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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
07/04/2015 | Luiz Santos: O Tempo Pascal

Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria e força, e honra, e glória e louvo.r” Ap 5. 12 b

Pode parecer estranho aos evangélicos em geral haver um tempo de páscoa. Uns dirão que a páscoa é só um dia, só uma celebração e pronto. Outros afirmarão que a nossa páscoa é sempre que ministramos a Ceia do Senhor. Até certo ponto, ambos estão corretos, mas não completamente. A Páscoa, de fato, é uma data precisa que volta no calendário a cada ano, em dias diferentes, mas que cai sempre no domingo. Um único dia prescrito de feriado e de festa. É verdade também que nossa Ceia é nossa páscoa. Agostinho chega a dizer que o domingo é a nossa páscoa semanal. Todavia, em face do maravilhoso e estupendo evento da ressurreição, desde dias imemoriais, a igreja em sua pedagogia e sabedoria bíblico-litúrgica, estabeleceu o tempo pascal que irá completar-se na festa de Pentecostes.

Nestes domingos de páscoa a Igreja rememora as aparições de Jesus neste período pós-ressurreição, passando pela Ascensão até chegar à descida do Espírito Santo. É um tempo rico, há curas e restaurações. Jesus devolve alegria e esperança aos discípulos em Emaús (ainda que o fato narrado pareça ser no mesmo dia da ressurreição), disciplina e anima o vacilante Tomé (oito dias depois de ressuscitado), aparece aos discípulos na praia e os enche de alegria compartilhando com eles uma refeição e por último, restaura a Pedro, o negador de outrora e o transforma em pastor de suas ovelhas. Caminhando mais um pouco dentro dos Evangelhos encontramos ainda a Grande Comissão dada à Igreja de anunciar o Evangelho até os confins da terra como testemunhas da pessoa, dos feitos e das palavras de Jesus Cristo.

Por que precisamos de domingos assim? Pelo mesmo motivo que precisamos da Páscoa, da Ascensão, do Pentecostes e do Natal. Precisamos a cada ano e sempre, voltar às fontes primárias de nossa fé, precisamos voltar aos Evangelhos que são documentos históricos e confessionais onde estão os registros dessas verdades que pela ação do Espírito Santo, nós os recebemos pela fé e afirmamos ser a verdade revelada por Deus. Ora, se nós mesmos como cristãos não valorizamos esta dimensão pedagógica e didática de nossas festas, corremos o risco ou de tornar o Evangelho em livro de história, filosofia e moral, árido, cerebral, abstrato e desconectado da vida ou esvaziamos o mistério e incorremos na heresia de “demitologizar” o Evangelho, de acabar com o sobrenatural, com o miraculoso e etc. Estas celebrações são auxílios importantes e necessários tanto para a Igreja quanto para os ‘não-cristãos’.

Para a igreja temos a oportunidade de crescer e aprofundar a nossa segurança e confiança nos registros bíblicos. Para os não-cristãos, tem eles a oportunidade de ouvir (no ensino) e ver (na celebração) a velha história, o plano de Deus em Cristo para a Salvação dos eleitos. Daqui a importância de termos um tempo pascal, especialmente dedicado para abranger outros aspectos da ressurreição, tais como, de que maneira isto afeta o cristão? Como participamos efetivamente desta ressurreição de Cristo? Quais os efeitos dela no corpo físico de Jesus e no nosso no futuro? Em que consiste dizer que a morte foi vencida? Por que a Ascensão é um fato imprescindível para nós cristãos? Como ela nos afeta? E a Grande Comissão? E o Pentecostes, o que é? Há derramamento deste Espírito também hoje?

Estes e outros artigos e questões de nossa fé podem e deverão ser tratados ao longo deste período e só temos a lucrar espiritualmente com isso. Claro, quase ia me esquecendo, é inegável que um dos dons dados pelo ressuscitado à Igreja é o próprio domingo como dia especialmente a Ele dedicado. Dia da Igreja, dia de celebrarmos juntos à ressurreição. Dia de nos sentarmos à mesa para o banquete pascal do Cordeiro de Deus e como em Emaús, depois de ouvir a Palavra de Deus, com os corações ardendo, partir o pão entre nós, reconhecer Jesus presente e imediatamente partir em missão.

Que a graça e a força da vida que venceu a morte nos motive neste tempo pascal para assumirmos com mais radicalidade e compromisso a nossa missão de testemunhas do Evangelho, das Boas Novas daquele que esteve morto e que tornou a viver e agora do Trono governa soberanamente sobre tudo e sobre todos. Caminhemos de domingo em domingo até o dia eterno. Caminhemos de páscoa em páscoa até a páscoa definitiva.

Rev. Luiz Fernando Dos Santos

É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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