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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
11/07/2016 | Luiz Santos: Perdão

"Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não imputando os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação" (2 Co 5.19).

O mundo não é um lugar seguro. Desde a Queda de Adão e Eva, o mundo só fez crescer e abundar em atos de maldade, injustiça e violência. Não fosse a ação graciosa de Deus por meio de seu Espírito na graça comum derramada sobre a humanidade, seguramente há muito nos teríamos exterminado como raça e espécie sobre a face da terra. Não somos capazes de fazer todo o mal possível porque Deus restringe a força do mal presente no mundo, quer em nossos corações, quer nos limites impostos a Satanás, quer no governo que exerce sobre a natureza, mesmo que ela esteja sob as condições de ambivalência e maldição oriundos do pecado das origens. O Senhor exerce esta graça restringente sobre os homens de muitas maneiras, pela ação subjetiva nas mentes e nos corações, nos quais as suas leis estão inscritas, a isto se dá o nome de consciência e escrúpulo. Mas também, na proclamação pública, positiva e objetiva de suas Leis no decálogo e de toda a moralidade e ética que dele se desenvolve ou inferimos. E o Evangelho com suas promessas e ameaças também cumpre graciosamente este mister. Todavia, é pela pregação do Evangelho e pelo Senhorio de Cristo que o homem encontra paz com Deus e paz com o seu semelhante. É por meio da Igreja e dela somente que o ministério da Reconciliação em Cristo está operando no mundo chamando a todos para receber perdão, misericórdia e graça. Inevitavelmente, o homem regenerado por Cristo e incorporado na Igreja, também será usado por Deus como um eficiente instrumento para restringir a maldade que campeia no mundo. E como ele o faz? Primeiro e sobretudo por sua comunhão com Cristo que o aperfeiçoa em seu caráter de maneira progressiva e constante, melhorando assim todos os aspectos espirituais, morais, psicológicos e sociais. Em segundo lugar porque agora é seu dever testemunhar com palavras e ações esse seu novo ‘status’ diante de Deus como filho e portador da bênção. Como agente do Reino deve comprometer-se com a sua justiça inserindo-se nas mais variadas oportunidades de serviço comunitário, socorro dos vulneráveis, promoção da dignidade, da cidadania e etc. Mas, é no entendimento do que ocorreu em seu coração que está a chave para uma vida que cause impacto e transformação na sociedade. Quando o cristão aprofunda a consciência do que o perdão foi ofertado gratuitamente e eficazmente aplicado por Cristo em sua alma é que ele é capaz de servir como instrumento que refreia a ação da maldade em seu contexto. O cristão é alguém que é devedor ao perdão e por isso não pode jamais recusar oferecer, pedir ou propor o perdão. O perdão é a única força capaz de demover os corações da vingança, de fazer justiça com as próprias mãos, de prolongar inimizades doentias. Onde há o perdão há segurança, vida, liberdade e paz. O perdão cura a alma tornando-a generosa. O perdão tira as trevas da mente e devolve a sensatez e o equilíbrio. Só o perdão nos permite viver com autenticidade, tendo sentimentos e emoções saudáveis e sinceridade nos julgamentos e opiniões que porventura emitimos. O mundo está carente de perdão. Estamos todos armados uns contra os outros, ressentidos uns com os outros e por isso nos sentimos seguros quando afastamos os outros pelo não perdão. Nossas famílias andam esfaceladas, desintegradas e doentias por falta de perdão. Sobram acusações, abundam as desconfianças e não faltam corações frios e duro. As igrejas andam também farisaicas, ‘policialiescas’ e muitos ‘irmãos’ doídos e melindrados preferem ou excluírem-se ou evitar encontros e ocasiões de confronto. O mundo, nossas famílias e a Igreja carecem desesperadamente de perdão. Do perdão de Deus dado pelo Espírito, claro, mas também do perdão dos homens aos seus semelhantes, derramado pelo mesmo Espírito de formas distintas. Que o perdão deixe de ser um vocábulo de muitos sentidos para se tornar entre nós uma única experiência de salvação, vida e paz para todos. Deus que nos perdoou em Cristo nos ensine a perdoar e a pedir perdão sempre e em todas as ocasiões e contextos.

Reverendo Luiz Fernando é Ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira, professor de Teologia Pastoral e Bioética no Seminário Presbiteriano do Sul e de Filosofia na Faculdade Internacional de Teologia Reformada – Fitref e de História das Missões no Perspectivas Brasil

Fonte: Luiz Santos

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