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Itapira, 13 de Junho de 2024
Artigo
03/01/2015 | Luiz Santos: Sede de Deus

 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?” (Sl 42.2)

De todas as resoluções justas e possíveis, de todos os pedidos necessários e imprescindíveis para o ano de 2015 todos nós, como cristãos individualmente e como igreja organizada, deveríamos resolver buscar mais a Deus, ter mais sede d’Ele e de seu poder. Um dos aspectos mais surpreendentes dos dias de avivamento e despertamento espiritual é o interesse ‘nas coisas de Deus’. Interesse que não é apenas a busca de experiências místicas ou sensoriais. Mas, sobremaneira, um renovado interesse em doutrina, em conhecimento dos atributos de Deus, de seu plano, de como Ele o realizou em Cristo. Interesse por conhecer mais e melhor a pessoa excelsa e bendita do Senhor Jesus Cristo, suas naturezas, seus ofícios, sua obra consumada na Cruz. Novo e santo interesse por saber quem é o Espírito Santo e sua relação com as outras duas pessoas divinas da Trindade, como Ele age, qual a sua missão e como Ele atua sobre e em nós.

Deste interesse por doutrina inevitavelmente aparecem na alma aquela admiração, aquele desassombro, aquele encantamento por Deus que leva ao amor por sua santidade, ao ‘maravilhamento’ com a sua beleza e verdade e, por conseguinte, às mais variadas experiências sensoriais, afetivas, emocionais, psíquicas. Sim, como cristãos reformados não temos porque temer, duvidar ou rechaçar tais experiências. Elas são bíblicas. Elas apareceram sempre em momentos de grande visitação do Espírito Santo. Sempre que a Palavra de Deus foi pregada com integridade e fidelidade estas manifestações ocorreram. Seja pelo quebrantamento que levou a muitos às lágrimas, ao temor do inferno em forma de desespero como no ocorrido quando Jonathan Edward pregava seu sermão “Pecadores nas mãos de um Deus irado”, ou êxtase e delírio santo, visões e sentimentos inefáveis de paz e doçura da alma ao contemplar da beleza, amor, santidade de Deus em Cristo.

O que não pode e nem deve ocorrer é busca da experiência como um fim em si mesma. Experiência sem doutrina, sem sólido conhecimento descamba em alienação. Conhecimento sem experiências espirituais se torna fundamentalismo estéril, ortodoxia morta. O conhecimento mais a experiência leva a uma prática, uma conduta de vida que rejeita o mal e o pecado em si mesmo, os que se originam a partir de si e os presentes no mundo. Conhecimento reto e experiência saudável atestada pelas Escrituras produzem um viver agradável a Deus. Uma conduta santa, generosa, que em tudo repute glória a Deus e em tudo busca o bem dos irmãos e a salvação dos incrédulos.

Estes três elementos quando encontrados de maneira simétrica no caráter do crente o faz amar os santos, a sua companhia, as suas palavras e a vida compartilhada com eles. Conquanto queira bem aos incrédulos e lhes servia de testemunho e anúncio, o seu prazer estará sempre com os santos, onde Deus também tem grande complacência. Quando este estágio da maturidade cristã é alcançado é certo e seguro que a Igreja não suportará pastores despreparados, cultos centrados na vaidade humana, oficiais que não consigam sequer conduzir o culto doméstico ou pastorear a própria família.

A igreja produzirá homens com robustez ética suficiente para atuarem na política. Iluminará as mentes mais desenvolvidas de seus filhos para ingressarem no mundo acadêmico, da educação, das ciências e das artes para reivindicarem ali o Senhorio de Cristo. Serão capazes de reconhecer sem medo que uma verdade, ainda que vinda de um ateu, é sempre verdade de Deus que não pode mentir.

Assim, a Igreja e os seus membros com conhecimento sólido, experiência verdadeira do Espírito purificando, reordenando e santificando as disposições de suas faculdades e vivendo segundo a vontade de Deus, poderá transformar este mundo tornando-o melhor habitável para todos até que volte o Senhor. Por isso, meu conselho é que em 2015 nós como cristãos e como igreja organizada desejemos mais de Deus. Supliquemos ao Espírito Santo que aumente nossa sede de conhecimento bíblico e doutrinário. Que aumente nosso desejo de novas e mais profundas experiências espirituais. Que nos faça mais resolutos em viver para a glória de Deus e a promoção do Reino de Deus em nossa terra.

Rev. Luiz Fernando

É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Itapira

Fonte: Luiz Santos

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