem exatamente do esquecimento ou pelo menos, desconhecimento, ou ainda abandono da Palavra de Deus.

Não quero acusar ninguém de charlatanismo, pelo menos ainda não e nem por este veículo. Mas estes propaladores de sonhos e visões com suas fantásticas ofertas de felicidade sem cruz e sem disciplina bem que poderiam estudar com afinco Jeremias 23...mas, meu intuito aqui é lembrar à Igreja de que nós também precisamos passar por esta limpeza. Devemos abrir mão de nossas tradições, e olha que temos história para isso, quando estas não nos identificarem com Cristo e quando não facilitarem que vivamos o evangelho de modo mais pleno, real e concreto. Devemos jogar para longe de nós aqueles costumes que nos levam a fazer por fazer, porque sempre se fez a assim, escravizados pelo “mito de Gabriela”: ‘eu nasci assim, eu vivi assim’. Precisamos passar nossa liturgia, nossos hinos e cânticos, o conteúdo de nossos sermões e estudos no escrutínio da Palavra de Deus, a fim de checar a validade do culto que prestamos ao Senhor.

Sempre corremos o perigo de sermos contaminados pelos modismos, pelo secularismo, pelo mundanismo, enfim pelo desejo de oferecer um “fogo novo” no altar da adoração, como fizeram Nadab e Abiú.

A Reforma de que precisamos não é ir ao encontro de uma nova experiência pura e simplesmente, e nem desenvolvermos uma nova linguagem eclesial, com um culto mais informal, uma espécie de Talk Show. Evidentemente que muitos elementos circunstanciais de culto e governo devem e podem se amoldar ao contexto. Contudo a Reforma de que carecemos com urgência é uma VOLTA às fontes límpidas e cristalinas das Escrituras para dela haurir toda luz, todo fôlego de vida, todo frescor de que necessitamos para tornar Cristo, seu Evangelho e seu Reino como a eterna Boa Nova para o mundo.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor Mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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