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Itapira, 18 de Junho de 2024
Artigo
04/06/2015 | Luiz Santos: Pastorado e Compaixão

 "Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas; e elas me conhecem” (Jo 10.14)

Um dos atributos mais belos do coração pastoral de Jesus é a compaixão. Compaixão é aquela qualidade do coração que o faz entrar de maneira comprometida no sofrimento do outro. Jesus não era alguém que conhecia os corações a partir de deduções psicológicas ou análise com base em informações colhidas e cruzadas com acontecimentos e experiências de gabinete e divã. Absolutamente. Jesus Cristo entrou profundamente em nossa realidade quando de sua encarnação: “Por essa razão era necessário que ele se tornasse semelhante a seus irmãos em todos os aspectos, para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel com relação a Deus e fazer propiciação pelos pecados do povo. Porque, tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados” (Hb 2.17,18). Jesus Cristo conheceu e experimentou de tal maneira a nossa fragilidade que é capaz de compadecer-se, fazer-se próximo, importar-se e comprometer-se em socorrer-nos.

Esta qualidade do coração é o que motiva e sustenta o ministério pastoral também hoje em dia. O preparo teológico, o conhecimento das línguas originais das Escrituras, as regras de hermenêutica e exegese, bem como o conhecimento filosófico e o treinamento em estratégias ministeriais tem o seu lugar garantido e consagrado na vida de um ministro do Evangelho, não há como discutir isso. Todavia, se o pastor não conhecer as angústias e esperanças de seu povo, se não for capaz de identificar as raízes dos sofrimentos e se não identificar-se com aqueles a quem serve, de pouco ou nada lhe valerão seus cursos, diplomas e graus acadêmicos?

Que como disse, são sempre bem-vindos. Um pastor não pode viver um distanciamento seguro de suas ovelhas a ponto de quando fechar as portas de sua casa desconectar-se completamente da vida de suas ovelhas. Claro, o pastor geralmente tem esposa, filhos e aquelas responsabilidades comum a todos os homens. Deverá ter equilíbrio e dar a devida e irrenunciável atenção e cuidado aos seus familiares. Não poderá falhar na vivência doméstica, mas aqui também há um traço inequívoco da compaixão. Não poderá nunca ignorar as necessidades de sua esposa e jamais poderá negligenciar o que diz o Espírito Santo a respeito desse assunto: “Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações” (1 Pe 3.7). Deverá demonstrar zelo pela educação dos filhos e ensiná-los a andar pelos caminhos do Senhor (Pv 22.6).

O que torna possível esta relação cheia de tensão entre o seu ministério público, na igreja diante dos irmãos e no mundo diante dos incrédulos e sua vida privada em casa com os seus familiares, é que em todos os casos o pastor deve possuir um coração compadecido, procurando servir com amor sacrificial nas diferentes realidades. Nunca poderá amar a todos do mesmo jeito e na mesma intensidade, mas nunca poderá deixar de amá-los, se é que deseja servi-los no Evangelho.

Cada ovelha possui uma necessidade e reclama um tipo de compaixão. Cada realidade exige um tipo de amor e de atenção. A arte de pastorear, como ensina a antiquíssima Regra dos Monges Beneditinos, é servir ao temperamento de muitos, a um com docilidade e polidez. A outra com firmeza e ternura. A outro com consolo e desafio. Mas a todos com igual compaixão. Sem compaixão não há pastorado, não há missão, o Evangelho não se sustenta e nem tem credibilidade.

Nosso mundo está cada vez mais violento. Os tempos de barbárie, onde a vida valia quase nada, parecem ter voltado, a despeito de todo o nosso conhecimento adquirido ao longo dos séculos. O aborto, a violência gratuita do trânsito, a violência doméstica contra as mulheres e crianças. A criminalidade pelas ruas e o sentimento de abandono e de impunidade requerem ainda mais o exercício da compaixão cristã, da proclamação da misericórdia, o convite á reconciliação, o imperativo do perdão e as marcas do amor serviçal.

Supliquemos a Deus que envie mais servidores, mais operários para trabalhar na colheita, homens cheios de compaixão que se comprometam com as dores e com a fome de vida dos andam ‘exaustos e aflitos como ovelhas que não tem pastor!’ (Mt 9.36 b)

Rev. Luiz Fernando É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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