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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
19/07/2016 | Luiz Santos: O Ministério Pastoral nas Igrejas Reformadas

 “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21. 17c).

A Reforma Protestante está para completar 500 anos desde os seus inícios. Em 31 de outubro de 2017 todo o mundo cristão protestante, reformado e evangélico estará em contrição, por seus pecados históricos, e em festa e ações de graças pela fidelidade e bondade de Deus. Muito se tem dito do que foi e quais as consequências da Reforma Protestante. Na verdade, mais se fala de suas consequências na vida geral da Igreja e de seus desdobramentos na política, educação, cultura, estética, ética e etc. Há contudo um aspecto chave na Reforma que por vezes passa desapercebido até mesmo pelos protestantes que é a Reforma Pastoral. O pastorado, isto é, o ministério eclesiástico, sua natureza e pertinência, foi uma preocupação que tomou grande tempo e exigiu muito esforço dos Reformadores e das gerações que os seguiram.  A doutrina do sacerdócio universal dos crentes tão cara a Lutero e aos demais reformadores não extinguiu o ministério público e especializado na Igreja. A Igreja estabelecida de então havia reduzido a função dos sacerdotes em ministradores dos sacramentos e condutores da liturgia da missa. A missa era celebrada numa língua completamente estranha à maioria simples do povo e não raro, em muitas aldeias e vilas, também o ‘Cura’ era alguém que apenas havia decorado a “latinorum” e mal sabia ler e falar qualquer coisa articulada da doutrina e das Escrituras. Os grandes teólogos e doutores estavam encastelados nas Universidades, na corte palaciana ou nos grandes mosteiros e conventos. O povo era duplamente ignorante e relegado à essa ignorância. Não possuía acesso ás letras e não podia ler e nem ouvir a exposição das Escrituras. Tanto é verdade que daí vem o surgimento dos encantadores e maravilhosos vitrais das catedrais da Idade Média. Esses, eram a Bíblia dos pobres, que não podendo ler, podiam ao menos contemplar os mistérios da fé e as histórias das Escrituras. Porém, a fé vem pelo ouvir (Rm 10.17), e desde cedo, ao lado da tradução da Bíblia para a língua falada pelo povo, o enxugamento e a tradução da liturgia para uma celebração inteligível e simples, veio a inevitável necessidade de pastores capacitados para a leitura, exposição e aplicação das Escrituras para a edificação do povo de Deus. Depois na Reforma, a principal função dos ministros passou a ser a pregação da Palavra, sua exposição clara e sua aplicação à vida concreta do homem comum que deveria viver a sua vocação à santidade em seu contexto concreto de vida. Calvino, por exemplo, cria e ensinava que não o papa e nem os bispos, mas na igreja local, cada ministro da palavra faz às vezes dos apóstolos. Calvino não acreditava e nem ensinava a sucessão linear histórica e hierárquica, mas que àquilo para o qual os apóstolos haviam sido chamados de maneira extraordinária e poderosa, subsiste de maneira ordinária, primária e sob os influxos da graça no ministério de um pastor local. Dedicação exclusiva à Palavra de Deus e a oração, a evangelização, bem como a plantação de igrejas e seu fortalecimento, a edificação e o cuidado das almas crentes, a repreensão dos faltosos e a ministração da disciplina, bem como a celebração da Aliança nos sacramentos, são funções inerentes ao ministério apostólico que permanecem na Igreja no ofício pastoral zeloso e consagrado. Todavia, na Reforma Protestante, a função do pastor consiste apenas em liderar o povo com a Palavra de Deus, de maneira que jesus Cristo possa permanecer o Supremo Pastor e o único Senhor da sua Igreja e o único a ser ouvido sem questionamentos. Um pastor protestante não goza de inerrância e nem é a instância final para toda e qualquer controvérsia religiosa e moral. A inerrância pertence ao Senhor e à sua Palavra bendita, a instância última para as controvérsias são as Escrituras. Contudo, é certo dizer que enquanto e somente enquanto, o pastor permanecer fiel, cativo, submisso e claro em sua exposição das Escrituras, não há coisa alguma que justifique deserções, polêmicas e questionamentos insustentáveis. Por outro lado, um ministério infiel e em desacordo com a Bíblia não merece ser honrado e tampouco ouvido e não deveria ser mantido sob quaisquer outros argumentos de pretensa autoridade. A necessidade, importância e autoridade do ministério de um pastor não repousa em seu carisma, inteligência, capacidade de mobilizar e aglutinar pessoas, em sua performance ou coisa parecida. Na Igreja Reformada a autoridade de um ministro será creditada somente enquanto ele usar as Escrituras para conduzir a sua vida pessoal e liderar a Igreja no fazimento da vontade de Deus e na glorificação de Cristo.
Reverendo Luiz Fernando é Ministro Presbiteriano em Itapira.
 
Fonte: Luiz Santos

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