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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
04/12/2013 | Luiz Santos: Preparando um Natal digno de Cristo, digno dos Cristãos

 “Um ramo brota do tronco de Jessé” (Is 11.1).

"Vocês, céus elevados, façam chover justiça; derramem-na as nuvens. Abra-se a terra, brote a salvação, cresça a retidão com ela; eu, o Senhor, a criei" (Is 45.8). Desde sempre os Cristãos, quer na exegese e hermenêutica deste texto, quer em sua apropriação litúrgica, enxergou aqui o drama da expectação do profeta em relação à vinda do Messias, do Salvador, do Emannuel, Deus Conosco.

O Advento, de certa maneira, também é um tempo de expectativa, de alegre espera pelo Salvador. Evidentemente que o fato histórico da Encarnação do Verbo já se deu entre nós. Claro, já se vão 2013 anos de sua visita em nossa humanidade, de seu aparecimento neste mundo irrompendo em nossa história naquela estrebaria em Belém. Não esperamos que Ele se humilhe novamente, que assuma a nossa forma humana, de escravo...não. Aliás, em sua volta gloriosa, quando todo olho o verá, não o esperamos mais como benevolente salvador, mas como severo juiz de toda a humanidade e como reunidor-resgatador dos já salvos para estarem para sempre com ele, isto é, a sua amada igreja.

Então, qual a validade da celebração do Natal e mesmo do tempo litúrgico do Advento? Penso que algumas respostas podem ser dadas à luz das Escrituras e da Tradição espiritual bimilenar da Igreja.

1. Segundo Bernardo de Claraval, grande teólogo e místico do século XII três são as vindas do Messias. Na primeira Ele veio revestido de miséria e vulnerabilidade. Veio revestido de nossa “capacidade” humana de sofrer, morrer, e se limitar no tempo e no espaço. Veio como homem, como servo sofredor. Na segunda vinda Ele virá revestido de poder e majestade. Revestido de glória, rodeado de anjos e arcanjos, virá como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Entre uma e outra vida, Ele nos visita na Liturgia, no Culto de Adoração, na Leitura e exposição da Palavra, no Sacramento. Vem até nós revestido de singela realeza e sutil majestade. Vem até nós na forma de graça, de alento, de consolo, de nutrimento espiritual. Portanto, seja no advento, seja no natal, nos encontramos com os fatos, com a realidade já acontecida e nos usufruímos de seus efeitos de graça e de santificação no hoje de nossas vidas.

2. O Advento nos recorda que aquele que veio um dia, um dia prometeu voltar. Assim como o Batista “E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor" (Lc 1.17), também a Igreja tem a missão de preparar-se e preparar o mundo para segunda vinda do messias, “Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus”  2 Co 5.20, isto é, consertem a sua vida com Ele para o dia do Senhor.

3. O Natal aponta para a Páscoa. A Manjedoura aponta para a cruz. A “gruta” nos remete ao sepulcro. O Natal não é um fim em si mesmo. O menino embalado no presépio, as doces cantigas e os melodiosos hinos destes dias não podem esconder a real missão do príncipe da paz. Por isso precisamos relembrar todo o Conselho de Deus, revisitar o todo do plano salvífico do Pai, jamais esquecer-nos que o brilho e a beleza das cantatas e das encenações, bem como o lirismo e a poesia dos cultos devem remeter-nos à sexta-feira da paixão, onde o projeto de Deus anunciado em Gn 3.15 foi consumado.

 Vivemos dias de grande secularização. Mesmo o “boom” de espiritualidade de nossos dias, esta sede do sagrado tem muito de mundano, de rasteira satisfação dos apetites, de um psicologismo escapista. O que as pessoas procuram é sentirem-se bem. Desejam uma “espiritualidade” que justifique e ao mesmo tempo não transforme o seu estilo de vida. Não falo apenas das grandes religiões da humanidade. Não falo apenas dos fenômenos eclesiásticos do espectro evangélico. Constato, infelizmente, que muitos de nós, em nossas igrejas chamadas de “tradicionais ou históricas” também gestamos e transmitimos uma espiritualidade de mercado, de acomodação cultural, de consumo de bens e serviços religiosos.

O Advento e o Natal podem ensejar um tempo propício para nos debruçar com mais afinco sobre as Escrituras e estudar de modo específico o plano da Salvação realizado em Cristo e o destino glorioso da Igreja. E, como devemos viver entre uma coisa e outra aprofundando a nossa santificação, vivendo na ação de graças, construindo relacionamentos saudáveis e fraternos enquanto anunciamos, convidamos, exortamos e advertimos os homens e mulheres de nossos dias para que venham a Cristo e se reconciliem com Deus. Pois, aquele cuja primeira vinda comemoramos agora, em breve voltará.

Reverendo Luiz Fernando

Pastor da Igreja Presbiteriana Central de Itapira

Fonte: Luiz Santos

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