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Itapira, 21 de Junho de 2024
Artigo
15/10/2014 | Luiz Santos: Reforma Hoje

 Todavia, trarei restauração e cura para ela; curarei o meu povo e lhe darei muita prosperidade e segurança” (Jr 33.6).

O mais popular lema sobre a Reforma é: ‘A Igreja Reformada sempre precisa de Reforma’. Os autores tinham em mente alguns pressupostos interessantes e muito realistas. Em primeiro lugar tinham consciência de que a tarefa realizada em seu turno não estava acabada. Nem todas as carências foram atendidas. Nem todas as áreas foram reformadas e para melhor. Segundo, sabiam que a reforma iniciada não era suficiente, não estavam exatamente satisfeitos, em muitos casos o contexto os obrigou à certa conformidade histórica e foram obrigados a ceder em alguns aspectos para não por a perder o que haviam conquistado com sacrifícios até então. Terceiro, por conhecerem a natureza humana infectada pelo pecado os reformadores não ignoravam o fato de que muitos não entenderiam bem a natureza das coisas, distorceriam os bons e santos propósitos e provocariam mais deformidades do que reformas. Quarto, os reformadores sabiam que a ‘pecaminosidade’ sempre proporcionaria a ocasião de retroceder, voltar a velhos vícios e erros ou então introduzir elementos estranhos na liturgia, na disciplina e na vida da igreja em geral. E por último, de certa maneira, intuíram que o avanço da cultura e da sociedade trariam a seu tempo novos desafios que careceriam de novas e criativas respostas à luz das Escrituras. Portanto, não há que se falar em uma “nova Reforma”, mas em uma retomada no espírito, do desejo, das intenções originárias dos Reformadores que possuem validade permanente, uma Igreja mais bíblica, uma vida cristã mais perfeitamente conformada a Cristo, uma sociedade mais influenciada pelos valores do Reino dos céus.

Somos gratos a Deus pelo maravilhoso crescimento da Igreja Evangélica no Brasil, mais do que estribados em números, é inequívoco afirmar que a igreja Evangélica saiu da marginalidade, da periferia, da invisibilidade social nos últimos quarenta anos. E, parece-me que à luz das ciências humanas, ainda há algum espaço para crescer. Todavia, este crescimento que pode facilmente ser medido e traduzido em números nem sempre significa Igrejas saudáveis, biblicamente fiéis, teologicamente ortodoxas e profeticamente comprometidas com a transformação da pessoal e da sociedade. Em muitos contextos evangélicos o anseio de crescer rapidamente levou a liderança a se descuidar da pureza e integridade do culto, inconsciente ou conscientemente importando elementos sincréticos do catolicismo popular, dos cultos afro-brasileiros, de elementos do ‘Kardecismo’ e até da Nova Era. Neste mesmo ímpeto, as igrejas históricas mais afinadas com os ensinamentos da Reforma, para não ficarem para trás, ‘afrouxaram’ o discipulado, a catequese fundamental e a formação permanente, gerando assim uma geração de crentes analfabetos nas Escrituras, imaturos na adoração e com uma ética bastante ‘porosa’.

A partir desta análise, ainda que simples, é possível constatar de que uma Reforma deveria fazer parte de nossa agenda eclesial. Que deveríamos olhar no retrovisor antes de avançarmos, deveríamos consultar a história, escavar mais fundo nas Escrituras e ser mais intensos na oração para nos deixar sensibilizar e encorajar para promover muitas mudanças necessárias e firmar muitos compromissos a partir das Escrituras para a transformação de nossa vida pessoal e comunitária. Deveríamos ter a coragem de nos perguntar como Igreja Local, levando em conta a fidelidade denominacional e a fidelidade confessional, quais as áreas de nossa igreja precisam sofrer uma Reforma profunda, aguda e decisiva? Penso em algumas delas, por exemplo, uma Reforma na Escola Bíblica Dominical com a devida preparação do corpo de professores. Precisamos investir no treinamento Bíblico e doutrinal dos que são chamados ao ofício de ensinar as Escrituras. Precisamos de um currículo que leve ao discipulado bíblico, ao despertamento vocacional e ao engajamento ministerial na Igreja e no mundo. Poderíamos pensar em Reformar as nossas estruturas diaconais e tornar a nossa igreja mais presente e mais comprometida com a transformação social através de uma ativa participação no Instituto Samaritano de Proteção Social, no envolvimento com o trabalho com as crianças em situação de vulnerabilidade social do Istor Luppi. Também aqui será preciso um ensino Bíblico e um treinamento muito específico para despertar vocações e qualificar sempre mais o serviço. Ainda dentro do mês da Reforma, nas próximas pastorais, vamos aprofundar este diagnóstico e quem sabe, se Deus permitir, nos convencer de que precisamos responder aos imperativos de uma Igreja que sempre carecerá de Reforma para não nos deformar irreversivelmente.

Reverendo Luiz Fernando

É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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